O despertador toca e os pais saltam para a cozinha. Lancheiras a postos, pequeno-almoço na mesa — ou apenas na mochila, para comer a caminho da escola. É assim a rotina de muitos pais e filhos todos os dias. Mas para perceber o que é que as crianças consomem nas primeiras horas do dia, a empresa de consultoria científica Keypoint desenvolveu um estudo para perceber o que compõe o pequeno-almoço das crianças portuguesas entre os 3 e os 10 anos.

A investigação, desenvolvida no âmbito dos 20 anos do programa “Nestlé por Crianças Mais Saudáveis“, teve como base uma amostra de 1.086 indivíduos. Entre abril e junho deste ano, o estudo, que foi elaborado em parceria com a Direção-Geral da Educação, resultou da realização de inquéritos aos pais e/ou encarregados de educação.

Os resultados foram publicados esta quarta-feira, 23 de outubro, pela empresa “Lift Consulting“, e talvez o mais surpreendente é o facto de a fruta representar apenas um quinto (17%) dos hábitos de pequeno-almoço das crianças. Esta percentagem é ligeiramente maior (22%) no caso das crianças que consomem apenas leite simples na primeira refeição.

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Em declarações à agência Lusa, a bastonária dos nutricionistas, Alexandra Bento, fez um alerta sobre os resultados relativos à fruta: “O pequeno-almoço deve integrar vários grupos de alimentos (…) e a fruta deveria estar presente no pequeno-almoço de todas as crianças”, afirma a nutricionista, conforme cita o jornal “Público“.

Os alimentos que ganham maior relevância no estudo são então o leite — que entre os 3 e os 10 anos tem uma percentagem de consumo de 57,2%, e de 67,1% no caso das crianças entre os 3 e 5 anos. Já o pão fica em segundo lugar nas percentagens de ambas as faixas etárias e em primeiro nas crianças com 6 a 10 anos.

O estudo revela ainda que o pão consumido é normalmente uma carcaça ou semelhante (acompanhada de leite simples ou com chocolate), recheada com manteiga.

Já os cereais de pequeno-almoço, que podem ir desde os mais simples como os flocos de milho, até às bolas de chocolate ou estrelas de mel, também estão entre os principais alimentos consumidos entre os 3 e os 10 anos, com uma percentagem de 31,3%. 

Quase a totalidade (99,6%) das crianças toma o pequeno-almoço todos os dias, e apenas 5% não come em casa. Este número pode, no entanto, não ser representativo, já que como refere a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, “sabemos que há crianças mais carenciadas, provenientes de famílias com mais dificuldades económicas, que vão para a escola sem pequeno-almoço”. Estas, porém, não integram a população estudada.

Ainda com uma grande representatividade (82%), principalmente nas faixas etárias mais altas, estão as crianças que participam na escolha dos alimentos que querem consumir de manhã.

Os pais inquiridos mostraram-se conscientes da importância da primeira refeição do dia na crianças, quer pela influência que tem na saúde (81%), no crescimento (79%) ou na concentração necessária para o desenvolvimento escolar (74%). 

Contudo, a nutricionista e responsável pelo programa, Ana Leonor Perdigão, refere que através do estudo os investigadores perceberam que “os pais e cuidadores nem sempre fazem as melhores opções relativamente à composição do pequeno almoço das suas crianças”.

É também por essa razão que Alexandra Bento refere que deve haver uma maior literacia por parte dos pais: “Temos cereais encharcados de açúcar e sal, como temos cereais de pequeno-almoço com pouco açúcar, sem sal e até cereais integrais. É preciso saber olhar para o rótulo e saber escolher”, diz, sugerindo ainda que os pais devem transmitir às crianças que alimentos como o leite, o pão e a fruta são melhores opções.