Num mundo cada vez mais tecnológico, a chegada de novas consolas ao mercado tem como destaque gráficos realistas que oferecem uma experiência de jogo imersiva. Apesar disto, é a Nintendo quem parece estar a conquistar os jogadores. E fá-lo através da promoção de atividades tão básicas e primitivas como a construção, à mão, de peças de cartão, que podem dar origem a canas de pesca, pianos, ou robôs. A ideia é a de estimular a criatividade e a originalidade.

Aproveitamos o primeiro ano de aniversário da Nintendo Switch, que se tem revelado um sucesso de vendas um pouco por todo o mundo, e ouvimos o que os especialistas nos têm a dizer acerca do sucesso inesperado da consola, e como é que a Nintendo está a tornar os miúdos mais criativos.

O sucesso da consola híbrida

Ricardo Correia, editor da “Ruber Chicken”, uma plataforma especializada na discussão e análise de videojogos, diz à MAGG que o sucesso da consola se deve à legião de fãs que, garante, “são os mais fervorosos e fiéis de sempre”. Em parte, devido à longa história da marca que acompanhou gerações de jogadores e que ainda hoje continua a dar que falar. Mas não só.

A ideia de ter uma consola híbrida, simultaneamente portátil e doméstica, que responde a vários segmentos de mercado com uma só plataforma é totalmente inovadora”, continua, e diz que a Nintendo Switch veio revolucionar a indústria precisamente pela facilidade de uso em todas as situações e contextos.

De facto, uma das grandes vantagens da consola é a facilidade com que pode assumir várias formas. Para jogar na televisão basta que coloque o equipamento na plataforma oficial que, ligada via HDMI ao televisor, reproduzirá o conteúdo em alta definição. Se tiver de sair não quer dizer que não possa continuar a sessão de jogo pelo caminho.

Os comandos são também eles facilmente partilhados entre vários jogadores. Maria João Andrade, psicóloga e presidente da GrindingMind, uma associação de apoio e promoção da atividade saudável nos videojogos, diz que esta é uma característica que “pode auxiliar na prevenção de casos de isolamento, muitas vezes associados à perturbação de adição aos videojogos.”

Videojogos. “Nós, mulheres, somos o alvo mais fácil”

Ricardo não tem dúvidas de que a facilidade de uso aliada aos jogos mais familiares e coloridos do universo Nintendo está a aproximar gerações. O que garante que as sessões de jogo sejam, no fundo, momentos de partilha entre amigos e família. “Jogar o Super Mario Odyssey com o meu filho de 4 anos mostrou-me que os jogos da Nintendo não têm idade. São para todos, e a magia está aí.”

Dos comandos às peças de cartão

Mas se o primeiro ano da consola foi um sucesso de vendas em todo o mundo, muito devido ao formato híbrido e ao catálogo de jogos exclusivos, o segundo ano promete continuar a mesma tendência. Mas com um toque especial e assente na ideia base de continuar a trazer horas de diversão para adultos e crianças.

Foi a pensar nisso que, no início deste ano, a Nintendo anunciou o seu novo projeto. Chama-se Nintendo Labo e consiste na construção de vários kits de cartão que os miúdos podem personalizar ao seu gosto.

Entre várias das construções possíveis, destacam-se o piano, o robô e a cana de pesca que, depois de montadas e emparelhadas com os comandos da consola — via sensores de movimento —, permitem que os objetos sejam utilizados nos jogos específicos que acompanham os kits. A ideia? Tornar os miúdos mais originais e didáticos.

“A possibilidade de criar mecanismos criativos para jogar videojogos que estimulem a nossa imaginação é algo extremamente positivo”, realça a psicóloga, que diz que uma das vantagens da Nintendo Labo é não só a forma inovadora como atrai as crianças para este universo, mas também como desenvolve a capacidade motora dos miúdos através de certas construções que obrigam ao constante movimento para jogar.

Ricardo vai mais longe e diz que este tipo de manobras só é possível a uma empresa como a Nintendo. Numa altura em que toda a atenção do mercado está virada para a realidade virtual, ou para a fidelidade gráfica dos novos videjogos, a tecnológica japonesa surpreende e prefere anunciar um kit de trabalhos manuais que ponha as crianças a construir.

“Por todos estes motivos, não há dúvidas que a aposta da Nintendo é toda ela adaptada à vida familiar”, defende a psicológica, que garante que a Nintendo está cada vez mais preocupada em trazer uma experiência positiva e de grande potencial de desenvolvimento para os jovens.

Ainda assim, continua, é importante que a criança seja sempre acompanhada pelos pais ainda que estes mostrem um completo desinteresse pela área. “Fazer por jogar videojogos com os filhos e até mesmo compreender quais as motivações que os levam a jogar ajuda a promover uma boa relação entre o jovem e a família”, e garante que até pode levar os pais a descobrir um novo hóbi.

O Nintendo Labo será colocado à venda em Portugal a 27 de abril, mas já se encontra em regime de pré-venda por 60€ em algumas das grandes superfícies comerciais.