Há um novo “medicamento inteligente” que promete trazer avanços na cura para as mulheres com cancro da mama triplo negativo, com base num ensaio clínico. Os dados do estudo foram publicados esta quinta-feira, 21 de fevereiro, no “New England Journal of Medicine” e têm como base um ensaio clínico do NewYork-Presbyterian/Columbia’s Herbert Irving Comprehensive Cancer Center.

O estudo testou a droga Sacituzumab em 108 mulheres com cancro da mama triplo negativo, que já tinham passado por dois ou mais regimes de tratamento. Sacituzumab é um anticorpo que se concentra apenas nas células cancerígenas, deixando as saudáveis imunes. Como um míssil, fornece uma “ogiva” na forma de um potente medicamento de quimioterapia. Uma vez que atinge diretamente os tumores, evitando as células saudáveis, os efeitos colaterais são reduzidos ao mínimo.

No momento em que o paciente inicia o seu terceiro ou quarto regime de tratamento padrão, a hipótese de resposta é baixa. Sacituzumab, no entanto, produziu uma melhor taxa de resposta em pacientes pré-tratados, do que o que tem sido visto historicamente com outras terapias padrão.

Em geral, 33% dos pacientes responderam ao medicamento, sendo que a duração mediana da resposta foi de 7,7 meses. Nove participantes do estudo permaneceram livres de qualquer progressão da doença por mais de um ano.

O investigador da Universidade da Columbia, Nova York, Kevin Kalinsky, disse, como cita o “MedicalExpress“: “Eu acho que este medicamento tem o potencial de mudar a prática, porque os dados parecem muito convincentes, mesmo com um número relativamente pequeno de pacientes no estudo.”

Kalinsky diz que “com este medicamento inteligente, podem fornecer uma dose muito maior de carga útil, já que se está a atuar diretamente nas células cancerosas”. Os principais efeitos colaterais observados no estudo foram a perda de cabelo, diarreia e fadiga. Apenas 3% dos pacientes tiveram que parar de tomar o medicamento devido a outros sintomas.

Como explica o investigador, o medicamento “não causou neuropatia, a dormência e formigueiro, que pode ser bastante doloroso e limitador para os pacientes”. Com a neuropatia pode tornar difícil vestir-se, ou até andar, por isso, é “promissor ter um tratamento ativo que não tenha neuropatia como efeito colateral”, conclui.

“Ter tumores menores pode ser incrivelmente significativo para a qualidade de vida do paciente”, acrescenta Kalinsky. “Quando os tumores diminuem, os pacientes têm mais probabilidade de apresentar melhoria dos sintomas, como a dor”.

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O cancro da mama triplo negativo é uma doença agressiva e é mais comum em relação a outros tipos de cancro da mama, em mulheres jovens e/ou afro-americanas. Os cancros da mama triplo-negativos não expressam o recetor de estrogénio, o recetor de progesterona ou o HER2. Assim, historicamente, os tratamentos incluíam apenas quimioterapia para este tipo de cancro, e não terapia direcionada, como terapia hormonal ou Herceptin.

O Sacituzumab faz parte de uma classe emergente de “medicamentos inteligentes” idealizadas para entregar uma carga tóxica diretamente às células tumorais. É uma fusão de um anticorpo que reconhece uma proteína expressa por células de cancro da mama conhecidas como trop2 e o metabólito de um medicamento de quimioterapia estabelecido (irinotecano), o SN-38. O anticorpo entrega o SN-38 diretamente à célula cancerosa.

O medicamento também está a ser testada noutros tipos de cancro da mama, da bexiga e da próstata.