Música e moda podem andar de mãos dadas e a nova coleção da DuarteHajime é prova disso mesmo. Perceba do que falamos.
A próxima estação de DuarteHajime, de Ana Duarte, começa longe do silêncio habitual de um atelier. Apelidada Backbone Tour, a coleção para o outono/inverno 2026/27, apresentada este domingo, 15 de março, na ModaLisboa Pebbling, mergulha no universo turbulento de uma banda de rock em digressão, depois de a insígnia explorar referências como a mitologia ou o desporto em coleções anteriores.
É caso para dizer que Ana Duarte decidiu mudar de direção. “Quando nós estávamos a pensar qual seria o tema da próxima coleção, pensei: vamos afastar-nos. Uma das coisas que mais me inspira é cinema e música. Pensei que seria fixe fazermos um tour de uma banda de rock”, conta à MAGG, dizendo que, por gostar “de ouvir músicas de rock” e de estas passarem muitas vezes no atelier, achou que “tinha que ver com a marca”.
O nome Backbone apareceu pouco depois, como uma espécie de manifesto, “para mostrar a resiliência e a estrutura que é preciso ter hoje em dia”, explica a designer. Há também uma leitura quase autobiográfica, uma vez que a coleção surge numa fase em que a marca já soma várias temporadas. Por isso, algumas peças, como as T-shirts, incluem datas e nomes de cidades, numa espécie de mapa emocional dos desfiles que marcaram o percurso trilhado até aqui.

Quanto ao imaginário de digressão, este atravessa toda a coleção, desde os estampados até aos acessórios, que, segundo a designer, ajudam a construir esse universo performativo associado ao rock. Mas também há uma dualidade entre intimidade e espetáculo, que se materializa através das cores e materiais.
De um lado surgem tons mais suaves e peças aconchegantes, como verdes claros, malhas e T-shirts mais cozy. Do outro, aparecem a ganga, a pele vegan e tecidos refletores, pensados para traduzir a energia mais intensa do palco. Também as silhuetas oversized assumem um papel central nessa narrativa, porque, a par de ser já a linguagem com que a designer está familiarizada, funcionam quase como um mecanismo de proteção.
“A moda acaba por ser uma forma de proteção, acima de tudo. Quando vamos para o mundo exterior, a moda é um shield [escudo], pode ser a imagem que queremos passar”, afirma. Nesse sentido, as peças largas e envolventes surgem como um “casulo” que protege quem vive sob exposição constante.
Apesar da atitude irreverente, o conforto continua a ser um dos pilares da marca. Duarte garante que esse equilíbrio acontece de forma natural. “Eu tenho sempre um bocadinho sexy e o rock’n’roll acaba por ser sexy também”, explica, lembrando influências pessoais que vão de Britney Spears à infância passada entre desporto e roupas largas. “Sempre fiz judo e era muito maria-rapaz quando era mais nova (…) e sempre fiz roupas oversize para poder jogar futebol”, lembra.






























