Ellen DeGeneres fala sobre o abuso sexual de que foi vítima por parte do padrasto

Procurou várias vezes nódulos no seu peito. Uma noite, tentou derrubar a porta do seu quarto. A mãe demorou anos a acreditar.

"É tempo de termos uma voz. É tempo de termos poder", disse

Foi na segunda temporada do programa da Netflix “O Próximo Convidado Dispensa Apresentações com David Lettermen”, com estreia marcada para 31 de maio, que a apresentadora Ellen DeGeneres deu pormenores sobre o abuso sexual de que foi vítima por parte do padrasto quando era adolescente. Teria entre 15 e 16 anos — não consegue precisar — quando o homem lhe tocou, várias vezes, no peito, sob o pretexto de estar à procura de nódulos.

Segundo o “Daily Mail“, pela altura, Betty, mãe da apresentadora, que na altura sofria de cancro da mama, não acreditou na história, tendo mantido aquela relação durante 18 anos.

“Quando ela [a mãe] estava fora da cidade, ele disse-me que ele tinha sentido um nódulo no peito dela e que precisava de sentir as minhas mamas, porque não a queria chatear”, conta. “Como não percebia nada sobre corpos, não sabia que as mamas são todas diferentes. De qualquer maneira, ele convenceu-me de que precisava de sentir as minhas mamas, depois tentou fazê-lo outra vez, e outra vez.”

O padrasto foi mais longe e houve uma noite em que Ellen teve de fugir e dormiu num hospital. “Ele tentou derrubar a porta do meu quarto. Dei um pontapé na janela e fugi porque sabia que ele ia fazer mais qualquer coisa… não queria contar à minha mãe porque estava a tentar protegê-la e sabia que ia arruinar a felicidade dela.”

A mãe hoje reconhece a veracidade da história da filha, mas demorou anos. Só depois de notar que o então marido estava constantemente a contar versões diferentes da história é que percebeu que a agressão sexual tinha mesmo acontecido. Foi aí que o deixou. “Gostava que ela tivesse acreditado em mim”, disse. “Estou chateada comigo porque não… eu era muito fraca para me defender… Tinha 16 ou 17 anos.”

A apresentadora de 61 anos adianta que está a dar detalhes da história porque sente que outras miúdas, que estão a passar pelo mesmo, se podem identificar. “Eu nunca devia tê-la protegido. Devia-me ter protegido a mim. Não lhe disse nada durante alguns anos e só depois é que lhe disse”, recorda. Sobre a mãe, acrescentou: “Tomei conta dela a minha vida toda. Portanto, só continuei a tomar conta dela.”

Houve outra situação polémica que fez Ellen falar sobre aquilo que lhe aconteceu: em 2018, depois de Christine Blasey Ford ter sido criticada por ter feito acusações de agressão sexual contra Brett Kavanaugh — que, mesmo assim, foi nomeado juiz do Supremo Tribunal de Justiça, nos Estados Unidos. Mas foi à revista “Allure”, em 2005, que confessou, pela primeira vez, aquilo que lhe tinha acontecido.

“Quando oiço pessoas a falarem, especialmente agora, fico zangada quando vejo que não acreditam nas vítimas, porque nós não inventamos as coisas. Eu gosto de homens, mas há tantos homens que escapam de tantas coisas”, diz, citada pelo “Daily Mail”. “É tempo de termos uma voz. É tempo de termos poder.”

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