Filipe Vargas faz emotivo desabafo sobre doença do pai. “Não é o teu pai, é alguém”

O ator português esteve no “Alta Definição” no sábado, 11 de abril, e abriu o coração sobre a doença que matou o pai: o Alzheimer. Leia o testemunho.

Filipe Vargas, ator português de 54 anos, foi o mais recente convidado de Daniel Oliveira para contar um pouco mais sobre a sua vida no programa “Alta Definição”, e entre conversas sobre a sua profissão e temas mais pessoais, o ator acabou por fazer um desabafo emotivo: a sensação de ter um pai com uma doença tão impactante como o Alzheimer. A conversa, lançada no sábado, 11 de abril, deixou muitos internautas comovidos.

Quando tu, de repente, tens de ser a pessoa que cuida dos teus pais, nem sabes muito bem como é que se faz. Não é o teu pai, é alguém. O teu pai desaparece e, de repente, há ali uma pessoa que tu nem sabes muito bem quem é”, começou por dizer Filipe Vargas, que acrescentou ainda que o pai, que já morreu, nunca deixou de o reconhecer, mas que sabia que havia alturas em que ele estava muito perdido.

“Essa desorientação, essa incapacidade de se lembrar da vida, das coisas e do mais simples. Custa ver esta pessoa em quem tu confiaste durante tantos anos, que era intelectualmente o teu explicador privado. De repente já nem me falava“, recordou também o ator, definindo a demência como uma “coisa horrível” e fazendo até uma analogia sobre esta doença.

“Imaginem uma casa com várias divisões e todos os dias se apaga uma luz de um quartinho. Quando olhava para o meu pai, eu via uma casa gigante, e de repente já não havia luz no primeiro andar, já não havia luz na parte direita do rés-do-chão, e aquilo ia apagar-se tudo”, explicou o ator.

Além disso, Filipe Vargas abriu ainda uma porta para se falar sobre a eutanásia, pois sabia que o pai tinha todo o direito de decidir quando partir, mas que este não é um assunto que é falado com a frequência de que precisa. “Acho que as pessoas têm de decidir aquilo que é melhor para elas, juntamente com a família. Há situações de sofrimento físico e há situações de sofrimento mental. Vamos manter as pessoas vivas se elas não querem?“.

“É assim tão vital para as pessoas manterem um corpo vivo, com o coração a bater, quando aquela pessoa já não é aquela pessoa? Quando aquela pessoa já não faz o que gosta, não se lembra de quem gosta? Quando todos os laços que tinha com a vida foram cortados porque o cérebro apagou?”, questionou novamente o ator, que admitiu ainda ter entrado numa depressão depois da morte dos pais. “Às vezes é impossível [ver a luz]. Nem te consegues levantar da cama”.

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