Desde pequeno que Fionn Ferreira se preocupa com o ambiente. Mas os seus receios e vontade de agir não se ficam pelo plano teórico: foi este lusodescente de 18 anos que, a 29 de julho, venceu a Feira de Ciência da Google na categoria de Prémio Principal pela invenção de um sistema que elimina os microplásticos da água.

De acordo com o que revela à MAGG, foram os pais que lhe incutiram os princípios das práticas sustentáveis, tanto que para ele é normal fazer compostagem e, assim, eliminar resíduos de forma consciente. Mas outros fatores despertaram a atenção deste jovem com raízes no Barreiro — local que visita frequentemente para ver os avós, primos e tio — para a importância da conservação do ambiente.

“O problema tocou o meu coração”, diz Fionn, numa alusão às motivações que o levaram a desenvolver este método que pretende solucionar o gigante problema que é o dos plásticos nos oceanos. A invenção reflete a sua preocupação face ao ritmo acelerado a que a Terra se deteriora: “Vamos matar a natureza e o ambiente na próxima geração. Vai tornar-se um planeta morto”.

Mas há mais na origem dos interesses de Fioon Ferreira. O lusodescendente sempre gostou de ciência e da natureza, duas áreas que, na sua opinião, andam de mãos dadas. A influência dos pais volta aqui a ser determinante. As suas ocupações profissionais mostram isso mesmo: a mãe, alemã, estudou física, e o pai, de quem herdou a veia portuguesa, é marceneiro (construtor de barcos de madeira).

Mas foi na Irlanda que Fioon cresceu e que desenvolveu as ideias que lhe valeram o prémio de 45 mil euros concedido pela Google. Antes disso, já tinha apresentado à gigante tecnológica outras invenções: o primeiro projeto que levou à Feira Anual de Ciência da Google foi um sistema que permitia limpar aquários usando caracóis da lagoa (uma espécie deste grupo dos moluscos que vive em água doce). A ideia promissora foi o começo do caminho que levou o jovem a alcançar o Grande Prémio na última edição da Feira.

Lusodescendente vence prémio da Google com projeto inovador para salvar o planeta

Estes são apenas dois dos projetos que Fionn Ferreira já desenvolveu. A par das ideias cientificas, o quotidiano do lusodescendente envolve também ações ecológicas: “Elimino o lixo, tento não viajar muito e uso bicicleta”. Fionn refere que apesar de estarmos num bom caminho para reverter a situação do aquecimento global, toda a gente deve fazer parte desta mudança. O primeiro passo, na sua opinião, passa por “ouvir, agir e não usar mais plásticos.”

Quando o jovem irlandês não está a pensar em novos projetos para mudar o mundo, tem outros passatempos como qualquer rapaz de 18 anos: “Toco trompete, leio livros e dirijo um planetário.”

Fionn ainda está a assimilar a recente vitória na Feira de Ciência da Google, mas o próximo passo já está traçado. Vai prosseguir os estudos na Universidade de Groningen Stratingh, na Holanda, e diz que, no futuro, “adorava ser investigador e comunicador.”

O lusodescendente está a pensar em novas soluções para os problemas ambientais. Mas não adianta muito. É que, para já, “esses são segredo”.