7 curiosidades bizarras sobre o esquema de corrupção universitária nos EUA

Manipulação de imagem, suborno e falsificação de perfis académicos. Foi assim que a maior fraude universitária dos EUA sobreviveu oito anos.

Felicity Huffman e Lori Loughlin são os nomes mais famosos envolvidos no caso

AFP/Getty Images

A fraude ocorre desde 2011 mas só agora foi divulgada. Um esquema de suborno de admissão às universidades, envolvendo 50 detidos nos EUA, abalou a imprensa internacional. No caso estão envolvidos nomes de celebridades norte-americanas como Felicity Huffman e Lori Loughlin, atrizes bem conhecidas de Hollywood.

O plano foi descoberto após as autoridades chegarem ao nome do responsável. Com 58 anos, William Rick Singer é acusado de ter fundado a Key Worldwide Foundation, uma instituição de caridade falsa criada para receber os subornos.

Para colocar jovens da socialite ou elite norte-americana em universidades de renome como Yale, Georgetown, Stanford ou Universidade do Sul da Califórnia, pais, William Singer, e outros envolvidos no esquema fraudulento, utilizaram várias ferramentas ao longo do tempo – desde manipulação de imagem, falsificação de perfis de candidatura ou contratação de pessoas para realizar exames de admissão em nome dos futuros alunos.

Com o desvendar do escândalo nos EUA, começam a ser divulgados mais pormenores de como o esquema foi realizado e encobrido ao longo dos anos.

1. Ferramentas do Photoshop eram utilizadas para credibilizar histórias

Nos documentos apresentados em tribunal, foram esclarecidas várias histórias sobre os estratagemas adotados para encobrir os esquemas ao longo do tempo. Num dos relatos, a Key Worldwide Foundation, que é identificada em documentação oficial como CW-1 (sigla norte-americana para “primeira testemunha cooperativa”), chegou mesmo a admitir que eram utilizadas ferramentas do Photoshop para adulterar imagens.

Assim, conseguiam colocar a cara dos candidatos em corpos mais atléticos ou fazer parecer que os jovens estariam envolvidos em atividades desportivas – aumentando as hipóteses de admissão. Num dos casos, a escola secundária do jovem envolvido nem sequer tinha uma equipa de futebol, e mesmo assim a manipulação de imagens não foi descoberta.

2. Fotografias da forma de escrita dos alunos eram enviadas para facilitar a adulteração de exames

Existiram ainda vários casos onde os alunos nem sequer realizaram as provas de admissão necessárias. Os pais conseguiram que os próprios inspetores de exame realizassem as provas na vez dos estudantes.

Num dos casos que foi divulgado, Jane Buckingham, fundadora e presidente da empresa Trendera, chegou mesmo a enviar fotografias de folhas escritas à mão pelo filho, de forma a facilitar a adulteração do exame. Na mensagem, a mãe ainda desculpabilizou o jovem, afirmando que este não teria “uma letra muito boa”.

3. Rapaz ganha 20 centímetros de altura em perfil falso

Uma das histórias divulgada mostra como, nos perfis criados para concorrer às universidades, as informações eram adulteradas de forma a que os padrões de excelência procurados pelas instituições de ensino fossem cumpridos.

A fundação responsável pelo esquema chegou mesmo a alterar a altura de um dos candidatos – um rapaz que criou um perfil de jogador de basquetebol para conseguir uma entrada na Universidade do Sul da Califórnia. No perfil de candidatura, o jovem era descrito como tendo ,.85 metros de altura, quando na realidade só tinha 1,65. Apesar da diferença notória, a candidatura foi aceite.

4. Pais pedem aos filhos para “serem estúpidos”, de modo a ganharem benefícios de avaliação

Uma das partes fundamentais do processo de admissão universitária nos EUA passa por levar jovens a consultórios de psicólogos e psiquiatras, de forma a avaliar se existem ou não dificuldades de aprendizagem, como por exemplo a dislexia. Em caso positivo, são concedidos benefícios na hora de serem avaliados – como, por exemplo, mais tempo para preencher formulários ou realizar os testes necessários.

Nesse sentido, a Key Worldwide Foundation chegou mesmo a incentivar os pais a dizer aos seus filhos para “serem burros, não serem tão espertos como eles são”, de forma a conseguirem ganhar essas vantagens.  Este foi um dos aspetos mais criticados pela opinião pública.

5. Uma das estudantes beneficiadas é influencer e partilha em público o seu desinteresse pelo meio académico

Lori Anne Loughlin é uma outra atriz norte-americana envolvida no escândalo. Alegadamente, a estrela da série “Full House”, em conjunto com o marido Massimo Giannulli, pagaram perto de 450 mil euros para que as duas filhas do casal fossem admitidas na Universidade do Sul da Califórnia.

Mas neste caso a popularidade do casal é partilhada com a filha mais nova, Olivia Jade. A jovem é uma influencer, contando com mais de 1,3 milhões de seguidores no Instagram. Num vídeo, publicado em agosto de 2018, chega mesmo a demonstrar a sua falta de interesse pela formação académica em que estaria inscrita. A jovem disse que queria vivenciar “a experiência dos dias de jogos, festas, …” mas não sabia ao certo se a sua presença na universidade seria assídua.

6. Felicity Huffman estava preocupada com a possibilidade de o esquema ser desvendado

Felicity Huffman é provavelmente o nome mais mediaticamente associado a este esquema de corrupção. O envolvimento da atriz, com uma nomeação para um Óscar, remonta ao ano de 2018, quando pagou mais de 13 mil euros à Key Worldwide Foundation para adulterar o exame de admissão da filha mais velha.

No entanto, Huffman mostrou-se mais receosa na hora de enviar a filha mais nova para a universidade. Segundo os documentos do tribunal, a atriz da série americana “Donas de Casa Desesperadas” ainda pensou em recorrer mais uma vez aos estratagemas da fundação, mas acabou por recuar. Isto porque receou que o tutor que estava a preparar a filha para o exame de admissão pudesse notar a discrepância de notas.

7. A desculpa para que supostos atletas deixassem de praticar desporto na universidade

No caso dos alunos que eram aceites com uma bolsa desportiva, apesar das fotos alteradas e dos perfis deturpados, era difícil justificar a falta de prática de desporto em pessoa — nomeadamente em campo.

Num dos casos, o responsável da Key Worldwide Foundation disse ao pai de uma jovem que tinha sido admitida na equipa de basquetebol feminino da Universidade do Sul da Califórnia que a diretora de atletismo da instituição teria justificado a falta de presença da rapariga com uma lesão que tinha sido feita no verão. A Key Worldwide Foundation foi ainda mais longe e deu à jovem um diagnóstico bastante comum entre os atletas: a fasceíte plantar, uma inflamação na planta do pé.

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