O que defendem as pessoas que não acreditam que o homem foi à lua

Tudo começou com um homem, Bill Kaysing. Reunimos (e refutamos) 11 argumentos frequentes, desde a bandeira a esvoaçar até à poeira.

Em "007 - Os Diamantes São Eternos" (1971), James Bond entra num set de filmagem onde astronautas fingem estar a pisar a lua

Foram precisas 195 horas, 18 minutos e 35 segundos para completar a missão espacial mais ambiciosa de sempre. Em plena corrida espacial, com os norte-americanos e soviéticos a gladiarem-se para ver quem conseguia a maior conquista, os Estados Unidos conseguiram colocar dois astronautas na lua: Neil Armstrong e Edwin J. Aldrin. Michael Collins também fazia parte da missão, mas nunca chegou a pisar solo lunar.

Depois de 380 mil quilómetros percorridos, 400 mil funcionários envolvidos e uma quantia astronómica despendida na missão (ninguém sabe os números ao certo mas, entre 1960 e 1973, a NASA gastou quase 260 mil milhões de euros), o homem chegou pela primeira vez à lua. Aconteceu a 20 de julho de 1969, faz este sábado 50 anos.

Foi uma missão impressionante. Mas só foi preciso um único homem para que este momento único na história fosse posto em causa: falamos de Bill Kaysing, o norte-americano que, em 1974, publicou um panfleto intitulado “Nunca chegámos à lua”. Aquela que é considerada por muitos como a primeira teoria da conspiração à escala planetária deu origem mais tarde a um livro, muitas discussões e a crença genuína de que foi tudo uma farsa.

Bill Kaysing refutou a vida inteira a veracidade de alunagem. Morreu em 2005

Segundo a revista “Time“, um estudo realizado pelo instituto Gallup, nos Estados Unidos, em 1999, revelou que 6% dos norte-americanos não acreditava que o homem tinha ido à lua e 5% estavam na dúvida. No ano passado, Iker Casillas publicou um tweet onde questionava a missão Apollo 11, provocando milhares de comentários — curiosamente ou não, muitos concordaram com ele.

Em que se baseiam estas pessoas para dizer que nunca chegámos à lua? Todas as fotografias dos homens na lua — já vamos em 12 — estão disponíveis online, no site The Project Apollo Arquive. É a partir deste arquivo que surgem as teorias que defendem que tudo não passou de um esquema.

1. Porque é que não se viam estrelas no céu?

Se não existe atmosfera na lua, as estrelas deveriam ser visíveis. Este é um dos principais argumentos defendidos por quem não acredita que a viagem à lua aconteceu mesmo. A verdade é que a explicação é bastante simples: se tirar uma fotografia noturna a uma paisagem muito brilhante, também não vai captar as estrelas. Isto está relacionado com o tempo de exposição, isto é, o tempo que a câmara demora a fazer uma foto.

Uma vez que o tempo de exposição foi muito curto, houve menos tempo para entrar luz — portanto, as imagens ficaram mais escuras, não sendo or isso possível captar as estrelas.

2. Os astronautas não deveriam ter morrido com a radiação presente nos cinturões de Van Allen?

É verdade que os cinturões de Van Allen libertam radiação, no entanto essas duas áreas radioativas que envolvem o planeta, a mil e 15 mil quilómetros da Terra, foram atravessas em apenas uma hora. Não houve tempo suficiente para os astronautas serem expostos à radiação. Além disso, o metal presente na nave Apollo bloqueou a grande maioria.

3. Não se levantou poeira durante a alunagem

Quando a nave espacial pousou na lua, não se levantou poeira. Porquê? Porque estamos a falar de uma camada de pó muito fina, num ambiente sem ar. O módulo de alunagem aterrou essencialmente em rocha sólida, que apesar de ter sido levrada para longe pelo impacto da descida, rapidamente regressou ao chão.

4. Não ficou nenhuma cratera no chão

Mais uma vez, tendo o módulo de alunagem aterrado em rocha sólida, não era possível que fosse criada uma cratera com o impacto. Mesmo que o chão fosse menos duro, a quantidade de pressão produzida pelo motor é demasiado pequena comparada com uma aterragem na Terra devido às diferenças nas forças gravitacionais.

5. Então porque é que as pegadas dos astronautas ficaram visíveis?

Sem humidade, atmosfera ou forte gravidade, as pegadas ficam inesperadamente bem preservadas. A falta de vento também ajuda.

6. Porque é que a bandeira dos EUA ondula se não há vento na lua?

A bandeira só parece esvoaçar porque o mastro da bandeira, de alumínio flexível, continuou a abanar depois de os astronautas o largarem. Parece que o vento está a soprar, mas não é verdade.

7. A temperatura na lua pode chegar aos 120 graus. Como é que os astronautas não morreram?

A missão teve isso em consideração, por isso programou a alunagem para uma altura em que a temperatura não estivesse tão alta.

8. As sombras não deviam ser completamente negras, tendo em conta que o sol é a única fonte de luz?

A própria lua tem uma superfície brilhante e reflete a luz do sol. Os fatos e o módulo lunar também refletiam essa luz.

9. Stanley Kubrick ajudou a NASA a falsificar as imagens

O realizador de cinema foi acusado várias vezes de estar envolvido na falsificação da alunagem. O cineasta Howard Berry garantiu num podcast que isso não é possível: as fotografias da alunagem seriam impossíveis de falsificar. Se a ida do homem à lua tivesse sido gravada em estúdio, o filme resultaria em imagens com 25 a 30 frames por segundo.

Só que o vídeo da alunagem foi gravado a dez frames por segundo, com uma câmara especial.

10. Não podiam ter usado a câmara num estúdio e depois abrandar o vídeo para dar a impressão de que havia menos gravidade?

À época, as câmaras só eram capazes de armazenar filmes em câmara lenta num total de 30 segundos, para uma reprodução de 90 segundos em slow motion. Para captar 143 minutos em câmara lenta, seria necessário gravar e armazenar 47 minutos de ação ao vivo, algo que na altura era impossível.

11. Se é tudo verdade, porque é que nunca mais voltámos à lua?

O último homem a pisar a lua foi Eugene Cernan, em 1972. Nesta altura, a disputa com a União Soviética deixou de ser uma prioridade nacional, até porque estas missões eram excessivamente caras para o orçamento do país. Os especialistas são unânimes ao concordar que a viagem à lua aconteceu mais por motivos políticos do que por interesses científicos. Essencialmente, estava em jogo a competição pelo controlo do espaço. Com a lua “conquistada” pelos Estados Unidos 12 vezes, já não havia razão para voltar.

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