Depressão, drogas e uma infância conturbada. O que levou ao fim de Keith Flint

Violência, rebeldia e instabilidade marcaram a vida do jovem que, aos 21 anos, viria a integrar os The Prodigy.Suicidou-se segunda-feira.

Músico tirou a própria vida aos 49 anos, depois de uma carreira prestes a completar 30 anos

AFP/Getty Images

Keith Flint foi encontrado morto esta segunda-feira, 4 de março, em sua casa, em Essex, Inglaterra. Em comunicado, os elementos que compunham a banda de que fazia parte, The Prodigy, confirmaram que o vocalista de 49 anos cometeu suicídio. Apesar do reconhecimento com que viveu, sabe-se que Flint teve de lidar com várias guerras durante toda a vida – desde a má relação com o pai, aos problemas na infância e, mais recentemente, a dependência de drogas.

A vida de Keith Flint foi, desde a infância, conturbada. Ainda jovem, o vocalista viu os pais separarem-se, um dos motivos que o levaram a tornar-se rebelde. Nos primeiros anos de escola, foi-lhe diagnosticada dislexia mas isso não fez dele uma criança mais introvertida.

Uma fotografia de Keith Flint em criança

Pelo contrário, o seu comportamento perturbador durante horário escolar fez com que fosse várias vezes encaminhado para psicólogos e culminou na transferência do mesmo para uma “escola especial”, como cita o “The Mirror “, onde, segundo afirmou mais tarde, chegou a sofrer tratamentos de hipnose, de forma a tentarem moderar o seu comportamento disruptivo.

Numa entrevista dada ao “The Times”, Keith falou dessa época, descrevendo inclusivamente aquele que considerou ser um dos picos da sua vida. O cantor revelou que se trancou no quarto, colocou The Jam, uma banda de punk rock dos anos 70, a tocar e começou a bater repetidamente com a cabeça na parede. “Eu sempre tive problemas mentais, por assim dizer. Sou incrivelmente autodestrutivo”, disse à publicação, segundo cita o “The Mirror”.

A passagem de Keith pelas várias instituições de ensino viria a acabar aos 15 anos, depois de ser expulso. Nessa altura, o músico já era conhecido pelo corte de cabelo alternativo, uma imagem de marca que permaneceu até aos dias de hoje.

O facto de se ter tornado num adolescente fora da norma piorou ainda mais a relação já difícil que tinha com o pai, Clive. Em 1997, Leeroy Thornhill, membro dos The Prodigy, esclareceu em entrevista ao site The Quietus que Clive era um homem bem sucedido e Keith era um jovem rebelde e que não correspondia em nada às expectativas que o pai teria desenvolvido, criando um choque entre ambos. A relação conturbada acabou por levar Clive a expulsar o filho de casa.

The prodigy mudaram o rumo da vida de Keith Flint

Depois de ser expulso da escola, Keith teve vários empregos, sem nunca encontrar uma vocação que lhe agradasse verdadeiramente. Até ao dia em que conhece Liam Howlett, com quem mais tarde viria a formar os The Prodigy.

Keith nunca escondeu a infelicidade profissional que vivia antes de ser colocado no projeto musical, esclarecendo em várias entrevistas o quão sortudo se sentia por ter entrado na indústria. “Conseguem pensar em algum trabalho que eu seria capaz de fazer? Os meus resultados na escola eram péssimos e eu não sei colar papel de parede ou fazer qualquer outra coisa”, cita o “The Mirror”.

Apesar da fase positiva que marcou a entrada de Keith Flint na indústria musical, os problemas do passado continuaram a persegui-lo – no início dos anos 2000, quando o sucesso da banda começou a desvanecer, a depressão e dependência de drogas acabaram por levar a melhor e consumir Flint. “Sim, foi um período negro. Eu bebia muito e consumia muitas drogas.”, confirmou o próprio músico, citado pelo “The Mirror”.

No entanto, a sua vida voltaria a uma fase brilhante após conhecer Mayumi Kai – Deixou de beber, fumar e consumir drogas e em 2006 casou-se com a DJ japonesa, com quem construiu uma vida mais estável em Essex, condado que faz fronteira com Londres. Seria ali, enquanto vivia um dia-a-dia tranquilo, que acabaria por terminar com a sua vida própria vida.

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