Mas mais do que relatar um crime isolado, “A Vizinha Perfeita” expõe as tensões raciais e sociais que persistem na sociedade norte-americana, falando ainda sobre a questão da posse de arma nos EUA.
Em terceiro lugar do top dos filmes mais vistos da Netflix desde que foi lançado a 17 de outubro, “A Vizinha Perfeita” está a chocar todos os subscritores da plataforma de streaming devido à sua narrativa inquietante e sem filtros. Apresentando um retrato cru e profundamente humano sobre um crime que abalou os EUA, esta nova produção revisita o caso de Ajike “AJ” Owens, uma mulher negra assassinada pela sua vizinha, Susan Lorincz, na Flórida, em 2023, cujo motivo terá sido por questões raciais.
Aqui, a narrativa é construída quase inteiramente a partir de imagens reais, como gravações de câmeras de polícias, vídeos de segurança e chamadas de emergência, o que confere ao filme uma intensidade emocional que não se vê em muitas produções. O objetivo é dar a conhecer a história de quando Susan Lorincz matou a tiro a sua vizinha, Ajike, uma mãe de quatro filhos de 35 anos, e a relação que as duas tinham. No entanto, esta relação rapidamente se transformou num espelho de desigualdades.
Desta forma, ao longo da produção, são exibidos dois anos de gravações da polícia a lidar com Susan Lorincz, que se queixava frequentemente do barulho que as crianças faziam na rua e que garantia que os jovem gritavam com ela e invadiam o seu quintal – além disso, acrescentou que a ameaçavam de morte. Contudo, as autoridades suspeitavam, uma vez que a mulher era a única no bairro que se queixava, e com a exibição de entrevistas feitas a vários vizinhos descobre-se que as crianças até se davam bem com o resto da vizinhança.
O homicídio veio depois, quando Susan Lorincz agrediu um dos filhos de Ajike “AJ” Owens com uns patins, e esta lhe foi pedir explicações. Assim que bateu à porta, a mulher de 58 anos deu-lhe um tiro, que a matou na hora. Susan Lorincz já era conhecida no bairro pelo seu comportamento mais hostil, e tinha inclusive um histórico de ameaças e comportamentos racistas, pelo que a polícia já tinha sido avisada do confronto ainda antes de este acontecer. A mulher acabou por ser condenada a 25 anos de prisão.
Mas mais do que relatar um crime isolado, “A Vizinha Perfeita” expõe as tensões raciais e sociais que persistem na sociedade norte-americana, falando ainda sobre a questão da posse de arma nos EUA. Isto porque outro ponto de destaque é a reflexão sobre a “Stand Your Ground Law”, uma legislação da Flórida que permite o uso letal da força em situações de alegada autodefesa, o que Susan Lorincz alegou que tinha acontecido.















