Toda a gente sabe que o consumo de álcool em excesso faz mal. Mas foram os próprios estudos a assegurar, nos últimos anos, que um copo de vinho por dia era ótimo para combater algumas doenças cardíacas. Ou que beber cerveja fazia bem aos ossos. Pois bem, afinal parece que não existem evidências científicas suficientes para acreditarmos nisso. De acordo com um mega investigação sobre os malefícios do álcool, que envolveu 195 países e 500 investigadores, no que diz respeito ao álcool a única certeza é que a melhor opção é mesmo não beber.

O estudo foi publicado na revista científica “The Lancet” a 23 de agosto. Efetuado pela Global Burden of Disease, um programa contínuo da Universidade de Washington, que produz dados sobre as mortes e doenças, a investigação foi realizada com base nas centenas de estudos realizados sobre o tema entre 1990 e 2016. E a conclusão foi clara: não há nenhuma bebida alcoólica que esteja livre de malefícios. Portanto, a bem da sua saúde o melhor é não beber — nada.

Emmanuela Gakidou, uma das investigadores envolvidas no estudo, disse em comunicado que existe a necessidade urgente de introduzir políticas que encorajem a redução ou a abstenção do consumo de álcool: “Há a convicção de que uma ou duas bebidas por dia podem ser benéficas, mas este estudo vem quebrá-la.”

Estudo. Comer hidratos de carbono pode dar mais anos de vida

De acordo com a investigação, independentemente de beberem álcool ou não, 914 em 100 mil pessoas vão desenvolver problemas relacionados com o consumo de álcool, como por exemplo cancro e a diabetes. Se beberem uma bebida por dia, mais quatro pessoas terão estes problemas de saúde. Se dobrarmos a dose, mais 63 pessoas serão afetadas. Mas se o hábito diário for de cinco doses, o número aumenta exponencialmente para 338.

E a que equivale uma bebida? A dez gramas de álcool, que são, nada mais, nada menos, doque um copo de vinho (pequeno) ou uma lata de cerveja.

Se o consumo for apenas de uma dose, o risco do desenvolvimento de doenças associadas ao álcool não é grande – é de 0,5%. O problema é quando se ultrapassa este limite – um consumo de duas bebidas diárias aumenta o risco em 7%. Quem chega às cinco doses diárias, passa para os 37%.

O estudo revelou ainda que em Portugal a média é de cerca de seis bebidas diárias (para os homens), valor que só é ultrapassado pela Roménia, que ultrapassa as oito.