Decorriam as filmagens do filme “Pecado Capital“, em 2004, quando um dos produtores executivos, Harvey Weinstein, sugeria à atriz de Hollywood, Jennifer Aniston, que vestisse uma das criações da esposa na altura, Georgina Chapman, que tinha acabado de lançar uma marca de roupa — a Marchesa.

“Ele veio visitar-me a Londres enquanto estávamos em filmagens. Ele disse: ‘Ok, eu gostaria que usasse um desses vestidos na estreia'”, conta a atriz Jennifer Aniston à revista americana “Variety“, acrescentando que o produtor entregou-lhe um álbum com as imagens dos vários vestidos da linha Marchesa.

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Mas a revelação que compromete Harvey Weinstein — atualmente acusado de mais de 70 casos de assédio sexual e violação — seguiu-se depois de a atriz recusar a sugestão: “Eu abri o álbum e, na altura, não era o que é hoje. Não era para mim. E ele disse algo como ‘tem de usar este vestido'”, tentando intimidar a atriz. 

Jennifer Aniston conta que este foi o único episódio de assédio moral do produtor Weinstein, e que não cedeu à tentativa de intimidação até porque “bem, o que é que ele ia fazer? Vir aqui e fazer-me usá-lo?”, consta à “Variety”.

A atriz acredita ainda que o movimento #MeToo (que começou com uma hashtag nas redes sociais contra o assédio sexual e a agressão sexual) revolucionou Hollywood.

“Ainda há espaço para melhorar, mas acho que esse tipo de comportamento acabou. Acho que as pessoas deixaram de ter medo”.

Jennifer Aniston está prestes a estrear-se na série “The Morning Show“, que chega a 1 de novembro e procura retratar de forma séria e honesta vários tópicos e situações relacionadas com o movimento: “Basicamente, mostra todos os lados. Mostra como as coisas são ditas a portas fechadas durante o Me Too, que mais ninguém tem coragem para dizer ao mundo”.

A série conta com seis mulheres produtoras, algo que a atriz de Hollywood, que está no meio há 30 anos, considera que é um ótimo avanço. Difícil, mas ótimo.