Quase 30 anos após o trágico acidente aéreo, as cinzas dos Mamonas Assassinas vão transformar-se em árvores num parque em São Paulo, num memorial simbólico e emocionante.
Quase três décadas depois da tragédia que interrompeu abruptamente uma das carreiras mais promissoras da música brasileira, os Mamonas Assassinas vão receber uma homenagem inédita e profundamente simbólica. Os corpos dos cinco integrantes — Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli — serão exumados e cremados, e as cinzas transformadas em adubo para o plantio de cinco árvores no BioParque Cemitério de Guarulhos, em São Paulo, cidade onde cresceram e iniciaram a sua trajetória artística.
A iniciativa, autorizada pelas famílias e desenvolvida em parceria com o parque, pretende criar um memorial vivo que simbolize a continuidade do legado da banda. As cinzas serão colocadas em urnas biodegradáveis, onde será plantada a semente de uma árvore, permitindo que cada integrante seja eternizado através de uma nova forma de vida. O processo faz parte de um projeto que transforma restos mortais em árvores, uma prática que procura ressignificar o luto e criar espaços de memória mais orgânicos e duradouros.
A homenagem surge num momento particularmente simbólico, já que 2026 assinala os 30 anos da tragédia que chocou o Brasil. Na noite de 2 de março de 1996, os Mamonas Assassinas regressavam de um concerto em Brasília a bordo de um jato Learjet 25D fretado, quando o avião colidiu com a Serra da Cantareira, no norte de São Paulo, durante a aproximação ao aeroporto de Guarulhos. O impacto matou instantaneamente todos os nove ocupantes da aeronave, incluindo os cinco músicos, os dois pilotos e outros membros da equipa.
A investigação concluiu que o acidente resultou de uma combinação de fatores, incluindo erros de navegação e dificuldades durante a manobra de aterragem, levando o avião a embater contra a montanha sem deixar sobreviventes. A tragédia gerou comoção nacional e marcou uma geração inteira, com dezenas de milhares de fãs a comparecerem às cerimónias fúnebres em Guarulhos.
Na altura do acidente, os Mamonas Assassinas viviam o auge de uma ascensão meteórica. Formado em Guarulhos, o grupo conquistou o Brasil com uma mistura única de rock, humor irreverente e letras provocadoras que quebravam todos os padrões da música popular. O álbum de estreia, lançado em 1995, vendeu mais de três milhões de cópias e transformou a banda num fenómeno cultural, com sucessos como “Vira-Vira” e “Pelados em Santos” a tornarem-se hinos de uma geração.
Apesar de terem existido como fenómeno nacional durante pouco mais de um ano, o impacto dos Mamonas Assassinas continua vivo até hoje. A sua irreverência, autenticidade e capacidade de reinventar o humor na música brasileira garantiram-lhes um lugar eterno na história. Agora, quase 30 anos depois, o legado da banda ganha uma nova forma — literalmente enraizada na terra — transformando memória em vida e saudade em permanência.

