Tem de ver as icónicas fotos de Anna Wintour na capa da “Vogue” com Meryl Streep (ou Miranda Priestly)

As redes sociais estão a rubro com a nova capa da “Vogue”, que junta, pela primeira vez, Anna Wintour e Meryl Streep no papel de Miranda Priestly. Saiba tudo e veja as fotos.

Não, não estamos a ver a dobrar. Anna Wintour e Miranda Priestly (no caso, a atriz que lhe dá vida, Meryl Streep) estão mesmo na capa da “Vogue”. As redes sociais estão loucas e não é para menos, uma vez que esta capa condensa décadas de cultura, poder e imaginário coletivo numa única imagem. É um momento que vai ficar para a história de tão icónico que é – e nós explicamos-lhe porquê.

Começando pelo facto de que, pela primeira vez desde que assumiu a direção da revista, em 1988, Anna Wintour surge na capa, um gesto que, vindo de quem sempre preferiu permanecer atrás da lente, é simbólico e estratégico. Isto porque, estando ao lado de Meryl Streep, transformada na editora implacável que marcou uma geração e que, desde a estreia de “O Diabo Veste Prada”, em 2006, nunca deixou de ser associada à própria Anna Wintour.

Essa associação habitou sempre numa zona ambígua entre o mito e a realidade, claro. E essa ambiguidade torna-se ainda mais interessante quando se olha para aquilo que a própria já disse sobre o filme. Numa conversa com David Remnick, editor da “The New Yorker”, recordou ter ido à antestreia “vestida de Prada, sem fazer ideia do que o filme ia ser”, admitindo que toda a indústria estava preocupada com a forma como poderia ser retratada. Quando o jornalista sugeriu que a personagem era “caricatural”, Anna Wintour concordou sem hesitação, segundo o “The Guardian“.

Veja as fotos

Ainda assim, o olhar não foi de rejeição, muito pelo contrário. A diretora da “Vogue” confessou ter ficado surpreendida com a subtileza da forma como foi retratada e, acima de tudo, com o resultado final. “Achei extremamente divertido. Muito engraçado“, disse, na mesma entrevista. E, com à sua habitual ironia mordaz, chegou mesmo a brincar com Miuccia Prada, dizendo que “foi muito bom” para ela e para a marca da qual está ao leme.

A par disso, reconheceu qualidades à produção raramente associadas a uma obra inspirada num universo tão específico. “Tinha muito humor. Tinha muita perspicácia. Tinha a Meryl Streep (…) eram todos incríveis”, frisou, concluindo que, numa avaliação que ajuda a explicar a longevidade do filme, achou que foi um “retrato justo”. É por isso que esta capa é icónica, mas também pelo timing absolutamente preciso em que foi divulgada.

Ou seja, 20 anos depois de o filme ter redefinido a forma como o grande público olha para a indústria da moda, a sequela prepara-se para chegar aos cinemas, com estreia marcada para 30 de abril em Portugal. Esta capa é, por isso, um autêntico golpe de mestre, já que se trata de um encontro cuidadosamente encenado entre a figura real que moldou um certo ideal de poder editorial e a personagem que o traduziu para o grande ecrã, com a mesma frieza, o mesmo olhar clínico e a mesma capacidade de decidir destinos com um franzir de lábios (quem sabe sabe).

Ao aceitar partilhar o espaço com Meryl Streep (e, por extensão, com a sua própria caricatura), Anna Wintour demonstra um raro sentido de auto-consciência, desmistificando anos de especulação sem nunca a confirmar totalmente. Na entrevista que acompanha a produção, a diretora da “Vogue” reforça essa relação de cumplicidade ao revelar que, quando começaram a circular rumores sobre uma possível sequela, foi diretamente a Meryl Streep procurar respostas.

“Quando ouvi rumores de que este novo filme podia acontecer, liguei à Meryl para perguntar se era verdade. Sabia que ela me diria se estava tudo bem”, explicou. A atriz, segundo conta, ainda não tinha lido o guião, mas prometeu voltar a contactá-la – e cumpriu. “Leu o guião, ligou-me e disse: ‘Anna, acho que vai correr bem.’ Não me contou quase nada sobre o que acontece no filme, mas confiei nela completamente“, adiantou.

Essa confiança diz muito não só sobre a relação entre ambas, mas também sobre a forma como Anna Wintour olha para o fenómeno que ajudou a criar, ainda que nunca o tenha assumido por completo. Ao longo dos anos, Miranda Priestly deixou de ser somente uma personagem para se tornar num arquétipo da mulher no topo, exigente, temida, mas também respeitada. E isso explica porque é que “O Diabo Veste Prada” continua a ser citado, revisto e reinterpretado como poucos filmes ligados à moda.

Espreite o mais recente trailer do filme

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