Quatro investigadoras. Todas mulheres com histórias de vida diferentes mas com uma paixão comum, a Ciência. Uma sempre foi boa aluna e revela à MAGG que a primeira negativa na faculdade funcionou como um choque de realidade. Outra conta que se tivesse entrado na escola de música, hoje seria compositora. As restantes não se veem fora da Ciência, e admitem que podiam ter sido médicas ou psicólogas.

Nesta quarta-feira, 21 março, a L’Oréal Portugal, em conjunto com a Comissão Nacional da UNESCO e a Fundação para a Ciência e Tecnologia, organiza a 14ª iniciativa de atribuição de medalhas de honra para quatro mulheres na ciência que se distinguiram pelos seus projetos de investigação.

A MAGG conversou com cada uma delas, ficou a conhecer melhor os projetos em que estão envolvidas, dos seus percursos e tentámos que nos explicassem como é o amor que nutrem pela área científica em que se distinguiram.

Carina Crucho

A investigadora estudou a resistência das bactérias aos antibióticos que, diz, poderá no futuro vir a causar tantas ou mais mortes que o cancro

L'Oréal Portugal

Carina tem 32 anos e vive em Almada. É solteira, não tem filhos e diz que o seu percurso não podia ser mais natural. No secundário, estudou aquilo que hoje equivale ao curso Científico-Humanístico, em Ciências e Tecnologia. Licenciou-se em Química Aplicada na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e prosseguiu com o mestrado em Química Biorgânica.

Depois do mestrado, aceitou uma proposta para dar aulas durante um ano aos alunos do Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz. Só depois ingressou num programa doutoral que lhe permitiu ser investigadora em regime de pós-doutoramento.

Os pais nunca foram ligados à área. Carina vem de uma família modesta e desde cedo percebeu que o conhecimento era a autoestrada para o sucesso. Nunca teve ninguém na família ou no grupo de amigos que a pudesse influenciar a ser investigadora, e diz que foi isso que tornou todo o processo mais espontâneo e especial.

“Como irmã mais nova, cresci a ver os meus irmãos a irem para a faculdade com o objetivo de ter uma vida melhor, e a única forma que eu tinha de me destacar era sendo a melhor aluna.”

Na escola era muito curiosa, questionava muito e às vezes era um bocadinho chata mas não era por mal.

Anos depois, Carina consegue identificar o momento exato em que o interesse pela ciência despertou. Tinha apenas 10 anos quando, num Natal, recebeu como prenda um microscópio. “Foi a melhor prenda de sempre. Permitiu-me ter acesso a um mundo novo, muito diferente daqueles que os bonecos tipicamente para crianças ofereciam”, diz a investigadora que ainda hoje guarda o microscópio com muito carinho.

À MAGG, conta que sempre gostou das ciências e nunca se afastou da área, mesmo quando chegou ao 10.º ano, em que tudo era diferente, desde o grau de exigência à escala de avaliações. “No meu primeiro teste de Química, tirei um 19 e foi aí que percebi que se calhar até era boa nisto.”

Apesar de muito calma e descontraída, reconhece traços de uma certa rebeldia saudável nas aulas. “Na escola era muito curiosa, questionava muito e às vezes era um bocadinho chata mas não era por mal. Era só curiosidade de querer saber mais”. Mas defende que nas crianças isso é quase sempre natural e com a idade vai-se ganhando a calma necessária para abordar os problemas que são apresentados.

Entrega de Medalhas de Honra às Mulheres na Ciência

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Esta é a 14.ª edição da iniciativa que, organizada pela L’Oréal Portugal, a Comissão Nacional da UNESCO e a Fundação para a Ciência e Tecnologia, todos os anos distingue quatro jovens cientistas com projetos nas áreas da saúde e do ambiente.

A ideia passa também por motivar a entrada de cada vez mais mulheres no mundo das ciências, com o objetivo de construir uma comunidade científica assente na igualdade de oportunidades.

Esta edição vai destacar trabalhos de investigação realizados no Instituto Superior Técnico, Instituto Português do Mar e da Atmosfera, Instituto de Medicina Molecular e no Centro de Física/Centro de Engenharia Biológica da Universidade do Minho.

A cerimónia acontece esta quarta-feira, 21 de março, pelas 10h30 no Pavilhão do Conhecimento.

Em criança nunca foi muito de brincar na rua. Preferia ficar em casa a ler um livro, ou a brincar com os brinquedos que faziam parte do seu mundo mais científico. “Sempre gostei muito de ler e escrever, tanto que ainda hoje mantenho esse hábito”, com o objetivo de criar um balanço realista entre o trabalho e a vida pessoal.

Carina não tem dúvidas de que o trabalho de uma cientista está sempre dependente da criatividade. E isso não se força. Surge naturalmente quando a mente está mais descontraída, e diz que é por isso que não se dedica exclusivamente ao trabalho, apesar de adorar os projetos em que está envolvida.

Fora da Ciência, gosta de escrever livros para criança e todos os anos participa em concursos de Literatura infantil embora ainda não tenha conseguido ser publicada. Na revista da Sociedade Portuguesa da Química, escreveu um artigo do ponto de vista químico acerca dos policiais de Agatha Christie.

Carina, que em 2016 recebeu o prémio de Melhores Cientistas Jovens Portugueses, revela que tenta sempre transmitir aos alunos que mais importante do que os prémios que ganhou foram aqueles perdeu. “Participar é o que nos torna competitivos, e é uma das componentes essenciais para qualquer bom estudante que queira seguir a área da investigação na Ciência.”

Para o concurso das Mulheres na Ciência, propôs estudar um tema pouco abordado — a ideia de que as bactérias resistentes a antibióticos podem, no futuro, causar tantas ou mais mortes que o cancro. Por ser pouco estudado, Carina procurou distinguir-se das restantes colegas. E conseguiu.

Dulce Oliveira

A cientista propôs estudar a variabilidade climática que, estando associada a ações humanas, pode ajudar a definir políticas ambientais eficientes e economicamente sustentáveis

L'Oréal Portugal

Dulce tem 35 anos, nasceu em Leiria mas vive em Lisboa. É casada e mãe de Gabriel, com 5 anos. Cresceu numa aldeia muito pequena, em Bajouca, onde fez a telescola até ao ensino secundário. Licenciou-se em Biologia Marinha e Biotecnologia no Instituto Politécnico de Leiria, e concluiu o doutoramento em Paleoclimatologia e Paleoambiente na Universidade de Bordéus, em França.

Nunca fui a marrona que ficava fechada em casa a estudar.

Por ter crescido numa aldeia muito pequena, o brincar na rua e as atividades ao ar livre e em grupo sempre fizeram parte do seu quotidiano. A investigadora diz que nunca teve brinquedos ligados à Ciência mas que no terceiro ano de escolaridade descobriu a paixão pelos livros — hóbi que ainda hoje mantém com a leitura de artigos científicos e obras de ficção.

Ainda assim, Dulce diz que não corresponde ao estereótipo do típico nerd. “Nunca fui a marrona que ficava fechada em casa a estudar enquanto os meus amigos estavam na rua a brincar”. Rebelde, divertida e descontraída, a investigadora contou à MAGG que muitos dos amigos ficavam admirados quando viam os bons resultados que tinha na escola, já que nunca a viam a estudar.

“Sempre fui muito empenhada mas essa rebeldia por vezes invadia as aulas”, e diz Dulce que os professores achavam-lhe graça precisamente porque os estava sempre a contrariar e a questionar. Não era por mal, garante, era o desejo de querer ir mais além, de conhecer novas ideias e novas teorias.

A família de Dulce nunca esteve ligada à Ciência. O pai é empresário na área da construção civil e a mãe está reformada, mas antes trabalhava numa típica olaria da aldeia.

A cientista diz que o apoio incondicional da família foi fundamental para chegar onde chegou, e que o prémio que recebeu e as boas notas que sempre teve nas aulas foram a melhor maneira que encontrou para os recompensar por todos os esforços que fizeram ao longo dos anos.

Arrisquei e fiz muito bem, porque resultou. Este prémio é prova disso.

“Desde os meus quatro anos que o meu pai é emigrante em França, por isso a única pressão que sentia era a de me esforçar para recompensar o sacrifício que ele fazia para termos uma vida melhor”, e diz que a Ciência nunca se faz sozinha. Seja com as pessoas com quem partilha o laboratório diariamente, ou com a família e amigos que “estão sempre lá quando é preciso um porto seguro.”

A investigadora, que antes trabalhou durante cinco anos na SONAE, era responsável pelo controlo de qualidade dos produtos de marca própria. Foi aos 27 anos que decidiu trocar o certo pelo incerto. Despediu-se da empresa, candidatou-se a uma bolsa de Ciência e começou a dar os primeiros passos na área. “Arrisquei e fiz muito bem, porque resultou. Este prémio é a prova disso, mas reconheço que o meu percurso na ciência não é nada típico devido aos cinco anos em que trabalhei na indústria de retalho.”

À pergunta “se não fosse cientista, o que seria?”, Dulce reconhece ter tido outros sonhos mas sempre ligados à Ciência. Como a Psicologia. Na verdade, quando se candidatou à universidade, fê-lo com apenas dois cursos em mente: Biologia Marinha e Psicologia.

Por sempre ter sido muito social e gostar genuinamente de ajudar o próximo, acredita que daria uma boa psicóloga, ainda que goste muito daquilo que faz atualmente.

O que caracteriza um bom estudante, segundo as investigadoras?

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— A curiosidade e vontade de querer ir mais além.

— A motivação suficiente para não fechar portas a novos conhecimentos.

— Responsabilidade e o gosto pelo estudo.

— Disciplina, perseverança e persistência.

— Vontade de questionar, desconstruir e desafiar os limites e convenções.

— A resiliência em contextos que convidem à desistência.

— A capacidade de ouvir os professores e aprender com eles.

Mas o percurso nem sempre foi fácil e houve muitas dificuldades pelo caminho. Quando terminou o mestrado estava grávida, e no início do doutoramento o filho Gabriel tinha apenas três meses. “Parte do meu doutoramento foi feito em França, por isso sempre achei improvável terminá-lo nos quatro anos estipulados pela FCT”. Mas Dulce conseguiu, com a força de uma ideia: a de que o filho um dia olhasse para trás e visse o percurso da mãe como um exemplo de força e determinação.

A investigadora não esconde a emoção ao recordar os primeiros meses em que teve de estar longe do filho. Numa altura em que o doutoramento ainda estava no início, e o marido nem sempre podia tomar conta da criança devido aos horários inflexíveis que tinha, muitas vezes era difícil conciliar disponibilidades e Gabriel tinha mesmo que voltar para Leiria com a mãe de Dulce.

“Sinto que sem eles nunca teria chegado aqui. É por isso que este prémio também é muito deles”, remata.

Para este prémio, propôs estudar as variações climáticas que, a acontecer por ação humana, podem dar as indicações necessárias de como será o clima no futuro. “É a velha máxima que o conhecimento do passado se traduz na chave para o futuro”, e diz Dulce que ainda hoje continua a acreditar nessa ideia.

Com o projeto, pretendeu que os dados adquiridos fossem essenciais para a definição de políticas ambientais e economicamente sustentáveis.

Inês Bento

Inês nunca tinha estudado o parasita da malária e a curiosidade despertou quando descobriu que o vírus tinha um ciclo de vida muito próprio. Tudo começou com uma pergunta: "porquê?"

L'Oréal Portugal

Inês tem 36 anos e vive no Barreiro. É mãe de dois filhos, Manuel e Francisco, e está numa relação com João há 18 anos. É quase um casamento, diz. Na família há também quatro cães e um gato.

A área de estudo preferida pela cientista sempre foi a genética e a divisão das células, mas o que lhe valeu a medalha de honra foi o parasita da malária que propôs estudar. Licenciou-se em Biologia na Universidade de Porto e o mestrado foi na área de Ciências Neurodegenerativas. Entre 2008 e 2012, concluiu o doutoramento e atualmente trabalha no Instituto de Medicina Molecular, em Lisboa.

A infância de Inês foi muito ligada ao campo e ao ar livre. Geralmente passava muito tempo em casa dos avós, na Lourinhã, onde também se juntavam primos e amigos de família. Inês considera-se uma pessoa muito social e ainda hoje dá importância ao facto de se conseguir relacionar tão bem com pessoas em qualquer meio.

Nunca fui baldas nem expulsa de uma aula.

Era a típica criança que preferia sair com os amigos para se divertir, mas não esconde a faceta rebelde. “Uma vez cheguei mesmo a ficar de castigo porque tentava sempre ficar fora até mais tarde, era muito rebelde”.

Mas em contexto de aula, a postura de Inês mudava completamente. Era responsável, assertiva, e fazia por ter excelentes avaliações às disciplinas. Tanto que colaborava e participava sempre que podia nas aulas para que os professores a reconhecessem como uma ótima aluna. “Adorava a escola e não me custava nada estudar, ou estar uma noite inteira a ler e a rever toda a matéria do dia”.

“Apesar da minha rebeldia, nunca fui baldas nem expulsa de uma aula”, até porque odiava a ideia de poder passar uma imagem negativa de si mesma. Foi na faculdade que teve o primeiro choque — uma negativa que funcionou como choque de realidade.

“Foi o primeiro momento que senti que também eu podia falhar e que, por isso, devia trabalhar mais para não estar sujeita a estes deslizes”, continua, e relembra que muitas das vezes eram os pais que tinham de a acalmar na véspera de um exame.

Tal como com as restantes investigadoras, Inês cresceu sem a influência direta de alguém da família ou do grupo de amigos para a área da ciência.

A mãe era educadora de infância e o pai sempre foi camionista. “Ele nunca soube aproveitar os estudos, apesar de todas as oportunidades que teve”, mas a ternura na voz denuncia a gratidão que sente por ele, já que sempre foi uma pessoa que a ajudou durante todo o percurso.

O gosto pela investigação chegou numa altura em que Inês estava indecisa sobre que caminho escolher. Entre a Matemática e a Medicina Veterinária, foi uma professora de Biologia que no 12.º ano lhe incutiu o gosto pela investigação científica e pela constante procura de novas experiências e novo conhecimento.

“Lembro-me de nas aulas lhe perguntar coisas que ainda não estavam nos nossos livros e ela dizia-me para ir para investigadora — assim saberia mais sobre vários temas.”

Hoje, ao olhar para trás, Inês conta que se não tivesse sido cientista poderia estar envolvida noutras áreas, como a organização de eventos ou moda infantil, até porque muitas vezes comenta com amigos que seria capaz de desenhar a estratégia das marcas de maneira diferente. Contudo, garante não estar arrependida da escolha e que esta medalha de honra é prova disso.

Para este novo desafio, Inês propôs estudar o parasita da malária, que nunca tinha estudado antes. Já com alguma informação que tinha encontrado em livros e online, a investigadora tentou perceber por que motivo o parasita tinha um ciclo de vida muito próprio.

“Foi a curiosidade que me levou a estudá-lo, não conseguia ficar sem saber mais e aceitei o desafio”, e diz a cientista que desde a infância a característica de questionar, querer saber mais, e descobrir novas fontes nunca desapareceu da sua maneira de ser.

Margarida Fernandes

Para este concurso, a investigadora propôs o desenvolvimento de técnicas avançadas de engenharia de tecido para o tratamento de lesões e doenças ósseas

L'Oréal Portugal

Margarida tem 34 anos, é casada e tem uma filha com três anos. Licenciou-se em Química Aplicada na Universidade do Minho, e doutorou-se em Engenharia Têxtil, uma sub-área da Ciência dos Materiais e Biotecnologia. Em 2011 concluiu o doutoramento e viajou para Espanha para fazer o pós-doutoramento.

Voltou a Portugal em 2017, onde concorreu às bolsas da Faculdade de Ciências e Tecnologia e é nesse âmbito que agora trabalha enquanto investigadora na universidade onde se licenciou.

Na primeira classe estava com muito medo de não saber nada, e foi a minha mãe quem me tranquilizou.

A cientista diz não ter memória de que a sua infância tenha sido virada para a Ciência. Os pais nunca a estimularam para isso, e na adolescência gostava de estar com os amigos durante horas a brincar. Recorda, contudo, que desde muito cedo demonstrou uma tendência para querer saber mais.

“Na primeira classe, estava com muito medo por não saber nada, e foi a minha mãe quem me tranquilizou dizendo que para isso é que eu ia para a escola”, conta a investigadora, que sempre quis saber tudo primeiro, por ser muito curiosa.

Nas aulas era muito certinha, boa aluna, e conta que nunca teve uma nota menos boa, embora não tenha dúvidas de que “naquele tempo não havia tanta competitividade como agora”.

Margarida não era a típica aluna de ciências que vivia inquieta com o conhecimento. Não questionava, e assimilava a informação que os professores lhe transmitiam — em parte porque sempre foi muito tímida e não tinha coragem de se expor em público, levando-a a retrair-se em frente aos colegas.

Tudo começou quando um professor convidou todos os alunos a fazerem um estágio no seu laboratório. Margarida aceitou, apesar de nunca ter pensado em seguir investigação. Com o tempo, foi-se apercebendo do modo de funcionamento das coisas, das reações a acontecerem e das técnicas usadas para as realizar. Foi paixão imediata, garante, e não esquece o fascínio que ganhou por aquele mundo novo que até então desconhecia.

Sou muito multidisciplinar e vejo-me a fazer várias coisas diferentes.

O projeto que lhe valeu a medalha de honra consistiu no desenvolvimento de uma nova geração de materiais ativos para o tratamento de lesões e doenças ósseas, que poderão contribuir para a capacidade natural da regeneração dos tecidos do paciente.

Para explicar o sucesso que tem tido até aqui, a investigadora refere a importância da família numa altura muito complicada da sua vida. “Foram a força que me faltava para conseguir levar este barco a bom porto”. Foram eles que, mesmo com Margarida fora de Portugal, sempre demonstraram estar junto dela nos piores momentos.

Mas a realidade de Margarida esteve para ser muito diferente do que é agora. É que quando estava no oitavo ano, tentou candidatar-se a uma escola de Música, já que sempre tocou órgão e piano.

“Mesmo quando estive em Barcelona, participei num coro e fazíamos concertos um pouco por toda a cidade”, continua, e não têm dúvidas que se tivesse conseguido entrar na escola, hoje seria compositora. “Sou muito multidisciplinar e vejo-me a fazer várias coisas diferentes, desde Música a Medicina Geral.”

Ser cientista é conviver diariamente com o fracasso, e defende que é preciso ser-se resiliente e curioso o suficiente para interpretar um mau resultar e ter um plano de contingência para o contornar. É essa capacidade que separa um bom e um mau cientista, garante.