Cyntoia Brown foi libertada esta quarta-feira, 7 de agosto, de uma prisão no Tennessee, EUA. Cumpriu 15 anos de prisão perpétua pelo homicídio, em 2004, de Johnny Allen, um agente imobiliário de Nashville, Estados Unidos.

Foi em 2006 que Cyntoia, na altura com 16 anos, foi condenada a prisão perpétua depois de ter disparado na cabeça do agente imobiliário de 43 anos.

Descobriu-se durante a investigação que o seu namorado de 24 anos lhe arranjava encontros com outros homens para ganhar dinheiro. De acordo com “Insider”, Allen encontrou-se com ela num restaurante Sonic — cadeia de restaurantes de refeições rápidas —, comprou-lhe comida e de seguida foram para a casa do agente imobiliário. A polícia disse que Cyntoia disparou na parte de trás da cabeça de Allen com uma arma carregada que ela levou com o objetivo de o roubar. No entanto, de acordo com os advogados, Brown era uma vítima de tráfico sexual e que não estava mentalmente estável para ser culpada pelo assassinato, e que o seu comportamento ficou para sempre afetado pelo facto de a mãe beber grandes quantidades de álcool enquanto estava grávida.

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No entanto, e apesar de todas estas condicionantes, foi julgada como adulta, condenada por roubo e homicídio em primeiro grau e condenada à prisão perpétua — a lei estadual ditava que não seria elegível para liberdade condicional pelo menos por 51 anos. O caso tornou-se polémico e chegou a atrair a atenção de várias figuras públicas, entre elas Kim Kardashian West , que apelou à libertação de Brown. 

Em janeiro deste ano, perto do final do seu mandato, o ex-governador Bill Haslam concedeu clemência,  “um ato de misericórdia que proporciona alívio de certas consequências de uma condenação criminal”, segundo a Unidade de Clemência Executiva do estado.

A sentença de Brown foi então alterada e substituída por uma sentença menor. Brown, que agora tem 31 anos, vai permanecer em liberdade condicional durante dez anos e deve participar em sessões regulares de aconselhamento e fazer pelo menos 50 horas de serviço comunitário, trabalhando também com jovens em situação de risco. Faz também parte do processo que seja colocada no mercado de trabalho.

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Num comunicado, Brown agradeceu a todos que a apoiaram e disse que vai usar a própria experiência para ajudar outras vítimas de abuso. “Quero agradecer em primeiro lugar a Deus, que tornou tudo isto possível, e também ao ex-governador Bill Haslam. Não posso deixar de agradecer aos meus defensores que falaram em meu nome e oraram por mim”, disse Brown uns dias antes da libertação.

“Eu sou abençoada por ter uma família e amigos que me vão apoiar ​​nos próximos dias. Espero usar as minhas experiências para ajudar outras mulheres e raparigas que sofrem de abuso e exploração”, concluiu.