Do casamento verdadeiro ao amor e aos famosos. 7 curiosidades sobre o concerto de Bad Bunny no Super Bowl

O artista porto-riquenho prometeu e cumpriu. O seu concerto no intervalo do Super Bowl no domingo, 8 de fevereiro, meteu todos os que estavam no estádio e fora dele a dançar, e veio cheio de curiosidades. Saiba tudo.

A noite de domingo, 8 de fevereiro, ficou marcada para dois tipos de pessoas: aqueles que viram o Super Bowl puramente pelo jogo de futebol americano, e aqueles que se sentaram a altas horas da noite em frente à televisão ou que acordaram de madrugada de propósito puramente para ver o concerto eletrizante, energético e inclusivo de Bad Bunny. Com uma mensagem positiva sobre o ódio, a união de todos os países dos continentes americanos e até um casamento real em cima do relvado, o Half Time Show ficou marcado pela diferença.

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Mas falemos do jogo. Em causa estava a 60.ª edição da Super Bowl, o jogo anual da principal liga de futebol americano dos EUA, a National Football League – conhecida como NFL. É nesta partida que se decide o campeão da temporada regular, e entre os New England Patriots e os Seattle Seahawks, foi a equipa de Seattle que levou a melhor. A tabela com o marcador finalizou aos 13-29, dando assim a possibilidade aos Seahawks de se vingarem, uma vez que na edição de 2015, num frente a frente entre as mesmas duas equipas, os Patriots saíram vencedores.

No entanto, este Super Bowl ficou marcado por uma controvérsia: a escolha de Bad Bunny para conduzir o espetáculo do intervalo. Este jogo anual é conhecido por levar um artista a fazer um espetáculo durante o intervalo da partida, e quando o nome foi anunciado, as opiniões dividiram-se nos EUA – e tudo por causa da política de Donald Trump e das questões da imigração. O presidente dos EUA inclusive já veio dar a sua opinião sobre a atuação de Bad Bunny, dizendo na sua rede social “Truth Details”, citado pelo “Correio da Manhã“, que tinha sido “absolutamente horrível”.

“O espetáculo do intervalo do Super Bowl é absolutamente terrível, um dos piores de sempre! Não faz sentido, é uma afronta à grandeza da América e não representa os nossos padrões de sucesso, criatividade ou excelência. Ninguém entende uma palavra do que ele está a dizer e a dança é repugnante, especialmente para as crianças pequenas que estão a assistir em todos os Estados Unidos e em todo o mundo. Este ‘espetáculo’ é apenas um ‘chapada na cara’ do nosso país”, escreveu Donald Trump.

Pois bem, Bad Bunny acabou por usar todo esse ódio recebido e deu, possivelmente, um dos concertos de Half Time Show mais vistos de sempre, com números preliminares da NBC a ultrapassarem o recorde de Kendrick Lamar, que atuou em 2025 e contou com mais de 133 milhões de visualizações. Num concerto de 13 minutos cantado exclusivamente em espanhol (pelo artista), Bad Bunny aproveitou para falar em inglês apenas no final, quando se fez ouvir “God Bless America” (‘Deus abençoe a America’), e enumerou todos os países que fazem parte da América do Sul e da América do Norte.

Desta forma, o cantor fez história pela segunda vez em apenas uma semana, uma vez que no passado domingo, a 1 de fevereiro, Bad Bunny conquistou o Grammy de Melhor Álbum com “Debí Tirar Más Fotos”, fazendo deste o primeiro álbum totalmente em espanhol a ganhar a estatueta. O artista passará por Portugal a 26 e 27 de maio deste ano e, assim, pode também esperar muita diversão nestes concertos no Estádio da Luz, em Lisboa –  pelo menos quem conseguiu bilhete (que custavam entre os 70€ e os 575€), pois já estão esgotados. Agora espreite as curiosidades.

Foi uma carta de amor a Porto Rico

Half Time Show Super Bowl Bad Bunny
créditos: Eric Rojas/Getty Images for Roc Nation via Live Nation

Uma entrega de uma carta de amor ao seu país, foi o que Bad Bunny fez com o espetáculo. Transformando o campo num cenário idêntico aos de cana-de-açúcar de Porto Rico, o artista contou com vários dançarinos (quase 400 no total, segundo a Roc Nation) vestidos como trabalhadores, que usavam o típico chapéu de palha. À medida que avançava no terreno, novas caras apareciam, e entre lutadores de boxe (os profissionais Xander Zayas e Emiliano Vargas), homens a jogar dominó e mulheres a fazer as unhas, a representação foi feita de várias maneiras. 

Pelo meio, Bad Bunny ainda teve tempo de incentivar todos os que o ouviam com palavras de apreço, pedindo a todos para acreditarem em si mesmos e naquilo de que eram capazes – afinal, só assim é que ele chegou onde chegou. Mais tarde, o artista ainda fez várias homenagens à salsa e conseguiu levar para o palco a famosa Toñita, avançou a NBC, que gere o o último clube social porto-riquenho em Brooklyn. Além disso, ainda houve tempo para subir a um poste elétrico avariado, símbolo dos frequentes apagões em Porto Rico após o furacão de 2017.

Lady Gaga e Ricky Martin como convidados

lady gaga e ricky martin no half time show
créditos: Edwin Rodriguez/Getty Images for Roc Nation via Live Nation

E como tem sido habitual nestes Halt Time Shows, o artista que sobe ao palco normalmente leva alguns convidados, e Bad Bunny não foi exceção. Mais ou menos a meio da performance, Lady Gaga aparece no meio de uma banda e de vários dançarinos, interpretando uma versão salsa da sua canção “Die With a Sime” com Bruno Mars. Vestida de azul e com algumas mudanças na música para ficar mais “latina”, a artista ainda teve tempo de dançar com Bad Bunny.

Mais tarde, foi a vez de Ricky Martin atuar, e apesar de não ter cantado uma música de sua autoria, aproveitou para continuar a dar destaque às canções de Bad Bunny e fez a sua própria interpretação do emotivo êxito “Lo Que Le Pasó a Hawaii” do cantor porto-riquenho. A atuação não durou muito tempo, sendo mais curta do que a de Lady Gaga, mas a representação continuava lá: agora, o que se via em palco eram as famosas cadeiras de plástico que fazem parte da capa do álbum “Debí Tirar Más Fotos”.

A infância espelhada no menino que recebeu o Grammy?

Depois de interpretar “NUEVAYoL”, Bad Bunny aproveitou para trazer mais uma recordação para palco. Com as câmaras a focarem num rapaz sentado num sofá com a família, passava numa pequena televisão o momento em que o artista discursava depois de receber o Grammy de Melhor Álbum, e foi precisamente aí que Bad Bunny apareceu para entregar essa mesma estatueta ao menino. Momentos depois, muitos especularam que o rapaz seria Liam Ramos, o menino de 5 anos detido pelo ICE, o serviço de imigração dos EUA, a 20 de janeiro.

No entanto, já se sabe que a criança não era Liam, e sim um jovem ator, que inclusive já agradeceu nas redes sociais a Bad Bunny por ter feito parte deste grande espetáculo. Posto isto, as especulações nas redes sociais começaram a ser outras, e alguns internautas acreditam agora que o menino seria uma personificação do artista porto-riquenho quando este era criança, vendo na televisão alguém a receber um prémio e a sonhar conseguir um também.

Houve mesmo um casamento no relvado

Bad Bunny
créditos: Edwin Rodriguez/Getty Images for Roc Nation via Live Nation

E sim, se esteve a ver em direto ou se viu depois o espetáculo de Bad Bunny, sabe que ali no início da performance é entregue ao artista um anel de noivado – precisamente enquanto canta “Tití Me Preguntó”, que é sobre as perguntas que as tias fazem sobre as namoradas. Descartando a joia e passando-a a um homem que depois pede em casamento uma mulher, este foi só o início de uma atuação muito maior: afinal, estava previsto, minutos mais tarde, existir mesmo um casamento durante a atuação.

Um casamento de verdade, diga-se de passagem. O que aconteceu foi que, segundo avançou a NBC, o casal tinha convidado Bad Bunny para o seu casamento, e em resposta, o artista porto-riquenho decidiu propor um desafio: que fosse o casal a ir ter com ele ao intervalo do Super Bowl, e que se casassem em cima do palco. Dito e feito, os dois fizeram deste momento inesquecível, e ainda tiveram Bad Bunny não só a servir como testemunha como também a assinar o certificado de casamento. 

A celebração aconteceu passado cinco minutos do início do espetáculo, com um celebrante a declarar o casal oficialmente casado. Ambos vestidos de branco, os dois deram um beijo apaixonado, e mais tarde voltaram a aparecer no palco com Lady Gaga. Enquanto a artista cantava e a banda tocava, o casal cortava assim o bolo de casamento, e os dançarinos rodopiavam à sua volta. Havia mesmo a vontade de representar, por parte de quem fazia efetivamente parte do espetáculo, uma cerimónia real, com crianças a correr e a dormir pelos cantos.

As bandeiras da América como mensagem política

half time show
SANTA CLARA, CALIFORNIA – FEBRUARY 08: Bad Bunny performs onstage during the Apple Music Super Bowl LX Halftime Show at Levi’s Stadium on February 08, 2026 in Santa Clara, California. (Photo by Kevin Mazur/Getty Images for Roc Nation)créditos: Kevin Mazur/Getty Images for Roc Nation via Live Nation

Na verdade, todo o espetáculo feito por Bad Bunny foi uma mensagem política, mas o final teve mais força. Isto porque à medida que a atuação se aproximava do fim, vários dançarinos apareceram a segurar bandeiras de países de toda a América, movimentando-se ao som de “Café Com Ron”. Poucos segundo depois, Bad Bunny surgiu a segurar uma bola de futebol americano, e fez então a sua declaração de “God Bless America”. Na bola, estava escrito “Together, We Are America” (‘Juntos, somos a América’).

E nos ecrãs lia-se “The only thing more powerful than hate is love” (‘A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor’), uma chamada de atenção a todos aqueles que têm, de uma maneira ou de outra, olhado de lado e insultado os imigrantes que chegaram aos EUA. Nos tempos que correm, Donald Trump não tem sido acessível no que toca a cidadãos que não sejam norte-americanos, e já foram várias as celebridades que se opuseram ao presidente. Bad Bunny foi um deles, que inclusive disse, na cerimónia dos Grammys, “ICE out” (‘ICE fora’).

Várias celebridades estiveram presentes em palco

Além de Lady Gaga e Ricky Martin, várias outras celebridades estiveram em cima do palco do Half Time Show – mas não, não foi para cantar. Uma outra representação de Porto Rico que Bad Bunny levou para a California foi a icónica “casita” da sua histórica residência no país de origem, que serviu como homenagem ao reggaeton old school, cantando êxitos como “Yo Perreo Sola”, “Safaera”, “Party”, “Voy A Llevarte Pa’ PR” e “EoO”. Foi então aqui que se encontraram muitas caras conhecidas.

O ator Pedro Pascal e a rapper Cardi B foram dois dos nomes que se destacaram, tal era a sua diversão em palco. Karol G, cantora colombiana, também esteve presente, assim como a atriz Jessica Alba e a influenciadora Alix Earle. Sabe-se ainda que os profissionais de boxe Xander Zayas e Emiliano Vargas, que foram os boxers que fingiram lutar no início do espetáculo, também se juntaram à “casita”, assim como o jogador de basebol Ronald Acuña Jr e o rapper porto-riquenho Young Miko.

O número 64 no look escolhido

Bad Bunny
créditos: Edwin Rodriguez/Getty Images for Roc Nation via Live Nation

Atrás “Ocasio”, à frente “64”. Foi assim que Bad Bunny personalizou uma camisola branca da Zara, e o nome atrás é fácil de perceber: Ocasio é o apelido de Bad Bunny, que na verdade se chama Benito Antonio Martinez Ocasio. No entanto, o número à frente não foi explicado, e foram várias as especulações que os internautas fizeram nas redes sociais – começando com o ano de nascimento da mãe do artista, 1964, juntando assim o seu apelido de solteira, Ocasio, com o ano em que nasceu.

Mas há mais teorias. Há internautas que acreditam que o número “64” tem que ver com o balanço inicial (que se mostrou incorreto mais tarde) das mortes causadas pelo furacão Maria em 2017, que devastou a ilha e foi também representado através dos postes de eletricidade no espetáculo anteriormente falados. Há também quem diga que o número se referia ao 64.º Congresso dos Estados Unidos, que aprovou a histórica Lei Jones-Shafroth que concedia cidadania estatutária aos porto-riquenhos em 1917.

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