Atriz defende marido pedófilo. “Ainda tenho orgulho de estar casada com ele”.

Maddie Cornman explicou em entrevista porque é que não abandonou o marido na altura em que foi detido por ter conteúdos de abuso infantil.

Após uma rusga à casa do casal, Alexander foi detido por fazer o download e partilhar imagens de pornografia infantil

Madeleine Cornman, mais conhecida como Maddie Cornman, tinha apenas 14 anos quando iniciou a carreira de atriz — e chegou a entrar em filmes bem conhecidos como “Sete Minutos no Paraíso” ou “Alguém Muito Especial“. Hoje com 48 anos, está mais ligada ao teatro e a pequenas participações em séries. Esta quarta-feira, 17 de abril, deu uma entrevista ao jornal britânico “The Times” a propósito da peça que escreveu e protagoniza. O tema? O rumo inesperado que a sua vida tomou.

Foi em 1998 que Maddie e Jace Alexander casaram. O realizador e ator nova-iorquino tinha uma carreira relativamente sólida na televisão, tendo chegado a realizar séries como “Lei & Ordem“, “Prison Break“, “Ally McBeal“, “House” ou “Blacklist“.

Apesar das suas profissões fora do “normal”, eram um casal como qualquer outro. Tinham uma casa, carro e três filhos, dois deles gémeos.

Tudo mudou a 29 de julho de 2015. Após uma rusga à casa do casal, Alexander foi detido por fazer o download e partilhar conteúdos de pornografia infantil. Os ficheiros foram encontrados no seu computador pessoal, na sequência de uma investigação policial que foi dar ao endereço IP do realizador. Acusado de promover pornografia infantil, em janeiro de 2016 declarou-se culpado. Em junho desse ano, foi condenado a dez anos em liberdade condicional. Além disso, teve de se registar como agressor sexual.

Na altura da sentença, Maddie escreveu uma carta ao júri a defender que Alexander devia continuar a viver com os filhos caso não fosse preso. A decisão de ficar ao lado do marido gerou controvérsia — estaria ela a defender as suas atitudes? Como é que podia ficar ao lado de alguém que consumia aquele género de conteúdos?

“Eu não tinha interesse nenhum em ter os meus filhos a crescer sem um pai. Contando, claro, que ele estivesse disposto a pedir ajuda e a ser a melhor pessoa que pudesse”, explica Madeleine Cornman ao jornal britânico “The Times”.

Maddie sabe que a sua decisão não é vista com bons olhos por muitas pessoas. E até admite que gostava de não se importar com isso, mas incomoda-a. “Não gosto de ter que me defender da escolha que fiz. Não gosto que os meus filhos possam potencialmente ler isto. É muito, muito doloroso para mim, e realmente não foi algo que estivesse à espera”. Ainda assim, garante: “Ainda tenho orgulho de estar casada com ele”.

Madeleine Cornman em "Accidentally Brave"

Cornman escreveu uma peça sobre uma mulher que passa pela sua provação. “Accidentally Brave” foi o nome escolhido para um trabalho que, neste momento, apresenta todos os dias da semana no sítio onde nasceu e cresceu, Manhattan, Nova Iorque. Na peça, Maddie recebe uma chamada da filha às cinco da manhã, quando estava a caminho do trabalho. Do outro lado do telefone, ela grita-lhe que a polícia está lá em casa, a vasculhar o computador do pai.

A situação deixou Maddie em choque. Na vida real, ela recorda o momento em que perguntou ao marido se ele tinha tocado alguém. Bateu-lhe, vomitou, falou com advogados, viu as notícias da detenção. Nunca teve dúvidas, garante, de que achava que Alexander estava “doente” e de que os seus atos eram “horríveis”.

Na peça, Maddie não entra em detalhes sobre como é que o marido fez o download de conteúdos de pornografia infantil. No entanto, realça que ele nunca protagonizou nenhum deles: “Ele viu-os. Não estou a dizer que está tudo bem, mas vamos ser claros: ele fez o download e viu”, reitera perante o público.

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