A última edição do Festival Iminente, que decorreu em Monsanto, Lisboa, entre os dias 19 e 22 de setembro, ficou manchada por um episódio relatado nas redes sociais: na manhã de domingo, o último dia de festival, Frederico Nunes, que praticava BTT em Monsanto, partilhou um vídeo no Facebook onde revelava um autêntico esgoto a céu aberto.

De acordo com o atleta, o cheiro era insuportável e as descargas de casa de banho, bem como material de cozinha e objetos de plástico, estavam a ser efetuadas nas traseiras do edifício.

No decorrer desta denúncia, apuraram-se responsabilidades. Contactada pela MAGG, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) declarou ter conhecimento da situação, mas que não estaria relacionada com o uso das casas de banho do Festival Iminente, imputando o acontecimento à “existência de uma rutura num coletor público, com a presença de dejetos e de um forte odor junto da encosta circundante ao parque de estacionamento”, detetada a 22 de setembro, pelas 14 horas.

A câmara reforçou que “a presença de dejetos no terreno não está ligado ao uso das casas de banho, que são respeitadoras das mais elevadas normas ambientais, certificadas pela CML” e ainda avançou que já tinham sido iniciados os procedimentos de limpeza do terreno.

Monsanto ficou um esgoto a céu aberto após Festival Iminente. Câmara de Lisboa nega ligação

Também a organização do Festival Iminente esclareceu, em comunicado enviado para a redação da MAGG, que o festival cumpriu “rigorosamente todas as diligências, em sintonia com os órgãos da Câmara Municipal de Lisboa, mais especificamente os seus departamentos de ambiente e saneamento, para que todo o ecossistema fosse respeitado e as regras de funcionamento e de descargas cumpridas”, para além de avançar a contratação de uma empresa para limpeza dos terrenos, a par das equipas enviadas pela CML.

Agora, a 26 de setembro, a organização do festival declara que as limpezas foram concluídas. “Depois de 48 horas de trabalho, deu-se por concluída a tarefa de limpeza do solo contaminado pelo caudal resultante da descarga de esgotos na zona exterior ao recinto do festival”, salienta a organização em comunicado de imprensa.

Na mesma declaração, a organização do Iminente refere que, no processo de limpeza dos terrenos, “estiveram envolvidas duas equipas especializadas: uma contratada pela organização do Festival Iminente, com o intuito de dar a mais célere e eficaz resposta à urgência que se impunha, e outra enviada pela Câmara Municipal de Lisboa, a partir da sua Direção Municipal de Ambiente, Clima e Energia”.

No entanto, a organização reforça que esta foi “uma situação não imputável ao Festival Iminente” mas, ainda assim, optaram por agir “célere e responsavelmente, sempre em sintonia com a CML”.

Para a limpeza dos terrenos, procedeu-se à aspiração do solo, à decapagem do terreno e à substituição da área afetada com terra nova, de forma a minimizar qualquer tipo de impacto ambiental que possa ter sido causado. “Foi ainda recolhida uma amostra de solo, que está a ser analisada por um laboratório independente”, pode ler-se no comunicado enviado à MAGG.

Para além da partilha da conclusão do processo de limpeza, a organização fez saber que lamenta a situação decorrida após o festival:”O que aconteceu em Monsanto deixou-nos tristes. Mas nunca nos demoverá de fazer aquilo em que acreditamos”.

“Depois de quatro dias de verdadeira festa e partilha cultural, é verdade que estes foram dias tristes. Percebemos a indignação. É legítima a revolta pelo dano. Mas fica também aqui uma mensagem de amor e de tolerância. Para todos mas especialmente para aqueles que no meio de toda a agitação mantiveram a lucidez de ter o coração no sítio certo. Mesmo sem intenção, todos podem errar. Somos do bem. Só odiamos o ódio”, escreveu a organização em comunicado.

Também contactado pela MAGG no seguimento da divulgação do comunicado oficial da CML — que atribui o sucedido à existência de uma rutura num coletor público —, Frederico Nunes, o autor do vídeo, continua a manter a sua posição de que o esgoto a céu aberto que encontrou tem alguma ligação aos resíduos.

“O local estava repleto de luvas de utilização médica. Pensei inicialmente que podiam estar relacionadas com o tratamento de alimentação, mas soube depois que o festival tinha tatuadores no evento, e que deviam estar relacionadas com isso”, explicou o atleta. “Não há condutas a sair no local [onde fez o vídeo] que não venham do Panorâmico. Passo no local frequentemente e nunca tinha visto aquilo assim. O buraco de onde estavam a sair as descargas sanitárias está encostado à rede do estacionamento do Panorâmico”.

Para o atleta, ficou claro que as fossas séticas das casas de banho do festival estavam a ser descarregadas naquele local, mas acredita que a CML “não vai assumir responsabilidades”.