Sustentabilidade

A indústria da moda é altamente poluente. Temos 7 dicas para comprar de forma mais sustentável

Comprar peças portuguesas, ir ao armário das avós ou ir a lojas em segunda mão. Estas são apenas algumas das dicas que a MAGG reuniu para comprar de forma mais consciente.

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Estima-se que, até 2030, sejam produzidas 100 milhões de toneladas roupas e calçado por ano

Kaboompics.com/Pexels

Estima-se que, até 2030, sejam produzidas 100 milhões de toneladas roupas e calçado por ano

Kaboompics.com/Pexels

O universo das cadeias de fast fashion cria, vende e faz surgir novas tendências a um ritmo alucinante. É de tal forma que a indústria mundial de roupa e calçado pode aumentar 5% ao ano até 2030. Parece uma percentagem pequena, mas representa 100 milhões de toneladas de roupa e de calçado por ano.

Este valor consegue “exercer uma pressão sem precedentes sobre os recursos do Planeta”, diz um relatório da Euromonitor, divulgado no site da empresa de tecnologia e dados sobre o mercado financeiro “Bloomberg“.

Mas o problema não fica por aqui. De acordo com o jornal “The New York Times“, atualmente, mais de 60% das fibras de tecido são sintéticas e resultam de combustíveis fósseis. Isto significa que quando as roupas acabarem num aterro (algo que pode acontecer pelo simples facto de algumas peças passaram de moda), não se irão decompor.

Para inverter a situação, já começam a surgir marcas que usam matérias primas mais sustentáveis e movimentos para alertar a sociedade para o consumo em excesso. É o caso do evento “Manifesto Moda”, que aconteceu a 14 de setembro no Forum Viseu, com o objetivo de proporcionar conversas, desfiles e manifestos sobre a sustentabilidade nesta indústria.

Mas esta não foi a única iniciativa dos últimos tempos. A 17 de setembro realizou-se, em Lisboa, um desfile de moda que juntou numa só ação duas causas atuais: “A Violência Não Está na Moda” foi o nome dado ao evento que, além de apresentar peças mais sustentáveis de uma marca portuguesa nova, a”The Thinker and The Sinner“, quis também sensibilizar o público para a valorização social das mulheres que são vítimas de violência doméstica.

De forma a entender como é que o consumo pode ser feito de forma mais sustentável, a MAGG falou com vários nomes por detrás destes acontecimentos nacionais. Ao todo, reunimos sete dicas essenciais. 

1. Escolher as alternativas sustentáveis da fast fashion

Começamos a ouvir falar mais em peças de roupa com materiais reciclados, algodões orgânicos ou linhos naturais e há cada vez mais apelos para comprar peças feitas em Portugal. É precisamente nestes tipo de artigos que deve apostar, se quiser continuar a comprar nas lojas do centro comercial. Por isso, o primeiro passo é tomar atenção ao que dizem as etiquetas.

“As cadeias de fast fashion tiveram, obrigatoriamente, que acompanhar e promover esta tendência [da sustentabilidade] lançando coleções com peças básicas, trendy, confortáveis, com preços semelhantes às peças da restante coleção e que têm que estar presentes em qualquer guarda roupa”, refere Nádia Gomes Graça, blogger, fundadora da “Osso Artisans” e oradora no “Manifesto Moda”.

2. Comprar em menor quantidade, mas de qualidade

“Essencialmente o consumo terá que passar por comprar menos quantidade e melhor qualidade”, é a sugestão da blogger Fernanda Velez e também da apresentadora Ana Rita Clara, ambas presentes no evento Manifesto Moda.

Contudo, de acordo com António Peres, fundador da marca “The Thinker and the Sinner”, há medidas que podem ser mais eficazes: “Cada T-shirt consome uma média de 2700 litros de água, o que não é sustentável. Tem de haver uma mudança de paradigma”.

Como? Mostramos no passo seguinte.

3. Procurar roupas no armário das avós e das mães

Não ponha já de parte esta ideia. No meio de camisas com folhos que já não se usam, ou das calças de ganga à boca de sino com aplicativos, pode encontrar uma peça que esteja mesmo na moda.

Só é preciso fazer as conjugações certas, como sugere Fernanda Velez: “Acho super chique usar peças vintage. O truque, se for um vestido, é conjugar com acessórios como sapatos e carteira atuais e com um anel statment, por exemplo”. Nádia Gomes Graça sugere ainda que se acrescente uma manga, um folho, um cinto com tecido semelhante ou até com padrão diferente para dar estrutura e criar peças mais conceptuais, oversized e contemporâneas.

Blogger Fernanda Velez no "Manifesto Moda"

Fórum Viseu

A esta recriação chamamos de patchwork: a utilização de resíduos têxteis, para a criação de novas peças.

Mas não seja negligente no cuidado destas peças, só porque são antigas. Se ainda têm vida, há que prolongá-la. “Ter atenção às lavagens para terem um ar cuidado e brilhante e customizar essas mesmas peças com detalhes originais que façam a diferença. Procure uma costureira ou aventure-se nesse papel para dar um novo design a essas peças”, refere Ana Rita Clara.

Ora, é mesmo sobre a aventura na costura de que vamos falar a seguir.

A indústria da moda está a destruir o ambiente. Mas já há soluções sustentáveis

4. Aprender a fazer as próprias peças

Não faltam hoje em dia workshops de costura, seja de peças do quotidiano ou de biquínis. Mas esta não é a única forma de aprender: “Existem muitos vídeos e informação online que dão dicas para criar algo de novo com a sua roupa, personalizar e customizar as suas próprias peças”, diz a apresentadora da SIC Mulher.

Apresentadora Ana Rita Clara no "Manifesto Moda"

Fórum Viseu

E se uma peça se estragar com uma mancha de vinho, por exemplo? Também neste caso é possível usar os seus dotes de costura. António Peres, da nova marca apresentada no evento “A Violência Não Está na Moda”, sugere que recorra ao patchwork, à tinturaria (técnica que envolve tingir as peças) ou à estamparia, método que permite dar uma nova vida à peça estragada adicionando um novo padrão.

5. Ir a lojas em segunda mão

O clássico. Até podia ter aparecido em primeiro lugar, mas a sustentabilidade é como uma ida ao ginásio: se for radical nas primeiras vezes, vai acabar por desmotivar. É importante que primeiro pense de forma mais sustentável e, aos poucos, se vá aventurando em caminhos desconhecidos, como é o caso da compra de roupa em segunda mão. 

Dentro desta quinta dica, há outras: vá a estas lojas com tempo, tenha paciência, leve roupa básica para poder experimentar as peças, e, claro, experimente tudo, porque aquilo que na mão não parece nada de especial, pode ficar bem no corpo.

6. Procurar outros pontos de venda

Não só nos centros comerciais e nas lojas em segunda mão estão as oportunidades para compras ecológicas. Também pode fazê-lo nos mercados ou nas feiras de venda e de troca de vestuário, em plataformas de e-commerce, em lojas vintage e lojas online.

António Peres enumera ainda os ateliers orientados para a sustentabilidade. “O papel da alta costura nesta área é fundamental porque tem a liderança mediática.”

7. Não pense uma, mas 30 vezes antes de comprar

“Quando estiver a pensar em comprar alguma peça, pense se a irá usar no mínimo 30 vezes. Se a resposta for afirmativa compre. Caso contrário, siga para outras escolhas”, sugere Ana Rita Clara.

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