Visagismo. Fomos estudar o rosto e look de 4 convidadas da ModaLisboa

Pode ajudar a subir a auto estima e ajuda-nos a passar aos outros a imagem que queremos. Testámos o visagismo em 4 mulheres na ModaLisboa.

Escolher o look para a ModaLisboa é para muitos um processo longo. Pensar nas tendências, naquilo que acham que fica melhor, mas há um aspeto que também devia ser levado em conta e raramente o é. A imagem e energia que queremos transmitir a quem nos vai ver tem uma importância maior do que a que podemos imaginar.

Quem o defende é José Queirós, cabeleireiro e visagista. E o que é um visagista? É alguém que lê o rosto de uma pessoa melhor do que ninguém. Como é o seu caso.

O visagismo, que se define como a arte de criar uma imagem pessoal através das linhas, começou nos anos 30, mas foi a partir da década de 90 que começou a ser mais estudado e aplicado com o francês Claude Juillard. O objetivo desta arte é revelar as qualidades interiores de cada pessoa, conforme as suas características físicas e linguagem visual. Como? Através da leitura das linhas e formas de cada rosto e de um desenho feito em prol daquilo que a pessoa quer expressar no dia. E foi o que fizemos na ModaLisboa com algumas das convidadas, incluindo Bárbara Taborda e Cláudia Jacques.

Isto porque, segundo José Queirós, todos os dias acordamos com uma energia diferente. Há dias em que queremos passar uma imagem mais serena, outros dias com mais caráter e poder, uns dias com energia mais terra, outros dias céu. E isso influencia aquilo que vestimos. “É por isso que aconselho sempre as pessoas a não escolherem a roupa de um dia para o outro, porque de manhã podemos acordar com outra energia e vestir uma roupa que expressa exatamente o oposto do que queremos”, explica.

E porque a imagem que queremos transmitir num evento como o da ModaLisboa ou numa entrevista de trabalho são completamente diferentes, devemos adaptar. “Por exemplo, numa entrevista, para falar com uma pessoa mais formal, se calhar tinha que ser um penteado mais apanhado, um coque, que mostre mais rosto e menos cabelo, para dar um efeito mais disponível e sério. A pessoa é logo vista com mais seriedade”, afirma.

O cabelo e a forma como o penteamos também dizem muito de nós. Tendo em conta que todos temos um lado mais forte do que o outro, de acordo com o olho e o lado do sorriso mais abertos, o risco do cabelo pode fazer toda a diferença, “risco ao meio ou risca ao lado, é o que dá equilíbrio, carácter ou harmonia.”

Mas o visagismo não se aplica apenas à moda. “Tudo é fórmula, por isso o visagismo pode ser usado em tudo. Posso analisar uma sala, por exemplo. Se for assimétrica é logo mais dinâmica e por isso a nossa conversa nessa sala vai ter mais energia, vai ser mais descontraída. Se a sala for quadrada se falamos com mais tranquilidade, a conversa será mais séria.”

Em Portugal, ainda não se fala muito em visagismo e a maioria das pessoas não sabe sequer o que é, e é nisso que José Queirós tem vindo a trabalhar no seu cabeleireiro em Gondomar, Teu Estilo Concept. Aqui, o visagista faz sessões de cerca de 45 minutos onde faz uma análise do rosto, para definir o tipo de corte ou penteado. “Quando cortamos um cabelo ou pintamos, já usamos os nossos conhecimentos de visagismo, mesmo que de forma invisível. Muitas pessoas vão ao cabeleireiro e dizem ‘faça o que achar que me fica melhor’ e os cabeleireiros fazem sem terem um conhecimento aprofundado do que cada coisa pode significar. Por isso é importante que também eles comecem a conhecer o visagismo.”

Fora de Portugal, o visagismo já é usado em todas as áreas, até no cinema, por exemplo, para a escolha de papéis de pai e filho, em que precisam estudar a morfologia do rosto. “A TVI já vai fazendo isso nas novelas, mas em Hollywood é completamente diferente”, afirma.

Para José Queirós, o ideal seria fazer uma consulta de visagismo pelo menos de dois em dois anos, porque o rosto da pessoa está em constante transformação. Esta consulta pode variar entre os 30 e os 60€.

Texto de Fabíola Carlettis, vídeo de Samuel Costa.
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