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Quando o mistério está no motivo. “Se os Gatos Falassem” marca o regresso de um mestre do suspense a Portugal

Piergiorgio Pulixi, escritor italiano, está de regresso a Portugal pelas mãos da Clube do Autor com um novo livro, e à MAGG contou tudo sobre esta obra misteriosa, irónica e inquietante. Saiba tudo.

Já recebeu o Giorgio Scerbanenco, o mais prestigiado prémio em Itália para a ficção policial, está a ser apontado como um dos novos mestres contemporâneos do suspense e está, finalmente, de regresso a Portugal.

Piergiorgio Pulixi, conhecido autor italiano, volta agora às livrarias portuguesas com “Se os Gatos Falassem”, depois de ter feito sucesso com “A Livraria dos Gatos Pretos”, e promete um thriller arrebatador onde nada é o que parece. Entre personagens marcantes e vinganças inesperadas, o foco é no “porquê” e não no “quem”, tornando a obra inquietante.

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“Queria fazer um segundo livro um pouco diferente do primeiro. Ou seja, no primeiro há um crime divertido, segues o assassinato, o ritmo, o suspense. No segundo, eu queria uma atmosfera mais tranquila, um livro misterioso, mais tradicional. O foco principal é no motivo, é no psicológico das personagens. Queres entender os seus segredos, o que estão a esconder”, explicou Piergiorgio Pulixi em conversa com a MAGG. Aqui, a história segue então Marzio Montecristo, dono da livraria que se conhece na primeira obra, e a sua aventura por mais um homicídio. 

Mas enquanto que a história em “A Livraria dos Gatos Pretos” se desenvolve quase toda dentro da sua loja, existindo até um grupo de leitores entusiastas que se apelidaram de “Investigadores de Terça-feira” e que resolveram o primeiro crime desta saga, agora o assassinato ocorre num barco, quase ao estilo de “Morte no Nilo”, de Agatha Christie. A premissa segue o homicídio do conceituado escritor Aristide Galeazzo, que decide escrever os capítulos finais da sua nova obra a bordo de um navio de cruzeiro.

“A verdade é que queria tirar a ação da loja, não queria, lá está, recriar a estrutura do primeiro livro. Então foi interessante colocar as personagens, pelo menos o Marzio e o inspetor Flavio, fora da loja de livros, num barco, e tentar perceber como é que eles iam sobreviver. Queria colocá-los fora da zona de conforto. No primeiro livro o grupo tem-se a si mesmo, mas no segundo eles não estão lá”, explicou. Desta forma, o livreiro embarca assim nesta viagem (obrigado, diga-se de passagem) com o inspetor Caruso – e, claro, com os seus gatos Miss Marple e Poirot.

Já no primeiro livro, como se percebe pelo título, estes dois animais tinham bastante impacto na narrativa, e na segunda obra isso não é diferente. Miss Marple e Poirot são, na verdade, dois dos maiores protagonistas desta saga, uma vez que tudo gira à volta deles – até o homicídio em “Se os Gatos Falassem”, porque os animais testemunharam o assassinato e, se pudessem falar, teriam desvendado o mistério em 30 segundo. Como isso não é possível, o leitor tem de ficar por mais 300 páginas para descobrir.

E porquê gatos? Para Piergiorgio Pulixi, este é um dos animais que melhor serve ao noir, porque parecem detetives solitários que atacam de noite. “Os gatos, em geral, são o animal de mistério perfeito. Eles são crepúsculos, dormem durante o dia e são muito ativos durante a noite, vão sozinhos e passam a noite como um detetive solitário. Ou seja,  são perfeitos para histórias de noir, thriller e mistério. E os gatos também têm algo mágico, algo metafísico, porque sentem a realidade de uma forma mais profunda”, explicou.

Ora, a narrativa segue então à volta deste navio de cruzeiro que vai dar a conhecer os preparos da obra de Aristide Galeazzo, e Marzio Montecristo aceita ser uma das livrarias a bordo devido aos seus problemas financeiros. No entanto, a viagem muda de rumo quando se dá o assassinato do escritor, e ninguém está autorizado a sair do navio. Com o inspetor Caruso a tomar conta da investigação, as suspeitas crescem ao longo do tempo, e cabe ao livreiro usar anos de leitura de policiais para confrontar um assassino convencido de que cometeu o crime perfeito.

No entanto, não só de suspense e muito mistério se faz “Se os Gatos Falassem”. O objetivo de Piergiorgio Pulixi também era criar uma dualidade de sentimentos, especialmente no que toca ao protagonista. “Eu queria mostrar o Marzio. Queria que ele tivesse esta dualidade complexa, onde na loja é uma coisa e fora dela é outra completamente diferente. É compreensível, empático, generoso“, explicou o escritor, enfatizando a sua relação complexa com Nunzia, uma outra personagem que marca os maiores plot twists das duas histórias. 

Até porque “uma investigação não é apenas uma investigação sobre um assassinato, é também uma investigação dentro do próprio detetive”, disse Piergiorgio Pulixi sobre o próprio Marzio, que não sendo de nome, é também um dos detetives da história. Eu tento usar o crime como uma fonte para descobrir mais sobre a vulnerabilidade, sobre temas sociais. Por isso sim, eu acho que a ficção de crime é muito útil para analisar esse tipo de temas. Talvez mais do que outros tipos de literatura”, acrescentou.

E, claro, também não faltam momentos irónicos e cheios de humor em “Se os Gatos Falassem”, uma vez que é uma das formas que o escritor italiano usa para deixar que o leitor respire um pouco entre tanto mistério.É uma lição de Shakespeare. Se olharmos para a tragédia mais violenta de Shakespeare, encontramos sempre humor. Temos um pouco de drama, de tensão, e depois temos ironia e toda a gente ri. Uso muito para criar uma certa leveza”.

Posto isto, se ainda precisa de ser convencido a ler o novo livro de Piergiorgio Pulixi, o autor deixa um pedido: leiam nem que seja para descobrir a sua “linda ilha”, Sardenha, ou então para se refugiar “fora da realidade” num mundo onde o mistério, o amor e a vingança se cruzam. “Se os Gatos Falassem”, publicado em Portugal pela editora Clube do Autor, já está disponível em todas as livrarias com um custo de 14,40€. 

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