Esta quarta-feira, 28 de agosto, Greta Thunberg chegou a Nova Iorque para participar na cimeira sobre o clima das Nações Unidas, marcada para 23 de setembro, na sede da ONU em Nova Iorque, EUA. Para participar, a ativista recusou andar de avião devido às emissões de gases com efeito de estufa, e decidiu embarcar numa viagem de 15 dias pelo Oceano Atlântico. Além de minimizar a pegada de carbono, a adolescente de 16 anos queria alertar para a necessidade de tomar medidas para salvar o planeta.

O veleiro de corrida sustentável recebeu o nome Malizia II e está equipado com painéis solares, hidrogeradores e um laboratório a bordo para medir informações sobre a superfície do oceano, como os níveis de CO2 (dióxido de carbono). Greta partiu de Plymouth, no Reino Unido, a 14 de agosto, e não foi sozinha: durante as duas semanas a viajar pelo Oceano Atlântico, esteve acompanhada pelo pai, Svante Thunberg, e pelos co-comandantes Pierre Casiraghi, neto do príncipe do Mónaco e de Grace Kelly, e Boris Herrmann, marinheiro profissional.

A viagem foi desafiante, já que, apesar de ecológico, o veleiro de corrida foi construído para ser veloz, carecendo de algum conforto, tal como referido pelo marinheiro Herrmann no seu site, dias antes do embarque no Reino Unido: “O interior do barco é caracterizado pela falta de conforto. Greta e a sua equipa estão plenamente conscientes das condições que os esperam a bordo”. Os utensílios de cozinha, a casa de banho e o chuveiro, são os aspetos mais negativos das instalações, mas foram adicionados colchões mais confortáveis para melhorar as condições da viagem.

A viagem foi um sucesso. “O nível do mar está a subir e nós também!” e “Não há planeta B!”, foram algumas das frases que vários estudantes gritavam enquanto o veleiro onde viajava Greta chegava a Manhattan. Já em terra, Greta chegou cansada, mas com força suficiente para defender o planeta das alterações climáticas, incentivada pelas centenas de pessoas que a receberam no cais de Lower Manhattan, em Nova Iorque, com aplausos e mensagens de apoio.

Greve estudantil pelo clima juntou 1,4 milhões de jovens em todo o mundo

Mal chegou da viagem planeada de forma sustentável, Greta falou sobre as principais motivações que a levaram a estar presente na cimeira do clima — e Donald Trump, não é uma delas.

“A minha mensagem para ele é apenas que ouça a ciência, e ele obviamente não faz isso. Tal como sempre que respondo a esta pergunta, se ninguém foi capaz de convencê-lo sobre a crise climática, porque é que eu seria capaz de fazer isso?”, refere a ativista do clima, de acordo com a revista “Time“.

O principal objetivo da adolescente é fazer face à maior crise climática e ecológica global que a humanidade já enfrentou, referindo que para isso as pessoas têm de se unir por esta causa: “Se não conseguirmos trabalhar juntos e cooperar… então fracassaremos.”

A causa defendida por Greta Thunberg começou a ficar conhecida quando a ativista decidiu, em agosto do ano passado, ir todas as sextas-feiras para a porta do Parlamento Sueco, em Estocolmo, na Suécia, até às eleições gerais suecas, realizadas a 9 de setembro. O seu movimento inspirou milhares de jovens por todo o mundo, que aderiram ao movimento “Fridays For Future“, faltando às aulas às sextas-feiras para reivindicar medidas políticas de combate às alterações climáticas. Depois disso, seguiu-se um percurso notável: reuniu-se com líderes mundiais, discursou na ONU, recebeu uma nomeação para o Prémio Nobel da Paz de 2019, foi capa na revista “Time” e concorreu pelo prémio Game Changer of the Year, atribuído pela revista britânica “GQ”.

A mais recente medida — viajar para Nova Iorque num veleiro — alertou as pessoas de todo o mundo para as emissões de carbono causadas pelas viagens aéreas. Mas as ações de Greta têm influenciado principalmente a população sueca que, de acordo com os dados divulgados pela empresa de radiodifusão alemã “Deutsche Welle“, fizeram duplicar num ano e meio a percentagem de viagens de comboio na Suécia em vez das de avião.

No fim do percurso pelo Atlântico, Greta Thunberg agradeceu à sua equipa o apoio durante a viagem, aquela que descreve como “surpreendentemente boa”. Uma das particularidades mais apreciadas pela jovem de 16 anos a bordo foi o facto de poder estar desconectada do mundo e de poder apreciar o oceano que a rodeava. “Simplesmente sentar-me, literalmente, sentar-me durante horas e observar o oceano sem fazer mais nada. Isso foi ótimo. E vou sentir muita falta disso”, conta à revista norte-americana “Time”.