Deputado do Bloco de Esquerda analisa o 2.º episódio de “A Guerra dos Tronos”

José Manuel Pureza garante que estamos perante a iminência do fim, onde os jogos de poder valem pouco. "Haverá um depois?", questiona.

Da política ao humor, a MAGG pediu a várias personalidades que vibram com a série que analisassem a oitava e última temporada

Paulete Matos

Depois de muitas teorias no Reddit, contagens decrescente nas redes sociais e lágrimas ao rever os episódios mais dramáticos, “A Guerra dos Tronos” está de volta. O final vai ser contado em apenas seis episódios, e todos eles vão ser transmitidos na HBO Portugal e no canal SyFy.

Da política ao humor, a MAGG pediu a várias personalidades que vibram com a série que analisassem a oitava e última temporada. O segundo episódio ficou a cargo de José Manuel Pureza, deputado do Bloco de Esquerda. 

Opinião. Andámos sete temporadas inteiras para chegar aqui

Vem lá a ofensiva da tristeza. A imagem icónica deste episódio são as patas esquálidas do cavalo que estancam diante da fortaleza. Tudo gela diante da iminência do fim que vem lá. E este é o lento e espesso tempo da espera.

Cara a cara com a ofensiva da tristeza, o que se joga não é mais a lealdade, é a crua sobrevivência. Sim, quando a probabilidade do fim se adensa, a lealdade (como a de Theon Greyjoy com Sansa Stark, ou a de Jaime Lannister com “os vivos”) tem nobreza, mas é bem capaz de não ter amanhã. E nem mesmo as alianças escapam ao confronto com a iminência do fim.

Alianças impossíveis, umas por causa do passado (como a de Jaime Lannister com Brandon Stark), outras por causa do futuro (como a de Daenerys Targaryen com Sansa Stark) mostram que é o medo, mais que o projeto, que une os caminhos desencontrados.

Andámos sete temporadas inteiras para chegar aqui e vermos o que era óbvio: os jogos de poder valem tão pouco e são tão postiços quando o fim está iminente.

Só a agonia desta espera lenta explica que Tyrion quase tenha perdido o sentido de humor (como é possível um episódio sem o humor corrosivo de Tyrion, santo Deus?) ou que Lord Varys passe a figurante mudo em vez de intérprete cínico do manobrismo político.

Sobra Cersei. Sobra sempre Cersei. Não há internacionalismo solidário que a amoleça. Quem passou sete temporadas a defender os seus e só os seus, ia agora virar cosmopolita a quatro episódios do fim?

E sobra a pergunta genial que dá espessura insuportável a esta espera: haverá um depois?

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