John Lenon era disléxico e compôs algumas das canções mais bonitas que temos. Winston Churchill é das figuras mais importantes da política britânica, mas, antes de lá chegar, sentiu-se posto de parte na escola porque não aprendia como os outros. Jim Carrey, Albert Einstein ou Tom Cruise também tinham dificuldades de aprendizagem, mas chegaram onde chegaram.

As crianças que sofrem de dislexia são muitas vezes conotadas como mais lentas — ou até mesmo menos inteligentes —, porque dão erros, trocam as palavras e os números, têm dificuldade em ler e a compreender os textos. Mas a realidade está longe de ser essa. O problema nasce de uma disfunção neurológica que se revela na aprendizagem daquilo que envolve sinalética. 

“Um jovem com dislexia trabalha quatro vezes mais. A diferença é que o faz para um 10 em vez de um 18 ou 19”

Apesar de, segundo a Associação Internacional de Dislexia, uma em cada dez pessoas sofrerem desta perturbação, é pouco frequente reconhecer-se ou sequer valorizar-se o problema, o que levanta problemas de inclusão, de sociabilização, de evolução e de auto-estima em crianças que crescem com a incerteza de que valem tanto como os outros.

Ser disléxico não é ser burro. Um miúdo de 10 anos, de uma escola em Watford, no Reino Unido, provou precisamente isso. Escreveu um poema, alusivo à sua disfunção, que pode ser lido do início para o fim e do fim para o início, com duas mensagens diferentes. Na primeira versão, as palavras são alusivas aos estereótipos associados aos alunos com esta condição. Na segunda, o inverso.

O poema, partilhado pela professora, gerou várias reações no Twitter, vindas, sobretudo, de pessoas que se identificaram e que passaram por situações semelhantes nos tempos de estudante.

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