Filipa Veiga e Vera Simões representam o ioga, Rute Caldeira a meditação. As três, sentadas de frente para quem veio conhecer as últimas novidades do Wanderlust, o triatlo mindful que volta a Lisboa a 29 de setembro, tentam explicar por palavras aquilo que esta prática diária lhes trouxe.

“Quando me perguntam o que mudou na minha vida com o ioga, eu respondo: o que é que não mudou?”, refere Filipa, professora de Ashtanga Ioga. É que ainda que tenha tido sempre uma vida ativa, com a prática de desporto e dança, com o ioga foi especial. “Senti logo uma diferença em mim na primeira aula que fiz. E, desde aí, não consegui parar”.

Também Vera Simões, decidiu que queria ser professora de ioga logo na primeira que aula, ainda como aluna, e sem saber sequer muito bem o que era aquilo do ioga. “Tinha 16 anos e vi nos Açores um senhor estranho — para mim era estranho, em posições esquisitas, mas que se movia com uma leveza que nunca tinha visto”, conta. Aquilo intrigou-a e, já em Lisboa, pegou nas Páginas Amarelas e encontrou uma escola de ioga perto de casa. Foi, e de lá só saiu para abrir a sua, a Ashtanga Cascais.

Já Rute garante que a meditação lhe trouxe “uma nova mente”. Sofria de endometriose em grau 4, o estado mais avançado da doença, e o corpo estava mais débil do que nunca. “A meditação resgatou-me para uma mente saudável e isso voltou a dar-me um corpo saudável”, explica a professora de meditação, que associa a prática à higiene diária. “Para não ter cáries, lavo os dentes diariamente. Mas se fosse possível ver as cáries que temos na mente, toda a gente acordava uma hora mais cedo para meditar ou praticar ioga”.

A ciência ainda não chegou lá e, enquanto esperamos, não dizemos para que toda a gente madrugue diariamente para asanas e respirações, mas sugerimos que, pelo menos, o faça neste dia. A 29 de setembro, os jardins da Fundação EDP abrem bem cedo, até porque há muito para fazer.

O recinto recebe os primeiros visitantes às 8h30 e o evento começa com uma corrida de cinco quilómetros, mas que também pode fazer em passo de caminhada. Logo a seguir, Vera e Filipa unem-se para uma aula de ioga ao ar livre e Rute termina o triatlo com uma meditação em grupo. E quando dizemos grupo, queremos dizer que ali estarão, pelo menos, 3.500 pessoas.

Baraza Studio. O estúdio de ioga mais bonito de Lisboa fica em Santos

Nuno Silva Carvalho, da Soma, responsável pela organização do evento, lembra que na primeira edição, em 2017, esperavam cerca de mil pessoas e receberam 2.250 — número que cresceu no ano passado e que, por muito que queiram, não pode aumentar muito, pelo menos enquanto o evento acontecer naqueles jardins.

Nuno tenta que o Wanderlust tenha coisas novas para apresentar todos os anos. “Senão torna-se aborrecido”, refere, e aborrecido não é de todo palavra que se adeque a esta mente que consegue parar. Em dez minutos de conversa, confidencia-nos que para o ano vão testar o Wanderlust em versão festival. “Primeiro apenas com um dia inteiro e, mais tarde, num evento de quatro dias”. Levanta ainda mais o véu ao adiantar que este festival vai acontecer num dos hostels Selina — onde aliás foi apresentada esta edição do Wanderlust — mas desta vez, fora de Lisboa e Porto, cidades onde a rede de alojamento já está presente. É que além da abertura também na Ericeira e Vila Nova de Milfontes, o Selina vai inaugurar um espaço no Gerês e Nuno não encontra melhor cenário para um triatlo de bem-estar, ainda por cima em versão prolongada.

Mas para já foquemo-nos em setembro e num dia que, já por si, contraria as normas do que acontece nas outras 60 cidades que recebem o Wanderlust. É que se no resto do mundo o Wanderlust termina às 13 horas, em Portugal tem acabado por volta das 18. “Os portugueses gostam de se deixar estar, a desfrutar de tudo o que o evento oferece”, refere Nuno, aproveitando para lembrar que este ano vão acontecer ainda mais talks, showcookings e palestras do que tem sido habitual.

5 meditações para fazer de segunda a sexta-feira (só precisa de 5 minutos)

Vai haver também uma zona de restauração com mais opções vegetarianas e um mercado com produtos relacionados com o bem-estar — este de acesso livre.

Os bilhetes já estão à venda em dois formatos. O de 30€ dá direito acesso ao triatlo, às palestras e inclui uma bandana e o dorsal da corrida. Já o de 35€ inclui também um goodie bag com uma T-shirt, uma bandana e um dorsal.