Quando aos 27 minutos da primeira parte a avançada brasileira Marta abre o marcador do jogo do campeonato mundial de futebol feminimo entre o Brasil e a Austrália, decide festejar apontando para a sua chuteira. Até aqui, tudo bem, mas a chuteira da jogadora tinha uma particularidade: não exibe qualquer marca. A única coisa que existe é o símbolo de igualdade (=).

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Marta é a melhor jogadora do mundo, é a única a marcar em cinco Mundiais, mas está sem contrato de patrocínio desde o ano passado. A jogadora recusou todas as propostas por considerar que ficava aquém daquilo que é proposto no futebol masculino. O jornal “Veja São Paulo” dá conta de que Neymar recebe 269 vezes mais do que Marta.

“O que foi proposto foi bem abaixo do que eu recebia, bem menos. Achei por bem não renovar. Muito abaixo do que se vê no futebol masculino. Então resolvi fazer isso. Mais uma oportunidade para lutar pelos nossos direitos. Há uma diferença muito grande em relação a salários e temos que estar sempre a lutar para provar que somos capazes“, afirmou a brasileira, em entrevista ao “Globoesporte”.

Posto isto, a jogadora criou a marca “Go Equal” para lutar contra a desigualdade de género no desporto. Tanto empenho, fora e dentro das quatro linhas, despertou a curiosidade de muitos. Afinal, quem é esta Marta?

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Chama-se Marta Vieira da Silva, tem 33 anos e tem batido recordes atrás de recordes. Já foi considerada a melhor jogadora do mundo por seis vezes (mais uma que Cristiano Ronaldo e Messi), é a melhor marcadora da seleção brasileira com 90 golos (Pelé só tem 77) e já igualou Miroslav Klose com o maior número de golos marcados em campeonatos do mundo (16).

Tudo parece correr de feição, mas a verdade é que nem sempre foi assim. Numa carta que Marta escreveu para a Marta de 14 anos no “The Players Tribune“, a 27 de agosto de 2017, revelou algumas das dificuldades que passou ao longo da sua carreira como jogadora de futebol.

A melhor marcadora da seleção brasileira relembrou os tempos em que jogava futebol na sua terra natal, Dois Riachos, no Brasil. Na altura não era muito comum ver uma rapariga jogar à bola e, por isso, recebia comentários desagradáveis e chegou mesmo a ter que abandonar um torneio depois de um treinador ameaçar retirar a sua equipa se ela jogasse.

“Você se lembra daquele torneio de algumas semanas atrás? Quando o seu time de Dois Riachos jogou na cidade de Santana do Ipanema pela liga local? Você tinha jogado nesse torneio antes, você até foi reconhecida pela sua habilidade como uma das principais jogadoras. Mas isso não contou. Porque neste ano, um outro técnico de um outro time disse que, se eles tivessem de jogar contra você, ele vai tirar o time dele do torneio. ‘Este não é um lugar para meninas’, ele disse“, escreveu a jogadora.

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Nada disto a travou. Foi para o Rio de Janeiro onde entrou para a equipa feminina do Vasco da Gama. Foi convocada pela seleção brasileira e disputou o mundial de sub-20 em 2002 e, no ano seguinte, o mundial de séniores.

As suas boas exibições levaram-na para a Suécia e aí as coisas começaram a ganhar uma nova dimensão. Ganhou tudo o que havia para ganhar com o Umeå IK, Tyresö FF e FC Rosengard. Pela seleção brasileira venceu três vezes os Jogos Pan-Americanos, três Copa América e duas medalhas de prata nos Jogos Olímpicos de 2004 e 2008.

Se no Brasil, Pelé é conhecido como o “Rei”, Marta é também apelidada de “Rainha”. É, aliás, a primeira mulher a ser homenageada no Maracanã, com as suas pisadas marcadas na calçada da fama do estádio. Em 2018, a ONU nomeou Marta como Embaixadora da Boa Vontade para as mulheres no desporto. Atualmente Marta joga nos Estados Unidos pelo Orlando Pride.