Companhia aérea SATA perde-lhe a gata — e Pedro ameaça com greve de fome

Ayhuasca viajou para S. Miguel mas nunca desembarcou. Dono está em Lisboa desde segunda-feira, a dormir no carro enquanto espera novidades.

Ayhuasca tem seis anos e é a primeira vez que viajava no porão

Ainda que vivesse em Lisboa, Pedro tinha pensado passar uns dias de férias em São Miguel, de onde é natural. Como era só por uns dias e ia sozinho, marcou uma viagem há já alguns meses pela Ryanair para dia 1 de agosto.

No entanto, uma oportunidade de trabalho na área do fitness, na qual trabalha há já vários anos, fez com que esta viagem passasse de umas simples férias para uma viagem definitiva. Pedro iria começar a trabalhar em São Miguel e, por isso, as duas gatas com quem vivia em Lisboa iriam consigo.

Uma vez que a Ryanair não permite o transporte de animais (à exceção de cães-guia em determinadas rotas), acabou por tratar de tudo com a SATA, para que Ayhuasca e Kiki chegassem à ilha perto da hora do seu voo pela Ryanair.

Pagou 88€ pelo embarque dos animais, numa conta que chegou aos 200€ com as confirmações de vacinação e aptidão para viajar dadas pelo veterinário e que são exigidas para que a companhia aérea dê autorização à viagem.

Pedro desembarcou, Kiki também, mas duas horas depois de estarem já em terra não há sinal de Ayhuasca. “Passei-me da cabeça”, conta à MAGG. O funcionário do aeroporto disse que depois de muito procurar só tinha encontrado a caixa de uma das gatas e que a outra nunca chegou a embarcar.

Pedro apresentou queixa de imediato e ficou no aeroporto João Paulo II até de madrugada, à espera de uma resposta. Conseguiu perceber ainda nessa noite que a caixa estava fechada e vazia em Lisboa e, por isso, voltou na manhã seguinte. Ao ver que o processo não avançava, apresentou uma queixa crime na Policia de Segurança Pública, em Ponta Delgada.

O fim de semana foi passado ainda no aeroporto, junto dos balcões de atendimento, a tentar que alguma coisa fosse feita. “A SATA só me prometia que estavam a fazer todas as diligências possíveis para encontrar a gata, mas na prática não via nada a ser feito”, refere. Esta suspeita confirmou-se quando, já no sábado, dia 3, contactou o gabinete de relações públicas do aeroporto que, por sua vez, fala com diferentes departamentos dentro da SATA e nenhum tinha conhecimento de qualquer processo a decorrer para que o animal fosse encontrado.

Pedro decidiu então voar para Lisboa. “Depois de estar eu a contactar toda a gente e a fazer o trabalho que competia às autoridades, paguei o meu bilhete só de ida e estou em Lisboa desde segunda-feira”, conta à MAGG.

Já sem casa na capital, acabou por dormir no carro, estacionado perto do aeroporto, onde tem passado as últimas horas a tentar encontrar uma resposta.

Ainda na segunda-feira, 5 de agosto, conseguiu ter autorização para vasculhar a zona reservada de cargas e descargas. “Mas é uma área enorme, sozinho não consegui nada”. É por isso que Pedro insiste para que a companhia lhe dê acesso às câmaras de vigilância para perceber em que zona procurar. Além disso, espera agora autorização da SATA para que possa reunir um grupo de pessoas que o ajudem a procurar no local.

Pedro avisa: “Vou colaborar com tudo o que a SATA precise para resolver o caso, mas caso veja que nada é feito até ao fim do dia, avanço com uma greve de fome”.

A MAGG tentou contactar a SATA, sem sucesso. No entanto, na sua página oficial, a companhia aérea confirma que no dia 1 de agosto foram entregues ao agente que assegura o despacho da carga em Lisboa, dois gatos domésticos acondicionados em duas caixas de transporte de animal, para embarque no voo entre Lisboa e Ponta Delgada.

“No momento do carregamento do porão do avião, os assistentes de handling depararam-se com a porta da caixa aberta e com a ausência de um dos gatos. Perante o sucedido, a segunda caixa não embarcou tendo sido, de imediato, internamente comunicado o desaparecimento do felino”, pode ainda ler-se.

A companhia garante que, desde então, têm sido tomadas todas as diligências no sentido de encontrar o animal desaparecido e aproveita para referir que este caso servirá para que, no futuro, a segurança seja reforçada. A SATA “sensibilizará, doravante, os expedidores para a necessidade de reforçar com fitas de selagem adicionais, todos as caixas que se destinam ao transporte de animais, no porão das suas aeronaves, considerando que esta poderá ser adotada como medida de precaução adicional.”

O PAN Lisboa — Partido das Pessoas, dos Animais e da Natureza já interveio e, numa publicação feita no Facebook, garante que já contactou as entidades responsáveis “para obter esclarecimentos sobre o que está a ser feito para recuperar o animal desaparecido”. O partido quer saber “se já existe alguma equipa de resgate no local, bem como sobre que procedimentos podem ser melhorados para que situações como esta não se voltem a repetir, uma vez que este não é, infelizmente, um caso isolado”.

De facto, basta pesquisar sobre o tema para encontrar um caso recente. No Natal de 2018, um gato andou perdido no Aeroporto de Lisboa, quando devia ter embarcado num voo da TAP rumo à Madeira. A caixa transportadora de Jackie chegou vazia e sem porta.

O gato foi visto a 3 de janeiro por um funcionário da Portway perto da zona do terminal de carga e foi capturado e enviado para a Madeira no dia 5.

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