Já (quase) todos nós nos rendemos aos sacos de pano para transportar compras, recusamos palhinhas nas bebidas e separamos o plástico e o vidro do lixo comum num gesto automático.

Mas apesar de serem os adultos a terem a obrigação de dar o exemplo, são as vozes das gerações mais jovens que têm falado mais alto. Ame-se ou odeie-se, acredite-se na genuinidade das palavras ou num discurso planeado ao detalhe, a verdade é que o nome de Greta Thunberg já não deixa ninguém indiferente.

A ativista sueca, de 16 anos, tem marcado a atualidade no combate às alterações climáticas, e proferiu um discurso marcante na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, a 23 de setembro. “Roubaram os meus sonhos e a minha infância com as vossas palavras vazias”, disse a jovem, acusando os lideres mundiais de traição e de passividade face à crise ambiental. “Como ousam?”, repetiu várias vezes.

Greta Thunberg. Qual o impacto que este mediatismo pode ter na vida de um adolescente?

E há quem não queira deixar passar em branco a atenção dada a este tema. Na Alemanha, a marca de roupa C&A apostou numa campanha para promover a sua coleção infantil onde não faltam referências a uma “geração Greta”.

A decorrer desde meio de agosto, e com o mote #kids4tomorrow (algo como crianças pelo amanhã), a campanha mostra crianças e jovens em ambiente escolar, a empunhar vários cartazes, como se de uma manifestação se tratasse. No entanto, nas imagens, os cartazes têm apenas desenhos coloridos e zero menções a causas.

O blogue “News Advertising” acredita que a campanha “não está a fazer nada pela marca, pelas crianças ou pelos pais”, e apelida esta iniciativa como “contraproducente”: “Talvez até esteja a ser entendida como um insulto às crianças que tentam, na realidade, chamar a atenção para estas causas”.

No Facebook, o escritor e argumentista Filipe Homem Fonseca partilhou uma imagem da mesma campanha, criticando as lojas alemãs por capitalizarem o ativismo ambiental: “Não, o activismo ambiental não se tornou um negócio, pois claro que não. E, mesmo que se tenha tornado, o que é que isso interessa?”

A publicação continua: “Antes isso do que matarem o planeta, ah pois é, porque só há preto e branco, nada de áreas cinzentas, e agora nem interessa nada falar sobre isso, o desespero manda e pede um messias, quem não está connosco está contra nós, não sejas fascista, não questiones porra nenhuma, não há aproveitamento nenhum, ninguém anda a ser manipulado, é impossível preocupação efetiva com a catástrofe iminente – presente! – sem devoção total à hashtag da moda, nem mais; para nos tomarem por tolos já bastou a geração que rebentou isto tudo e blá-blá-blá, e vamos todos ser salvos porque temos quem tome conta de nós, hossana! nas alturas, teu branding entre nós!”.