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ModaLisboa. Eis os segredos dos cabelos do desfile de Francisca Nabinho (que nos levaram aos anos 50 e 60)

Referências vintage, volumes esculturais e um olhar contemporâneo sobre a feminilidade. É assim que, à MAGG, Rute Ricardo, Education Manager da Jean Louis David, descreve os penteados que figuraram no desfile.

Num desfile, o cabelo raramente é um mero apontamento estético, porque tem o poder de sublinhar silhuetas, reforçar um conceito ou até ajudar a contar a história da coleção.

Foi exatamente esse o papel que assumiu na apresentação de Francisca Nabinho, que aconteceu esta sexta-feira, 13 de março, na 66.ª edição da ModaLisboa. Os looks capilares foram concebidos pela equipa da Jean Louis David, sob a direção da Education Manager da marca, Rute Ricardo, e foram pensados como uma extensão da narrativa da coleção, intitulada Lucky.

A coleção centra-se num momento muito específico: aquele em que a identidade começa a ganhar forma. No mundo da designer, vestir surge como um gesto de descoberta, feito de tentativas, instinto e liberdade criativa. Ao longo do desfile, essa ideia transforma-se numa narrativa progressiva, sendo que as silhuetas tornam-se mais seguras, o discurso visual mais coeso e a assinatura da marca mais evidente. Trata-se também de um ponto de maturidade para a própria etiqueta, que apresenta peças totalmente originais, incluindo calçado e joias.

francisca nabinho
Francisca Nabinhocréditos: © ModaLisboa | Photo: Alexandre Azevedo

Nesse percurso, o cabelo surge como um elemento narrativo essencial, porque também ele “diz muito sobre a nossa identidade e podemos utilizá-lo precisamente como um símbolo de quem somos“, explica Rute Ricardo à MAGG. A partir dessa premissa, a equipa, num trabalho de “equilíbrio” com a designer, construiu uma proposta que dialoga diretamente com o conceito da coleção, com penteados “muito inspirados nos anos 50 e 60”, que provam “como é que o cabelo é capaz de mudar ou acrescentar algo à nossa identidade”.

A inspiração retro assume-se, assim, como ponto de partida estético, marcado por volumes trabalhados, feminilidade assumida e um certo dramatismo elegante. Entre essas referências destaca-se também um ícone da história da moda: o beehive, silhueta capilar escultural que marcou diferentes épocas e que voltou a ganhar protagonismo no desfile de Alexander McQueen em 2005, conforme explica a especialista.

Contudo, a própria coleção oferecia vários pontos de partida visuais para o cabelo. Mas, se houvesse um que Rute Ricardo tivesse de frisar, seria “sem dúvida os padrões que a Francisca utiliza”, sublinha, deixando explícito que a riqueza gráfica das peças ajudou a definir a direção estética dos penteados, criando um diálogo visual entre texturas, volumes e movimento.

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E tal como acontece com a roupa apresentada em Lucky, também o cabelo evolui ao longo da apresentação. “Começa com looks mais joviais e vai avançando até ao look mais disruptivo, mas extremamente feminino“, frisa a Education Manager da Jean Louis David. Essa progressão espelha o conceito central da coleção: uma identidade que começa em fase de descoberta e se afirma gradualmente com mais segurança.

Outro elemento determinante foi a colaboração de Francisca Nabinho com a Joalharia do Carmo, responsável pelas peças em Filigrana Certificada usadas no desfile. E isso fez com que tivesse de existir, também, uma nova abordagem específica para o cabelo. “Optámos por penteados mais elaborados e altos, que são o ideal para apresentação de joalharia“, explica Rute Ricardo. Ao elevar o cabelo, criam-se linhas limpas que permitem que as peças ganhem protagonismo sem competir com o restante styling.

Contudo, apesar da forte componente estética e conceptual, a proposta não ignora o universo das tendências. Há um detalhe que aponta diretamente para o futuro próximo da beleza: as franjas laterais. “As franjas laterais são uma tendência para 2026, mas todos os restantes cabelos são intemporais”, revela a especialista, acrescentando que este género de corte, que emoldura o rosto e dá sempre “um look muito feminino e jovem”,  tem potencial para migrar para o nosso dia a dia.

Uma coisa é certa: em qualquer colaboração, “o pretendido sempre é que haja uma sintonia entre ambas as partes, roupa e cabelo”. Nesta união de forças entre a Jean Louis David e Francisca Nabinho, isso fica evidente, provando que os penteados apresentados na passerelle funcionam como uma extensão da própria coleção e são uma forma de mostrar que a identidade, na moda como na beleza, constrói-se sempre através de gestos criativos sucessivos.

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