Ser vegan não é só cortar com a carne, o peixe, o leite e os ovos. Quem se identifica com esta catalogação, tem uma consciência diferente no que toca ao uso de tudo o que seja de origem animal. Não vão a circos nem ao Zoomarine, não usam cremes testados em animais e não compram nada feito com peles.

E com o número de pessoas a adotar este estilo de vida a aumentar, as marcas viram-se obrigadas a reformular algumas das coleções. A marca Dr. Martens, atenta à tendência, criou uma gama vegan e viu as vendas dispararem.

A coleção de botas feitas com plástico sintético de poliuretano em substituição do couro, fizeram subir os lucros da Dr. Martens em 70% entre março de 2018 e março deste ano, traduzindo-se num lucro superior a quase 92 milhões de euros. Contudo, as vendas da linha vegan correspondem atualmente apenas a 4% do total, de acordo com o jornal “The Guardian”.

Mas a marca cresceu também noutras direções. As botas originais, as sandálias, as colaborações com os Sex Pistols e com o designer Marc Jacobs, ou as versões para crianças, também contribuíram para os lucros elevados. Estes produtos podem ser encontrados online, uma das principais fontes de lucro, representando 16% das receitas totais da empresa (que em números são mais de 78 milhões de euros).

Verney é a marca portuguesa que vende sapatos vegan (e intemporais)

As botas Dr. Martens são fabricadas no Reino Unido desde 1960, mas desde então que a marca tem feito várias modificações, quer nos produtos que vende, quer na estrutura interna da empresa. As primeiras — cujo modelo ainda existe — têm oito ilhóses (estrutura de metal com a função de fechar e ajustar a bota ao pé), são vermelho-cereja, e são feitas em couro napa. Ficaram populares nas décadas de 60 e 70 entre os skinheads e os punk.

Uma das grandes mudanças na marca deu-se quando, em 2003, a empresa Permira comprou a Dr. Martens, com o objetivo de voltar a subir os lucros que estavam até esta altura em declínio. A empresa, que tem escritórios por toda a Europa e mais de 43 biliões de euros de capital, pode estar prestes a dar um novo rumo à marca.

A Dr. Martens está há cinco anos e meio nas mãos da Permira, mas o chefe executivo da marca, Kenny Wilson disse ao jornal inglês que pode estar a chegar uma decisão da Permira. “Eles estão a começar a ver quando é que no futuro vão vender o negócio”, acrescenta. A verdade é que desde que está nas mãos da Permira, a marca inglesa quase triplicou as receitas. Passou de mais de 175 milhões de euros entre 2012 e 2013, para quase 500 milhões de euros em março.

Apesar de a marca estar a apostar na venda direta aos consumidores, através da plataforma online que representa 44% das vendas, a Dr. Martens tem mais de 109 lojas próprias, incluindo duas novas no Reino Unido e outras quatro nos EUA. Em Portugal as botas estão à venda na plataforma online e no site do El Corte Inglés.