É um dos exercícios que mais se veem nos ginásios. Faz quase sempre parte dos planos de treino prescritos por personal trainers e é uma das posições que integram quase todas as sessões de abdominais que os clubes organizam diariamente.

Conhecida por fortalecer a parte interior do abdominal — aquela que é considerada a mais importante para um corpo forte e funcional — a prancha executa-se de barriga para baixo, com apoio das mãos ou cotovelos e pontas dos pés. O resto do corpo fica suspenso, como se fosse uma tábua. Para se aguentar a postura é preciso força na zona do core. E quanto mais tempo melhor, certo? Não. Afinal está errado.

Stuart McGill, professor de Biomecânica do Desporto na Universidade de Waterloo há 30 anos, explica ao “Business Insider” que ficar nesta posição durante muito tempo pode ser “uma perda de tempo.” O académico sugere que, mais importante do que o tempo, é executar bem o exercício. Por isso, à mesma publicação adianta que é mais eficaz fazer repetições curtas, de dez segundos.

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Paulo Armada da Silva, professor auxiliar no departamento de Desporto e Saúde do Laboratório de Fisiologia e Bioquímica do Exercício da Faculdade de Motricidade Humana em Lisboa, vai mais longe: “Não vejo sentido nesse exercício”, diz à MAGG. “Há imensos movimentos mais interessantes do que esse para fortalecer o core.

Em causa estão problemas de postura. A prancha poderá potencial “desequilíbrios posturais”, uma vez que “do ponto de vista do movimento [humano] não faz sentido”, aumentando “o risco de lesão.”

Neste exercício solicitam-se os músculos peitorais, o que poderá ser pouco benéfico para uma postura correta. Também se treinam os músculos das ancas, “que naturalmente já estão fortalecidos.” Além disso, devido à fraqueza da muscululatura da parede abdominal, poderá facilmente gerar-se um aumento da “lordose lombar”, que corresponde à curvatura fisiológica da coluna lombar.

E quanto mais tempo estiver nesta posição, pior, pois mais aumenta a probabilidade de desenvolver algum destes problemas. Por ser um movimento estático que exige grande esforço, sem que haja consciência, começa-se a compensar, indo-se buscar força a outros sítios (ombros, pernas, peito, braços) que não a musculatura abdominal, o que chega a comprometer a eficácia do exercício.

Paulo Armada da Silva diz ainda que esta postura pode ser mais interessante para aumentar a elasticidade: “Depois de uma contração leve, os músculos ficam mais descontraídos e elásticos”, diz. “Para trabalhar força e o core não vejo grande utilidade”, termina.