“Before Sunrise” é um daqueles filmes que só pode gerar um destes dois sentimentos: ou não lhe diz nada ou fica histérico só de ouvir o nome. Julie Delpy, 49 anos, e Ethan Hawke, 48, foram os atores mas também argumentistas do filme “Before Sunrise“, de 1995, que faz parte da trilogia “The Before Trilogy“. Esta segunda-feira, 4 de novembro, explicaram ao jornal britânico “The Guardian” como realizaram o filme.

Ethan e eu produzimos o roteiro juntos, embora não tenhamos sido creditados. O processo foi totalmente colaborativo: nós tivemos que dar ideias para as cenas”, partilhou. O filme foi produzido nos Estados Unidos, na Suíça e na Áustria, mas parte do guião foi feito ainda durante as filmagens em Viena. “Muitos diálogos foram uma tortura”, disse Julie. Como estavam sempre a sugerir alterações no roteiro, nunca mais chegavam ao resultado final: “E foi ainda pior com as cenas mais longas do ‘Before Sunset’, que eu sugeri fazer em tempo real”.

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O roteiro original era mais desprovido de romance, no entanto o realizador queria que os dois protagonistas também participassem na escrita do filme para “capturar algo muito verdadeiro”, explica a atriz. “E se um de nós odiasse algo, não faria o filme”. Este trabalho artístico continua a ser um marco no que diz respeito à escrita dos guiões: não foi elaborado apenas por uma pessoa, mas sim por quatro — pelos dois atores, pelo realizador Richard Linklater e pelo argumentista Kim Krizan.

Em 1995, o filme venceu um Urso de Prata no Festival de Berlim na categoria de Melhor Realizador. Também estava nomeado para a categoria de Melhor Filme. Nos Óscares concorreu para o prémio de Melhor Argumento Adaptado e nos MTV Movie Awards na categoria de Melhor Beijo.

O protagonista masculino, Ethan Hawke, conta que as gravações em Paris o fizeram reconectar-se com Richard e Julie. Devido ao divórcio que estava a passar na época, esse verão de gravações acabou por ajudar no processo de cura. O ator assume que o terceiro filme da trilogia “Before Midnight” foi o mais difícil — como os dois primeiros são uma projeção romântica, Ethan Hawke sentiu que tinha de fazer um filme idêntico e adaptado à realidade e ao conceito atual de amor. O ator partilha que a estrutura também foi muito desafiadora.“Escrever 30 páginas, sem ser chato, sozinho num quarto, é difícil“, refere.

A possibilidade de realizar um quarto filme não seria descabida, segundo Ethan Hawke, se de alguma maneira quebrasse o ritmo do ciclo e se tratasse por exemplo da mortalidade. Já Julie Delpy explica que esta trilogia não é apenas para a geração X. “Os filmes são realmente um estudo do tempo”, remata.