E se pudesse aumentar ou diminuir a velocidade de reprodução à medida que via uma série ou um filme? A funcionalidade ainda está a ser testada e pode não vir a ser implementada na aplicação da Netflix, mas só o facto de estar a ser considerada foi o suficiente para irritar realizadores e atores um pouco por toda a internet.

Embora a funcionalidade seja muito utilizada em aplicações de podcasts, especificamente para contornar os momentos de longo silêncio entre convidados, não parece haver qualquer justificação para implementar uma ferramenta semelhante mas num universo das series ou dos filmes. É que aqui, o ritmo é cuidadosamente estabelecido pelos criadores por motivos que são inerentes à história que querem contar.

Aliás, foi esse um dos argumentos da generalidade das pessoas que se mostraram indignadas com a nova funcionalidade. Uma dessas pessoas foi Aaron Paul, o ator que ficou conhecido pela sua prestação na série “Breaking Bad”, que diz que não é possível que a Netflix decida avançar com esta ideia.

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“Parem. Não é possível que a Netflix seja capaz de avançar com esta ideia. Caso contrário, isso significaria tomar controlo da arte de toda a gente e destrui-la por completo. A Netflix é melhor do que isso, certo?”, escreveu na sua conta oficial de Twitter, identificando a conta da Netflix na mesma plataforma.

Também Judd Apatow, responsável pela criação de séries conceituadas como “Freaks and Geeks” e “Love”, atacou a plataforma de streaming pela ideia. “Não, Netflix. Não me façam ligar a todos os realizadores e criadores de séries neste mundo para contestarem esta vossa ideia”, escreveu.

E continuou: “Poupem-me o tempo e o trabalho. Até porque eu ganho-vos, só que demora tempo. Não mexam com o novo tempo, até porque nós [criadores] damo-vos coisas fixes. Deixem-nas ser como é suposto elas serem vistas.”

Brad Bird, realizador do filme “Os Incríveis”, também se juntou às críticas e atacou a proposta: “Mais uma ideia espetacularmente má e um ataque à experiência de cinema. Porquê apoiar e financiar realizadores à medida que procuram formas de destruir a apresentação dos seus filmes?”.

Após as duras críticas, a Netflix foi obrigada a reagir e fê-lo através de uma publicação assinada por Keela Robison, vice-presidente da empresa, que desvalorizou as preocupações dos realizadores.

“Este é um teste apenas para dispositivos mobiles, que permite alterar a velocidade a que se reproduz um conteúdo em telemóveis ou tablets. É uma funcionalidade que existe há muito tempo em leitores de DVD, e que frequentemente tem sido requisitada pelos nosso utilizadores”, explica.

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Apesar disso, diz que a Netflix sempre foi sensível “às preocupações dos criadores destes conteúdos” e, por isso, não incluiu ecrãs maiores nestes testes, como as televisões. E reforça que o facto de uma funcionalidade estar em fase de testes não significa que possa vir a ser utilizada pela maioria dos utilizadores.

“Não temos quaisquer planos de implementar esta funcionalidade a curto-prazo. A decisão de implementarmos ou não nas nossas aplicações para que todos os nossos utilizadores as possam usar, vai depender sempre do feedback que recebermos”, concluiu.