Se tem filhos entre os 8 e os 18 anos, é muito possível que já tenha ouvido a palavra “Fortnite”. Se calhar, até já a ouve demais em casa e ainda não percebeu porquê. Olhou para a televisão da sala onde o seu filho estava a jogar PlayStation, ou para o smartphone dele e não percebia que bonecos eram aqueles que corriam de um lado para o outro numa ilha abandonada, com armas na mão e a fazer construções ao mesmo tempo. O que se passa, é que este jogo anda nas bocas do mundo e já se tornou no mais popular de 2018.

Segundo a “Forbes“, o jogo já fez mais de 858 milhões de euros a nível mundial desde outubro passado. Em maio deste ano, atingiu os 272 milhões, fazendo deste o melhor mês de sempre para um videojogo, ultrapassando o “Pokémon Go” da Niantic.

Mas o que é exatamente o “Fortnite”? É seguro para os miúdos? O que é que os pais têm de saber sobre o jogo que viciou até celebridades como o Drake? Não se preocupe, nós tiramos-lhe todas as dúvidas.

O que é o “Fortnite”?

É um videojogo que se insere nos géneros TPS (“third-person shooter”, em tradução livre, “tiro em terceira pessoa”), mundo aberto (ou seja, o jogador pode mover-se livremente) e construção, criado pela produtora norte-americana Epic Games em 2017. Atualmente, é composto por dois modos de jogos: “Battle Royale” (o mais popular) e “Save the World”. Vamos tentar explicar isto da forma mais simples possível.

No “Battle Royale”, 100 jogadores são lançados num paraquedas para uma ilha onde, competindo online uns com os outros, têm de colecionar armas e todo o equipamento necessário para sobreviverem. Os jogadores podem optar por jogar sozinhos, em grupos de dois ou quatro. O último sobrevivente, ganha. No meio, há ainda uma tempestade que vai cercando cada vez mais os jogadores, ou seja, vai diminuindo o perímetro do jogo de modo a que se aproximem mais uns dos outros. Um jogo tanto pode demorar dois minutos, dependendo de quanto tempo sobrevive, como 20 ou mais. Está a acompanhar? Vamos então ao segundo modo.

No “Save the World”, que foi o primeiro modo a ser criado pela Epic, os jogadores têm igualmente de sobreviver a um ambiente pós-apocalíptico, mas desta vez estão rodeados de zombies, monstros e têm de cumprir missões. Outra diferença, é que aqui os jogadores jogam contra o “computador”, e não online.

Quanto custa e onde se pode jogar?

O “Battle Royale” é completamente gratuito. Os jogadores podem desbloquear itens à medida que vão progredindo sem pagar. No entanto, há pacotes especiais que dão acesso a roupas, itens exclusivos e ao modo “Save the World” (que se tornará gratuito ainda este ano), variando entre os 4,99€ e os 74,99€.

O jogo está disponível em PC, PlayStation4, PlayStation4 Pro, Xbox One, Xbox One X, Mac e Nintendo Switch (exceto o “Save the World”). Funciona ainda em dispositivos móveis (é o primeiro videojogo com esta dimensão a fazê-lo) como o iPhone SE, 6S, 7, 8, X; iPad Mini 4, Air 2, 2017 e Pro, com lançamento em Android para breve.

Porque é que é tão popular?

Uma das principais razões do “Fortnite” se ter tornado num sucesso em tão pouco tempo deve-se ao facto de ser grátis e de fácil acesso. Basta ter um computador, umas das consolas ou dispositivos móveis mencionados em cima e instalar o jogo através de uma ligação à internet.

O design estilo “cartoon” ajuda a que chame a atenção de audiências mais novas, apesar de também ser popular entre adolescentes e jovens adultos.

A jogabilidade e a interação que o utilizador tem com o jogo, desde eliminar adversários, procurar itens e fazer construções ao mesmo tempo — algo que distingue o jogo dos outros — e a adrenalina de lutar pela sobrevivência é algo que prende muito a atenção do jogador. O facto de se poder jogar online, principalmente entre amigos com quem se está em constante comunicação, também ajuda a que este se torne mais divertido.

O YouTube e a Twitch são também plataformas que ajudaram a alastrar a popularidade do jogo. Através dos “youtubers” e “streamers” (pessoas que transmitem em direto vídeos delas a jogar), os miúdos não só se entretêm a ver outras pessoas a jogar como aprendem mais sobre o “Fortnite”.

Qual é a idade recomendada?

Segundo a PEGI (Pan European Game Information), o sistema europeu de classificação de videojogos, o “Fortnite” é recomendado para idades a partir dos 12, o que significa que o jogo pode ter uma natureza ligeira de violência, mas as personagens não têm um aspeto humano ou realista. Para se integrar nesta classificação, o jogo não pode também ter conteúdo sexual.

É seguro?

O jogo, como dá para perceber na imagem no topo do artigo, é composto por gráficos amigáveis, o que lhe dá um aspeto de desenho animado e não realista. Apesar de envolver tiros, com o objetivo de eliminar outros jogadores, o estilo é muito “leve”, o que significa que não mostra imagens violentas nem sangue.

Quando um jogador elimina outro, este apenas desaparece — sem deixar quaisquer vestígios de sangue — deixando para trás todos os itens que tinha consigo para outros jogadores (vivos) apanharem.

Tendo em conta que no modo “Battle Royale”, os jogadores podem comunicar entre si online — incluindo desconhecidos de qualquer parte do mundo — é importante que a comunicação entre os mesmos seja restritamente a propósito do jogo, sendo que não é recomendável a partilha de informações pessoais. Como o jogo é bastante popular entre crianças e adolescentes, a National Crime Agency — uma organização de forças de segurança do Reino Unido —  comentou ao jornal “The Sun” que “é importante que os pais entendam os riscos associados ao jogo e permitam que os filhos joguem de forma segura”.

Caso algum jogador não cumpra com as normas do jogo ou tenha um comportamento suspeito e inseguro, a Epic Games permite denunciar o utilizador em questão.

Que cuidados os pais devem ter?

Para além da segurança e da privacidade, tal como em qualquer outro videojogo, o número de horas que é passado à frente do ecrã é uma das principais preocupações. O vício e a obsessão pode originar várias consequências como a exaustão gerada pela falta de sono, a agressividade, depressão e isolamento. No entanto, um bom acompanhamento parental de modo a restringir as horas de jogo pode ajudar a haver um equilíbrio.

A PS4 e a Xbox 360/One permitem gerir o tempo de jogo restringindo o uso da consola. Basta aceder às configurações e nos controles parentais/gerenciamento de família e definir um horário limitando o tempo de jogo.