Os resultados de uma investigação publicada esta terça-feira, 8 de outubro, na revista académica “Nature Communications“, revelam que há um novo antibiótico que pode acabar com vários tipos de bactérias.

Este antibiótico, que fixa nitrogénio nas plantas e afasta micróbios nocivos, junta-se a outros na área dos produtos naturais e biológicos que começam a ser descobertos progressivamente pelos cientistas. 

Com o nome científico de phazolicin, foi descoberto nas raízes de feijões selvagens, na floresta tropical de Los Tuxtlas, no México, e pode revolucionar a agricultura.

“A resistência dos antibióticos é um grande problema na medicina e na agricultura e a contínua procura por novos antibióticos é muito importante, porque eles podem conduzir no futuro a agentes antibacterianos”, explica Konstantin Severinov, biólogo e bioquímico molecular na Universidade Rutgers, em Nova Jersey, Estados Unidos, ao jornal “Science Alert“.

Mas além de o novo antibiótico atacar uma grande diversidade de células bacterianas, os autores descobriram que este pode entrar nas bactérias, ligar-se ao seu ribossoma (estruturas onde são produzidas as proteínas das células) e alterar a sua capacidade para sintetizar as proteínas.

Existe apenas mais um peptídio conhecido (biomolécula formada pela ligação de dois ou mais aminoácidos) que consegue fazer a mesma função. É por isso que, como referem os autores da investigação, estes peptídios são “um grupo de interesse especial para a pesquisa de novos antibacterianos”.

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Mas há mais: a conclusão da investigação mostra como é que este antibiótico atua nas plantas de forma a melhorar o processos agrícolas. “Impedirá o crescimento de outras bactérias potencialmente prejudiciais no sistema radicular de plantas importantes para a agricultura”, explica o biólogo Severinov.

E como é que se processa? O probiótico (phazolicin) exige que os micróbios “bons” se misturem nos fertilizantes de forma a permitir que leguminosas — como feijões, ervilhas, grão de bico, amendoins e rebentos de soja — cresçam, funcionando da mesma forma que um probiótico humano (organismos vivos que equilibram a microbiota intestinal).

A nova descoberta pode contribuir para que, no futuro, a produção alimentar seja mais sustentável, aumentado a produção dos legumes e a capacidade para resistir às pragas.