“Homem-aranha” francês sobe edifício de 68 andares em Hong Kong para apelar à paz

O "homem aranha" não usou cordas ou cinto para subir o arranha-céus. A escalada teve um único objetivo: "Apelar urgentemente pela paz".

É a terceira vez que Alain Robert sobre o edifício Cheung Kong Center, em Hong Kong. Mas desta vez foi para promover a paz na cidade

AFP/Getty Images

Alain Robert é o nome do homem que subiu o Cheung Kong Center, um dos arranha-céus mais altos do mundo (com 283 metros) que pertence ao bilionário Li Ka Shing. A altura não intimidou o “homem aranha” de 57 anos que esta sexta-feira, 16 de agosto, escalou o edifício sem proteções para que lá no alto mostrasse uma bandeira com um aperto de mão e as bandeiras de Hong Kong e China.

A bandeira simboliza a vontade de Robert para que a paz seja reestabelecida, já que desde abril que Hong Kong tem sido palco de protestos contra o governo. Os confrontos explicam-se pela lei de extradição que o governo queria aplicar para que os suspeitos de crimes fossem entregues à China continental. Mas a lei pode pôr em causa as liberdades legais da cidade e a liberdade de expressão dos dissidentes. Os protestos são, por isso, a forma de os manifestantes exigirem direitos democráticos totais para os cidadãos de Hong Kong.

Além de tentar apelar urgentemente à paz e ao acordo entre a comunidade de Hong Kong e o governo, Robert quis passar uma mensagem positiva. “Talvez o que eu faça possa diminuir a temperatura e, talvez, provocar um sorriso. Essa é a minha esperança”, referiu em comunicado, de acordo com a “BBC”.

Este não é o primeiro arranha-céus que Robert escala sem proteção e sem autorização. Além de já ter escalado duas vezes o Cheung Kong Center em 2018, no início deste ano foi preso em Manila, nas Filipinas, depois de subir um edifício com 47 andares. O francês também já escalou o prédio mais alto do mundo —  o Burj Khalifa, no Dubai — bem como as torres Petronas, na Malásia, o edifício Taipei 101, em Taiwan, e o The Heron, em Londres.

As subidas arriscadas de Robert já lhe valeram um castigo dado pelo tribunal de Hong Kong em agosto do ano passado, depois de uma subida ilegal ao edifício Hang Seng Bank de 27 andares. O tribunal proibiu o “homem aranha” de tentar escalar mais edifícios da cidade durante 365 dias. Não se sabe ao certo se o prazo já terminou, mas a verdade é que a vontade de passar a mensagem para que a paz seja restabelecida, levou Robert a subir hoje de novo o Cheung Kong Center.

O proprietário do edifício, Li Ka Shing, colocou na sexta-feira, 9 de agosto, uma série de anúncios nos jornais de Hong Kong onde se podia ler “pare com a raiva e a violência em nome do amor”. De acordo com o “South China Morning Post”, um porta voz de Li referiu que o bilionário partilhou estas mensagens porque acredita que a prosperidade de Hong Kong depende do princípio de “um país, dois sistemas”. No comunicado, Li Ka Shing acrescenta ainda: “Precisamos de valorizar a nossa identidade como chineses e cidadãos de Hong Kong, assim como valorizamos a nossa liberdade, a empatia e o estado de direito”.

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