Sam suicidou-se na frente de 50 colegas da escola

Uns dizem que sofria de bullying, outros que estava preocupado com as notas. A história está a chocar o Reino Unido.

Sam Connor foi declarado morto no local

Ninguém sabe ao certo o que Sam Connor estava a sentir nos dias que antecederam a sua morte. Alguns colegas dizem que sofria de bullying na escola, outros garantem que estava preocupado com as notas. As versões contradizem-se, mas todos descrevem Sam como um “rapaz adorável e educado”. Aos 14 anos, porém, o aluno do 9.º ano atirou-se para a frente de um comboio em Chertsey, Surrey.

A tragédia aconteceu por volta das 16 horas desta segunda-feira, 15 de julho. Sam, que frequentava a Escola dos Salesianos em Chertsey, no Reino Unido, entregou o telefone e a mochila a um amigo. De seguida, atirou-se para a linha do comboio.

O que devem fazer as vítimas de bullying, de acordo com a Amnistia Internacional

  • Falar, não ficar com o sofrimento das agressões dentro delas, num silêncio que as destrói
    emocionalmente;
  • Dizer a um adulto quando são provocadas, humilhadas ou agredidas constantemente;
  • Evitar o/a agressor/a;
  • Tentar afastar-se de possíveis situações de conflito;
  • Distrair o/a agressor/a, não lhe dando importância, não mostrando inquietação nem medo;
  • Estar sempre que possível com amigos/as.

Cerca de 50 colegas assistiram horrorizados ao momento em que o adolescente foi atingido. Estavam todos à espera do meio de transporte para regressarem a casa.

“O comboio parou de repente com apenas uma carruagem ao lado da plataforma”, contou um passageiro, que se identificou apenas como Lewis, ao “Daily Mail“. Habituado a fazer aquele trajeto com o comboio cheio de crianças, naquele momento apercebeu-se de que algo tinha acontecido. Mas desvalorizou: “Pensei que talvez um dos miúdos tivesse deixado cair o telemóvel, uma vez que estavam todos a olhar para as rodas da carruagem.”

No entanto, havia raparigas a chorar. “Vimos alguns dos miúdos a inclinarem-se, literalmente de joelhos, a chamar entre o comboio e os trilhos: ‘Sam, Sam’.”

Ao “The Times“, um outro passageiro que não quis ser identificado contou: “Havia uma multidão de crianças na extremidade da plataforma, todas a olhar para baixo. Não sabia o que tinha acontecido até que ouvi os miúdos a gritarem. Eles diziam coisas como: ‘Ele fez isto, ele saltou’. Foi muito caótico”.

Sam Connor foi declarado morto no local.

“Brilhante e popular” ou alvo de bullying?

E os adultos?

  • Estar atentos a possíveis sinais de bullying nas crianças e jovens;
  • Fazer perguntas diretas às crianças, sobre como os/as colegas as tratam e se testemunham com
    frequência situações de bullying;
  • Cooperar com professores/as, assistentes operacionais e todos os outros membros da comunidade;
  • Encarar relatos e situações de bullying com toda a seriedade, por menores que possam parecer;
  • Reforçar positivamente a atitude da criança que relata episódios de bullying;
  • Ensinar as crianças a serem assertivas e não agressivas;
  • Sensibilizar as crianças para estratégias para lidar e combater o bullying;
  • Promover ambientes e atitudes favoráveis de socialização para as crianças.

Um porta-voz da Escola dos Salesianos garantiu à imprensa britânica que não havia “nenhum registo” de que a criança estivesse a ser intimidada na escola. No entanto, alguns pais e alunos asseguram que isso estava a acontecer.

“Falei com as minhas filhas quando elas voltaram para casa sobre o que tinha acontecido”, contou uma mãe ao “Daily Mail”. “Elas disseram que tinha sido o Sam e que estavam todos a dizer que ele sofrer de bullying”.

Deborah Barrett, a primeira mulher do pai de Sam e mãe das três meias irmãs do jovem, corrobora a mesma versão: “A Sophie, a minha filha mais nova, ligou-me na segunda-feira e contou-me o que o Sam tinha feito. E disse-me que ele tinha sido intimidado na escola”.

Alguns colegas de Sam, porém, garantem que o adolescente estava preocupada com as notas. Descrito como “brilhante e inteligente”, apesar dos bons resultados Sam parecia estar apreensivo com o futuro.

Em casa estava tudo bem. Segundo Deborah Barrett, Sam era o mais novo de seis irmãos e tinha uma ótima relação com todos eles. “Isto é horrível para a família”, disse. “Eles amavam-no e eram todos muito próximos”.

A comunidade está em choque. Todos descrevem Sam como “brilhante”, havendo ainda quem garanta que era “popular”, um “rapaz adorável e educado” e “charmoso”.

“Ele era uma pequena alma sensível”, recorda Deborah. “Era uma coisinha fofa que gostava de jogos. Era engraçado e sarcástico, com um grande sentido de humor. Apesar de ser tímido, nós costumávamos fazê-lo rir”.

Neste momento, a comunidade está unida para tentar superar esta tragédia. “Esta é uma situação incrivelmente difícil”, disse o diretor da escola, James Kibble, numa carta escrita aos pais. “Mas conhecendo a fé, compaixão e força da nossa comunidade escolar, estou confiante de que vamos trabalhar juntos para nos apoiarmos uns aos outros”.

Precisa de ajuda? Há alguém disposto a ouvir

Em Portugal, existem várias ferramentas disponíveis para ajudar em situações limite, seja ansiedade, depressão, risco de suicídio ou bullying.

SOS Voz Amiga: 213 544 545 (16h-24h) ou 800 209 899 (21h-24h)
SOS Estudante: 969 554 545 ou 808 200 204 (20h-1h)
Telefone da Amizade: 228 323 535 (16h-23h)
Linha Lua: 800 208 448 (20h-2h)
Linha SOS Bullying: 808 962 006 (11h-12h30 e 18h30-20h, fecha ao fim de semana)

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