Primeiro, o que importa saber: é grátis, está disponível em Portugal na App Store e há três novas histórias todas as semanas. Agora sim podemos avançar e contar em que é que consiste a “Dipsea”.

Essencialmente, é uma aplicação com mais de 150 áudio-histórias ilimitadas que contam, em narrativas (que vão desde as mais curtas com cinco minutos, às mais longas, com 20 minutos) histórias eróticas, reais, feministas e inclusivas. Além disso, também há histórias para os casais ouvirem em conjunto.

Aqui encontra ainda áudios explicativos sobre vários temas — desde o flirt, até aos conteúdos sexuais — e sessões de meditação guiadas que ajudam o ouvinte a aprender e a explorar-se a si próprio. Depois há as histórias eróticas.

A descrição na loja de aplicações refere em que momentos a “Dipsea” pode ser usada: “Ouça antes de um encontro, no trajeto para casa, para desligar o cérebro do trabalho, quando passar algum tempo consigo mesmo, ou ouça em casal para preliminares mais íntimos”, sugere.

Tudo com um cenário envolvente carregado de erotismo e um design que a revista britânica “GQ” elogia na crítica à aplicação: “A elegância do marketing da ‘Dipsea’, a ponderação do design visual, as ilustrações levemente abstraídas de corpos de diferentes cores, tamanhos e géneros, e o bom gosto dos títulos das histórias intrigantes”, são qualidades que chegam quase a ser irritantes, na opinião da revista.

A aplicação foi criada em 2018 por Gina Gutierrez e Faye Keegan, e desenhada a pensar nas mulheres, razão pela qual está também associada ao feminismo. Esta app parece ser diferente de outros conteúdos eróticos, pelo facto de “as narrativas respeitarem os padrões eróticos, e as histórias serem executadas por atores confiáveis ​​e agradáveis”, descreve a mesma revista. 

Desejo sexual da mulher diminui depois de um ano de relação

Todas as narrativas referem-se às personagens com indicadores como “ela e ele” ou “ela, ele e eles”, e ainda com palavras (como “aventureiro” ou “nostálgico”) que ajudam a idealizar o cenário em que estas participam.

É através da caracterização que a “Dipsea”, de acordo com a crítica da revista britânica, “parece ter criado um género próprio [de narrativas de conteúdo sexual], com detalhes em áudio que aumentam a sensação de prazer, segurança e calma”, refere.

A aplicação consegue um equilíbrio entre a representação da realidade, através de uma linguagem direta e o respeito, evitando usar substantivos e verbos com um sentido negativo.  Tem então “ruídos sexuais realistas e não agressivos — os gritos deprimentes e o ‘ah, sim’ da pornografia estão quase totalmente ausentes no ‘Dipsea'”, diz a “GQ”.

Para começar o projeto foi necessário um grande investimento — quase 5 milhões de euros — negócio que se mantém através das subscrições (mensais ou anuais) que permitem aceder a uma vasta galeria de audio-histórias, sempre em crescimento.