Consumir adoçantes ou açúcar é o mesmo para o nosso corpo?

A ciência ainda não conseguiu provar, mas há suspeitas de que as consequências destas substâncias possam causar a síndrome metabólica.

A alteração da flora intestinal é, por outro lado, uma certeza e consequência do consumo destas bebidas

Os adoçantes chegaram à indústria alimentar para substituir o açúcar e diminuir as calorias presentes nas bebidas. Só que, como muitos outros produtos dietéticos, estão longe de ser a melhor opção para a saúde. E podem muito bem nem ser a escolha ideal para não ganhar peso.

Apesar de não existir ainda consenso entre a comunidade científica quanto aos seus perigos, alguns estudos já vieram dizer que o corpo não consegue distinguir bebidas açucaradas e adoçadas com adoçantes. A explicação é simples: quando comemos coisas doces, o cérebro envia sinais ao pâncreas, que começa a produzir insulina, que servirá depois para alojar as moléculas do açúcar nas nossas células.

Confirmando-se, a resposta do corpo à ingestão de adoçantes fará apenas metade deste caminho. Há produção de insulina, mas, pela ausência de calorias, esta não executará a sua função. Daqui podem resultar alguns problemas. “Parece que os adoçantes podem levar a uma resistência à insulina”, diz a nutricionista Débora Pita. A consequência poderá vir a resultar na síndrome metabólica, caracterizada por diversos fatores: valor de colesterol bom (o HDL) baixo, triglicéridos elevados e acumulação de gordura na zona abdominal.“Todos estes fatores ligados estão relacionados com maior risco de se desenvolver uma doença cardiovascular e diabetes tipo 2.”

Ensaios clínicos mostram resultados diferentes dos observacionais

Um trabalho cientifico de 2017, que aglomera todos os estudos relacionados com o consumo destas substâncias químicas, é a prova da falta de consenso. Os ensaios clínicos mostram efeito benéfico dos adoçantes no peso. Mas, por outro, os estudos observacionais mostram um aumento no risco de excesso de peso, obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica.

A saciedade também é afetada pelo consumo de bebidas com adoçantes. “O nosso organismo associa o sabor doce à chegada de energia, preparando-se para a receber. Contudo após a ingestão de adoçantes não estimulamos a secreção de algumas hormonas como faz o açúcar e, assim, não se conseguem estimular as hormonas responsáveis pela saciedade, por exemplo”, explica a nutricionista.

Então isto quer dizer que estas bebidas engordam? Do ponto de vista das calorias que se ingerem, não, “uma vez que a substituição do açúcar pelo adoçante cria um produto alimentar com menos calorias.” Ainda assim, pelo défice de mecanismos que nos deixem saciados, pode nascer um consumo excessivo destas bebidas, porque são doces equiparados ao açúcar, que é viciante. Apesar de terem menos calorias, não são isentas delas. Portanto, daqui resultará um aumento de consumo energético.

A confirmar-se o problema da síndrome metabólica, é possível também que a ingestão destes produtos esteja na origem de acumulação de gordura abdominal. A única certeza que a comunidade cientifica tem é de que os adoçantes “levam à alteração da flora intestinal.”, como diz Débora Pita.

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