“Young Sherlock”. Falámos com o elenco da série que mostra o passado do detetive mais famoso do mundo

Protagonizado por Hero Fiennes Tiffin, “Young Sherlock” mostra ao espectador um aspirante a detetive com apenas 19 anos, que tem ao seu lado uma pessoa improvável. Perceba do que falamos.

É um dos detetives fictícios mais conhecidos em todo o mundo (senão mesmo o maior) e está de volta ao ecrã, mas num formato bem diferente daquilo a que os fãs estão habituados. “Young Sherlock”, que estreou na Prime Video na quarta-feira, 4 de março, é a série onde ficamos todos a conhecer quem era, afinal, Sherlock Holmes quando tinha 19 anos, acabadinho de chegar a Oxford (não como estudante, atenção) e sobre o olhar atento do irmão mais velho. Para quem é fã do detetive, é mesmo uma série a não perder.

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Até porque damos de caras com alguns aspetos da sua vida que não são assim tão conhecidos. É que, Sherlock Holmes, interpretado por Hero Fiennes Tiffin, não tem o famoso Watson ao seu lado, mas, espante-se, James Moriarty (interpretado por Dónal Finn), o seu futuro arqui-inimigo. Ou seja, estamos mesmo perante a fase pré-adulta do detetive, na qual Sherlock Holmes ainda não sabe bem quem é mas já sabe que tem olho para a coisa.

“Eu li os livros de Sherlock quando ainda era criança, e quando me envolvi nisto, eu precisei de voltar a ler. E ao fazê-lo, o meu ponto de partida sempre foi: como é que ele se tornou nesta pessoa? Porque a verdade é que o Sherlock é um tipo estranho, excêntrico, sozinho, não tem amigos. Então, como é que ele se tornou nisto? Essa foi a minha pergunta. Ele é uma peça, cheio de problemas, caótico, ele está preso no início”, começou por dizer Matthew Parkhill, criador da série, à MAGG.

Ao seu lado como diretor teve Guy Ritchie, que acreditamos não precisar de explicar quem é (mas, para os mais desatentos, é um dos cineastas mais reconhecidos). Os dois construíram assim uma narrativa sem igual, onde Sherlock Holmes é assombrado pela morte da irmã, Beatrice. É desarrumado, excêntrico como Matthew Parkhill disse mas, acima de tudo, inteligente, com uma perspicácia que é rapidamente notada. 

“Eu senti muita pressão e responsabilidade, porque sou mesmo fã de Sherlock e estou sempre pronto a criticar quem não o interpreta bem”, disse Hero Fiennes Tiffin à MAGG. “O objetivo aqui é fazer com que o Sherlock esteja a caminhar para aquilo que ele vai ser. Como qualquer história de origem, nós quisemos criar uma personagem similar àquilo que conhecemos, para acreditarmos que eles são a mesma pessoa, mas diferente o suficiente para facilitar uma jornada interessante, para vê-lo crescer”. 

Veja as fotos da série.

Nova série da Prime Video, "Young Sherlock"

E foi precisamente isso que conseguiram fazer. Na série, Sherlock Holmes, repetimos, tem apenas 19 anos, e acaba de sair da prisão para Oxford, a prestigiada escola de Londres. No entanto, não entra como aluno mas como uma espécie de empregado, onde faz camas e arruma bibliotecas – tudo isto por causa do seu irmão, Mycroft Holmes (Max Irons). Aliás, ao contrário das outras produções sobre Sherlock Holmes, “Young Sherlock” aposta bastante na sua relação com a família.

Há três coisas que, para mim, são essenciais para ele se tornar no homem em que se tornou. A primeira foi a perda da irmã, e a segunda foi a ideia de existir uma família claramente disfuncional. Há um momento no episódio quatro em que há um olhar entre Sherlock e Moriarty, e é um dos meus momentos favoritos. Conseguimos ver nos olhos dele o que ele carrega, o peso de tudo o que se passa na sua família, e isso era importantíssimo para mim”, revelou Matthew Parkhill.

E a terceira, qual é? “A terceira foi a amizade entre Sherlock e Moriarty. Eu sempre me interessei no porquê de o Moriarty aparecer numa história, e no porquê de eles se terem tornado inimigos. Sempre me fascinei com isso, e tentar também aqui perceber como é que ótimos amigos se tornam em inimigos”, explicou. Posto isto, é precisamente em Oxford que os dois se conhecem, e embarcam numa aventura de enigmas e mistérios que resolvem juntos, como amigos quase inseparáveis. 

Mas isto pode causar alguma comichão aos fãs de Sherlock Holmes, pois sabe-se muito bem pelos livros que eles não são, de todo, amigos. No entanto, é possível perceber que as suas personalidades incompatíveis se estão a começar a formar. “O que vai surpreender as pessoas é, claro, o facto de eles serem amigos, mas eu acho que, dentro dessa dinâmica, a verdade é que ambas as personalidades são bastantes verdadeiras e iguais às de Moriarty e Sherlock que conhecemos mais tarde“, disse Dónal Finn à MAGG. 

“Ou seja, não os vemos a fazer nada que saia do caráter deles, é só uma surpresa o facto de eles ainda se estarem a descobrir e serem amigos”, completou. Já Hero Fiennes Tiffin explicou que logo na primeira leitura ficou espantado por eles serem amigos, mas rapidamente percebeu que esta amizade servia um maior propósito. Não vai demorar muito tempo até perceberem que a verdadeira história de Sherlock e Moriarty serve um grande propósito, e funciona muito bem. Anima os espectadores“, disse. 

Desta forma, uma coisa é certa e podemos mesmo confirmar, até porque já vimos a série: James Moriarty vai aparecer em todos os episódios, com o seu sorriso irónico e a sua sede pelo poder. Mas a sua personalidade revela-se nos silêncios, nos pequenos arqueares de sobrancelhas e nas palavras que ficaram por dizer. “Esses silêncios só funcionam se eles forem colocados dentro de um ótimo diálogo, e acho que o que está escrito permite isso”, explicou Dónal Finn.

“Especialmente nas cenas entre Moriarty e Sherlock. O diálogo é tão inteligente e realmente mostra o quão brilhantes são os seus raciocínios, e os silêncios dão tempo para pensar e digerir tudo isso”. Mas será esta genialidade de Sherlock Holmes uma força? “É o resultado de ele desaparecer em si mesmo. Com tudo o que lhe aconteceu quando ainda era criança o Sherlock envolveu-se muito dentro de ele próprio, e isso fez com que ele desenvolvesse estes ‘poderes’ deformados, incompletos”.

Posto isto, certamente não precisa de mais incentivos para ver “Young Sherlock”, que promete tanta ação quanto momentos hilariantes, emocionantes e intrigantes. O elenco completa-se com Zine Tseng, Joseph Fiennes, Natascha McElhone e Colin Firth, e pode mesmo reservar um dia inteiro (ou mais) para ver a série, pois não vai conseguir sair do sofá sem ver todos os oito episódios até ao fim. E claro, espere todos os plot twists que pensa que vão existir – porque vão mesmo.

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