Começo este texto com um disclaimer para não acharem que me auto-intitulo como a maior fã daquele furacão chamado Jennifer Lopez à toa. Não. Não sou a mera fã que conhece meia dúzia de músicas, que já viu meia dúzia de filmes e que até sabe que foi casada três vezes e que está novamente a caminho do altar.

Sou aquele tipo de fã que tem todos os discos, todos os DVD de concertos ao vivo e uma grande parte dos filmes em que entrou. Sou aquela fã que tinha um dossier com recortes dela — e não era um dossier qualquer, era mesmo daqueles de lombada grossa. Sou aquele tipo de fã que, quando ela veio a primeira e única vez a Portugal, comprou os bilhetes no dia em que foram postos à venda, que foi ao ensaio geral e que no dia do espetáculo estava a dormir à porta do Altice Arena às nove da manhã. O espetáculo era às dez da noite.

Jennifer Lopez surpreende ao usar vestido Versace com que deslumbrou nos Grammys em 2000

Depois de saberem tudo isto, cabe-me explicar uma coisa: o nível de obsessão esfriou um bocadinho com a idade, mas não é por isso que deixo de soltar um gritinho histérico de cada vez que a vejo em revistas ou sites ou de ver os filmes dela no dia de estreia. E foi exatamente o que aconteceu com o último trabalho “Hustlers” ou em português “Ousadas e Golpistas”. Poderia começar logo a falar da péssima adaptação do título em português, mas não é para isso que aqui estamos.

O filme estreou-se em Portugal dia 26 de setembro e lá estava eu de bilhete em punho para a sessão do final da tarde. A expetativa era altíssima, afinal as críticas que tinha lido falavam em nomeação para Óscar, falavam que este era o melhor trabalho da minha Jennifer. Desculpem, mas o meu momento fã histérica voltou por breves segundos.

Já acalmamos. O filme conta a história verídica de um conjunto de strippers que com a crise de 2008 passou a ter cada vez menos trabalho. Com isto formam um grupo para extorquir dinheiro às pessoas que trabalham em Wall Street. Lopez interpreta Ramona, a líder do grupo.

“Não grites quando ela aparecer no filme, está bem?”, disse-me a minha irmã assim que nos sentámos nas cadeiras, já a prever o entusiasmo. E a verdade é que durante quase duas horas, não houve lugar para histerimos. Não me interpretem mal, adorei o filme, claro está, mas toda aquela expetativa sobre o Óscar, sobre ser o melhor trabalho dela é só exagerada.

Vão-me perguntar: ‘Então e o que é que tu sabes de cinema?’. Sei o que gosto e o que não gosto, mas se há uma coisa em que sou especialista são filmes da J.Lo. E com base nisso, meus amigos, consigo dizer-vos que não, ela não merece a nomeação para o Óscar. Há uns quantos filmes dela que são bem melhores. Alguém viu o “Selena” ou o “Enough“? Isso sim, são filmes nos quais tem uma boa prestação. Este é só mais do mesmo.

A personagem não é a mais interessante da história, ela não faz a melhor prestação de sempre e o discurso é só banal. Desculpem-me, mas não é isto que espero quando vou ver um filme nomeado pela Academia.

Jennifer Lopez é Ramona em "Hustlers"

Não me senti minimamente arrebatada pela performance dela, não me provocou qualquer tipo de emoção (como se espera que um filme de Óscar provoque) e não achei a personagem assim tão interesse e complexa que justificasse esta buzz todo. Lamento, Jennifer, mas não.

Agora, se me disserem que este ano há novas categorias e que lhe querem atribuir o prémio de Atriz Mais Boazona acima dos 40 anos, aí têm a minha benção. Porque realmente aquele corpaço aos 50 anos de idade é de loucos. Eu, com 25 anos, matava por umas pernas como as dela.

É como vos digo: não é o melhor filme da temporada, não é sequer o melhor filme dela, mas ainda assim é um bom filme para ver – mais não seja porque aparece a dançar num varão.