Espumantes, vinho a copo e comida vegetariana. Bem-vindos ao Senhor Uva

O Senhor Uva abriu perto do Jardim da Estrela, em Lisboa, para mostrar que o mundo dos vinhos não tem que ser sério ou aborrecido.

São mais de 50 opções de vinho, entre o rosé, o branco, o tinto e os espumantes

Marc Davidson nasceu no Canadá, tem família em Macau e mudou-se agora para Lisboa. Stephanie Audet nasceu no Canadá, trabalhou no Havai e também já vive em Lisboa. O caminho destes dois chefs cruzou-se na cozinha e na vida e é agora, como namorados, que decidem assumir Portugal como destino, com muito vinho e comida orgânica na bagagem.

Aos 33 anos, Marc já perdeu a conta às vezes que veio a Portugal, fruto da ligação da família a Macau e, consequentemente, a Portugal. “Sabia que, mais cedo ou mais tarde, o meu caminho ia passar por aqui”, conta à MAGG, sentado ao balcão do restaurante que, juntamente com Stephanie, abriu no início de fevereiro.

Senhor Uva

Morada: Rua Santo Amaro, 66A, Lisboa
Horário: 15h-23h (fecha segunda e terça-feira)

No Senhor Uva servem-se, como o próprio nome indica, vinhos e, neste caso, com a particularidade de serem todos orgânicos. Em garrafa ou a copo, internacionais ou nacionais, Douro, Dão ou Alentejo, mais doces, mais frutados. Venha, sente-se e escolha. Com sorte, Marc e Stephanie ainda lhe dão uma ajuda a conjugar a bebida com uma das opções do menu de petiscos, todos vegetarianos.

“É muito fácil juntar comida vegetariana e vinho, principalmente se, nas duas coisas, procurarmos os produtos mais orgânicos e naturais possíveis”, explica Marc que, tal como Stephanie, não é vegetariano, mas sabe tirar o melhor partido dos legumes e quer provar que a cozinha de base vegetal pode ser criativa e cheia de sabor.

“Não tenho nada contra a carne, ainda que não coma, mas gosto muito de peixe, por exemplo. E em Portugal, não me parece tão errado comer peixe, que vem daqui da costa. Agora, comer amêijoas vietnamitas no Canadá é que não”, explica.

Mesmo assim, no Senhor Uva, o menu não tem carne nem peixe e, ainda que criado por dois canadianos, tem toques bem portugueses. Nas entradas, por exemplo, encontramos pão da Gleba com manteiga de ovelha (2,5€), e um combo de azeitona, tremoço, e erva doce (1,5€). Para pratos mais compostos, ainda que pensados para partilha, há Queijo de Azeitão fundido com alecrim e pimentão doce (6,5€) e abóbora com mel e queijo de cabra (8€). Para sobremesa, uma pequena bomba sem açúcar feita de chocolate, avelã, batata doce e tâmaras Medjool (6€).

Já quanto aos vinhos, são mais de 50 variedades, desde espumantes e champanhes, rosés, brancos e tintos. Marc e Stephanie convidam a que venham, se sentem — nas mesas ou ao balcão — e comecem a provar, de uma forma descontraída. “Temos ideia de que o mundo dos vinhos é sério, um pouco exclusivo até, e não tem que ser assim”, explica Marc. É por isso que esta dupla quer convidar sommeliers e chefs para falar de vinhos, organizar provas amadoras e já organizaram eventos com nomes tão sugestivos quanto “We”ll Get You Drunk” (algo como “Vamos embebedá-lo”).

Marc e Stephanie estão ainda a apalpar terreno neste que é o mundo da restauração em Lisboa e, para já, mantêm o fascínio pelos legumes comprados no mercado, pelo sol que apanham no Jardim da Estrela, mesmo ao lado, e a facilidade em viajar pela Europa, típico de quem vem de país com dimensões de continente.

“Dantes, andávamos horas e horas e nunca saíamos do Canadá. Agora, podemos ir um fim de semana à Áustria conhecer um produtor de vinhos ou a Espanha experimentar um restaurante”, refere Stephanie, com Marc a corresponder ao entusiasmo: “Estou a fazer o que gosto, com a minha melhor companhia e na minha cidade favorita. É perfeito”.

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