“Caracol do Conhecimento”. À partida pode parecer só mais um daqueles jogos que nos fazem lembrar a nossa infância, como o Sabichão ou o Trivial Pursuit, mas não é. Desenvolvido por Stéphanie da Silva Costa, de 30 anos, terapeuta da fala e Telma Gomes Teixeira, 36 anos, psicomotricista, ambas do concelho de Seia, Guarda, o “Caracol do Conhecimento” foi pensado para ajudar as capacidades cognitivas dos idosos — embora, claro, toda a gente possa beneficiar com este jogo.

Ainda que o jogo tenha sido idealizado há mais tempo e que tenha sofrido diversas modificações desde o formato, o material ou o seu conteúdo, o “Caracol do Conhecimento” foi criado ao longo de 2018 e lançado a 16 de novembro do mesmo ano.

“Este jogo foi realizado tendo em consideração as necessidades do nosso dia a dia. Ambas trabalhamos com população adulta/idosa, notando-se uma grande dificuldade em ocupar o tempo destes com atividades (jogos) já existentes, o que nos tem levado a criar diversas atividades. A fim de colmatar esta falha decidimos criar um jogo que visa a estimulação de várias competências”, conta Stéphanie Costa à MAGG.

Apesar de este ser um jogo que foi pensado para pessoas mais velhas, Stéphanie da Silva Costa e Telma Gomes Teixeira asseguram que o “Caracol do Conhecimento” é indicado tanto para adultos e idosos como também para adolescentes.

O jogo "Caracol do Conhecimento" tem um custo de 285€

Através das várias atividades que compõem o jogo, o “Caracol do Conhecimento” procura estimular a memória, a linguagem, a atenção, a concentração e o raciocínio, ao mesmo tempo que reforça e impulsiona a interação com os restantes elementos do grupo. As áreas trabalhadas são adivinhas, provérbios, história, gastronomia, geografia de Portugal, cálculo, expressões idiomáticas, relembrar e cantar uma música ou excerto, entre muitas outras.

E como é que funciona?

Para facilitar a colocação de todas as pessoas em círculo, bem como uma maior interação entre os elementos, o jogo possui um formato grande. O “Caracol do Conhecimento” pode ser jogado individualmente ou em pares, de acordo com o número de jogadores ou das dificuldades.

“Um de cada vez, lança o dado e avança o número de casas correspondente ao do dado. Quando calhar nessa casa, deverá retirar uma carta. O próprio ou o/a ‘terapeuta’ leem o que se encontra na mesma. Se o jogador em causa não for capaz de responder, poderá solicitar a ajuda dos restantes elementos do grupo. E assim sucessivamente”, explica Telma Gomes Teixeira. “É de salientar que as respostas não se encontram escritas no respetivo cartão, para que o jogador tenha de fazer uso das diversas funções cognitivas, para obter a resposta.

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Apesar de só ter sido lançado há pouco mais de três meses, as criadoras do jogo já conseguiram retirar diversos resultados qualitativos observando a reação dos idosos com quem trabalham. “As suas competências de atenção melhoraram e no âmbito da memória, raciocínio lógica e linguagem, apresentam respostas cada vez mais rápidas, ou seja, o tempo de espera reduziu significativamente e, consequentemente, apresentam maior vocabulário e fluência verbal. Este jogo permitiu ainda reduzir o isolamento social e aumentou os laços afetivos e cumplicidade com os seus pares”, refere Stéphanie Costa.

O jogo tem um custo de 285€ e pode ser adquirido na página de Facebook, no site da 4Sénior ou por email.