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A dona Mena, a bruxa má e os pombinhos. O bom, o mau e o mais divertido da estreia de “Casados à Primeira Vista”

A segunda temporada arrancou bem, com boas personagens, suspense, tensão e conflitos. Mas também teve problemas. E cromos, cromos dos bons. A MAGG viu a estreia e conta-lhe tudo.

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A Ana Raquel foi a figura desta estreia da segunda temporada de "Casados à Primeira Vista"

A Ana Raquel foi a figura desta estreia da segunda temporada de "Casados à Primeira Vista"

Vamos lá ver uma coisa: na primeira edição de “Casados à Primeira Vista”, que foi só maravilhosa, os quatro especialistas e gurus do amor deram o seu melhor, usaram a ciência, a intuição e a tecnologia para juntar casais e em que é que aquilo deu? Em 100 por cento de divórcios. Acontece. Mas então em equipa que leva uma cabazada não se devia mexer? Fica a pergunta no ar, vá, até ao final do programa.

Mas o sucesso de “Casados à Primeira Vista”, que foi líder de audiências na primeira temporada, não tem a ver com a qualidade dos coaches do amor, nem sequer tem a ver com a eficácia dos matches. Este programa funciona porque há tensão, conflito, expetativa, esperança, lágrimas, reencontros, histórias de gente quebrada e gente que continua a acreditar no amor e na felicidade. Está aqui uma mistura que explode quando alguém a sabe preparar nas medidas certas. E a SIC soube, uma vez mais, fazê-lo.

A segunda temporada de “Casados”, que estreou este domingo, 13 de outubro, na SIC, arrancou bem, forte, consistente, com uma boa edição, um guião bem construído, uma Diana Chaves muito sólida e credível no seu papel de fada casamenteira, e personagens ricas, boas, daquelas que vamos querer seguir. Mas o programa também teve algumas fragilidades, que só se perceberá se vão ser minimizadas nos próximos dias. Vamos lá então ver o que de melhor e pior teve para mostrar.

O Melhor

A Dona Mena

A dona Mena não quer ter um neto com um nariz com o do Paulo

Foi a estrela inesperada da noite. A dona Mena não é noiva, mas é mãe de duas noivas, Ana Raquel e Inês, moças de Aveiro que vivem juntas e que resolveram inscrever-se em conjunto no programa. Bom, a dona Mena é aquela mãe desbocada e inconveniente, que não mede as palavras, que gosta de falar entre-dentes, mas que toda a gente gostaria de ter na mesma mesa do casamento, porque ia ser gargalhada pela certa. Ao longo da estreia, a dona Mena foi colecionando pérolas, que é importante que fiquem registadas.

Começou por mostrar ao que vinha quando viu as filhas vestidas com uns modelitos de noiva muito parolos, cheios de brilhos, que lhes ficavam muito mal. “Parecem duas princesas”, disse. Não se percebeu se era a sério ou ironia. Mas o melhor estava para vir.

Quando viu os futuros noivos das filhas, a dona Mena trouxe o seu lado mais realista e prático cá para fora. “Olha, se calhar para a Inês não está mal”, disse, ao avaliar o marido da filha mais nova, como quem diz, “olha, para quem é bacalhau basta”. Mas lá foi dizendo que os moços escolhidos pelos gurus do amor “não têm nada a ver com elas”. “Este da direita é coisa para ter uns 45 anos”, criticou, ao falar de Hugo, o agricultor alentejano, que afinal tem só 42 (e a filha tem 38). Ainda assim, a dona Mena gosta de ver o copo meio cheio. “De todo os namoraditos da Inês este é o mais jeitosinho”. A idade de um era um problema, o aspeto físico do outro era um problema maior. “Imagina ter um neto com um nariz assim comprido”, criticou, ao ver Paulo, o marido da outra filha, Ana Raquel. Por fim, resignou-se. “Olha, se der certo para uma já não é mau”.

Esperemos que a Dona Mena continue nos próximos programas e nos dê umas pérolas ao nível das da mãe do Conde na primeira edição, também ela uma figura.

A Ana Raquel

Estão a ver a cara da Ana Raquel? Foi a melhor que conseguiu mostrar ao noivo

É a concorrente mais forte, por ser também a mais irritante. Quando apareceu, com o seu ar meio angelical, não se deu por isso. Até chegou a parecer fofinha quando disse que se sente sozinha quando vai para a cama e quando chora no duche. “As lágrimas confundem-se com a água”. Bonito, Ana Raquel, bonito. Só que depois o tempo passou e a antiga professora de Matemática e Ciências, de 42 anos, revelou-se meio bruxinha (não quer dizer que o seja, neste programa foi o que ficou).

O mau feitio começou a revelar-se quando implicou com a maquilhagem no dia do casamento. Estava tudo mal, bufava, não gostava do cabelo, do que via. Chata nas horas. Mas o pior foi mesmo quando viu o noivo, o desgraçado do Paulo, 51 anos, um comercial de Lisboa que joga à bola com os amigos e se orgulha de fazer karaté “às segundas, quartas e sextas”. Informação dramááática. Entre expressões como “Nossa Senhora de Fátima” (ao ver a cara do senhor), e os olhares de desprezo, misturados com algum asco, conseguiu destruir o noivo e o casamento, quase sem deixar o pobre Paulo abrir a boca. Mas pronto, podia ser a desilusão momentânea, e pode ser que venha daqui alguma coisa que dure para aí três dias.

Diana Chaves

Diana esteve muito sólida, consistente e credível (e bonita, também)

Uma vez mais, tal como na edição anterior, esteve em muito bom nível. Tem um perfil certo para este formato. É simpática, emotiva, acolhedora, sabe ouvir, sabe rir quando é preciso rir, narra muito bem a história, tem presença, é empática.

O guarda-roupa também esteve muito bem, já que usou uns 10 modelos diferentes na estreia e mostrou-se quase sempre muito bonita. Mostrou, uma vez mais, que podem confiar nela para formatos mais importantes, que ela estará à altura.

Produção em geral

O programa arrancou praticamente com imagens do casamento entre Pedro e Liliana, o que foi um pouco confuso. A história do casal andou demasiadas vezes para a frente e para trás, o que, misturada com a dos outros casais, tornou a edição um pouco confusa. Mas é a única nota negativa para a produção. De resto, bons planos aéreos, imagens bonitas, tensões bem construídas, conflitos e suspenses bem trabalhados, a aquele final com o gancho perfeito para o programa seguinte. Muito bem.

PIOR

Liliana e Pedro

Foi tudo bonitinho, tudo perfeitinho, muito amor, too much

Já se percebeu que são os pombinhos desta edição, o casalinho feliz que vai amar-se a vida toda, até a história dar uma volta qualquer. Daniel e Daniela dizem-vos alguma coisa? Pois. Foi exatamente o que aconteceu na edição anterior com o rapaz das Caldas e a miúda de Setúbal, que tinham nascido um para o outro até ela perceber que ele, afinal, não era bem o príncipe que ela estava à espera, e ele ter percebido que ela, afinal, também não era uma princesa. É a vida real.

Bom, a Liliana e o Pedro foram logo ao beijo de língua no altar, só tiveram palavras de elogio um para o outro, tudo muito bonito, o que em televisão não é assim tão bonito, é só aborrecido. Valeu ali uma alavanca final metida (muito bem) pela produção, que revelou que ela se recusa a tirar um anel que trouxe de uma relação anterior e que, segundo as amigas, lhe está a fazer muito mal. Vamos ver.

Os coaches

Quem não acerta uma à primeira, à partida, não devia ter direito a uma segunda oportunidade

O texto começava a malhar neles, e acaba a malhar neles. Embora tenham boa presença televisiva, os coaches Alexandre Machado, Eduardo Torgal, Fernando Mesquita e em especial Cris Carvalho falharam redondamente a missão na primeira série. Logo, esperava-se que a produção tivesse procurado uma ou outra alteração na equipa. Ao não o ter feito, o grupo perde alguma credibilidade nas escolhas e decisões. Ou seja, quando eles dizem a um concorrente “encontrámos o seu par perfeito” qualquer um pode ter a legitimidade de perguntar: “Hummm, mas perfeito como os que arranjaram na primeira edição, que acabaram todos divorciados?”. É uma fragilidade.

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