Crónica de um espião no Portugal Fashion #01. Metemos este mamarracho aqui para ver se tapamos aquela porcaria

O espião vai ver desfiles, olhar para as pessoas e comentar tudo, sem tento na língua e sem medo de ofendidinhos. Esta é a primeira crónica.

Depois de três dias na ModaLisboa, em que falei de roupa da Primark vendida ao preço de Prada, de gente que vai para os desfiles com os dedos a cheirar a camarão e mulheres que vão para os eventos de moda sem se maquilharem, só para terem uma borla. Foram dias divertidos. Vai daí, a MAGG desafiou-me a juntar-me à equipa que está no Portugal Fashion, no Porto. E aqui estou.

Qual foi a primeira coisa com que dei logo de caras? Com uma espécie de instalação gigantesca, qual bola de fogo feita em papel arramotado, que tapa quase toda a entrada do espaço onde decorre o Portugal Fashion. Ah, coisa mai linda. Não, não é nada linda, é horrível. Fiquei ali a olhar para aquilo uns segundos com a mesma cara com que fico quando olho para os obras de pintores abstratos: ponho aquele ar de entendido, mas na verdade não percebo um boi do que estou ver. Olhei, olhei, olhei, “naaaaa, não vou lá, isto é demais para mim”. Gosto disto da humildade, pá, um gajo não entende e assume a sua burrice. Só que calma, porque foi preciso uma pessoa (neste caso eu) passar a obra para entender toda a sua dimensão. E eu só cheguei lá depois.

Então, passei a tal bola de fogo em papel amarrotado, que tapava quase toda a entrada, e o que é que vejo do outro lado? Um stand com vários vestidos da Micaela Oliveira. Ahhhhh!, fez-se-me luz na cabeça.

Estão a ver ali atrás? É o stand com vestidos Micaela Oliveira. É normal que tenham colocado esta coisa à frente

Os senhores da organização perceberam a tempo que a primeira coisa que os visitantes iriam ver NÃO PODIA SER um stand com vestidos da Micaela Oliveira, era muito mau para a imagem do certame, e o risco de muita gente voltar para trás era gigantesco, logo, a solução improvisada foi a de espetar ali com aquela coisa. Bem jogado.

Lá entrei, pus novamente o ar de pessoa entendida, vi umas lojinhas que há na entrada, mas no meu subconsciente estava era a ver se havia coisas para comer, que eu sou uma pessoa que tem fome. A única coisa que avistei foi uma banca da Matinal, que estava a servir uns cocktails, ou lá o que era, feitos com leite e framboesas. Perfeito, se fossem dez da manhã, e não dez da noite, altura em que se deitam abaixo gins, e não copinhos de leite.

Obrigado, senhores Matinal por este delicioso batido de framboesa, que é mesmo o que o corpinho pede quando se sai à noite

Mas percebi que aquilo devia ser para as crianças quando vi o desfile da Susana Bettencourt, que tinha para lá umas moçoilas na passerelle que não tinham idade sequer para entrar num salão de jogos. O leitinho devia ser para elas, até porque à hora a que andavam ali a passear com as roupas da estilista o Vitinho já tinha passado há muito tempo na TV, e elas deviam era estar a ouvir um “chichi e cama” dos pais, e não a ouvir um DJ a passar techno.

Amanhã vai ser um dia daqueles mesmo bons. Vem aí a Tininha da Malveira, deve vir a Ritinha Pereira, espero muito ter cá a Cláudia Jacques, que maravilha. Outra boa notícia: com esta frequência é provável que o stand da Micaela Oliveira esgote, e assim já não temos de levar com aqueles vestidos na entrada.

Até amanhã, pessoas.

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