Com sensibilidade literária e uma linguagem poética, “As Meninas do Laranjal” promete retratar temas como as questões de género, identidade e colonização. Conheça a história.
Já chegou a Portugal um dos melhores livros do ano de 2025 – e vencedor de um grande prémio. “As Meninas do Laranjal”, da escritora e ativista feminista Gabriela Cabezón Cámara, foi lançado pela editora Elsinore, chancela da Penguin Random House, esta segunda-feira, 16 de fevereiro. Sendo este um dos mais badalados romances da atual literatura sul-americana e vencedor do National Book Award para Literatura Traduzida, este é um dos livros a não perder em 2026.
Aqui, toda a narrativa tem como inspiração a irreverente história de vida de Catalina de Erauso, conhecida como “a freira alferes” e uma das mulheres que ficou para a História espanhola. Isto porque, nascida em 1592, a mulher conseguiu fugir de um convento em Espanha vestindo-se de homem, lutando assim na guerra da Conquista das Américas e tornando-se num soldado. De nome Antonio de Erauso, o livro aborda a sua vida como se fosse uma carta escrita, onde a personagem principal escreve a uma tia que ainda se encontra no convento.
Ou seja, o leitor vai ficar submerso na história de vida da mulher que se tornou homem, que na obra vai relatando a vida aventurosa e errante que o levou a tomar a decisão de ser grumete, vendedor, soldado na Conquista das Américas e fugitivo. No entanto, a ficção começa quando, após desembarcar no território conquistado, Antonio vê-se no meio de uma confusão que culmina na sua condenação à forca, e é quando consegue escapar ao seu destino, tornando-se secretário do capitão da guarda colonial espanhola, que acredita ter sido escolhido pela Virgem do Laranjal para ser salvo.
Para agradecer, toma uma decisão de resgatar as duas crianças indígenas que estão enjauladas no gabinete oficial, Michi e Mitãkuña, e libertá-las assim em segurança na floresta. Desta forma, ao mesmo tempo que vai escrevendo a carta para a tia, as duas meninas vão precisando de si, exigindo atenção, cuidados e respostas a perguntas difíceis, e a narrativa acaba por mostrar os dois lados da moeda da vida de Antonio de Erauso, antes conhecido como Catalina de Erauso.
Assim, com sensibilidade literária e uma linguagem poética, “As Meninas do Laranjal” de Gabriela Cabezón Cámara promete retratar temas como as questões de género, identidade, colonização e até questões ambientais, discutindo a relação do homem com a natureza e tornando a selva num lugar mágico e de transformação. Sendo esta uma sátira barroca e meio burlesca (não deixando de lado a parte cómica), o novo livro chega para revolucionar a história da América Latina, e já está disponível por um custo de 16,61€.
