Os nossos protetores solares estão a matar recifes de corais — e não só

Estudo indica que existem até 82.000 tipos de químicos em oceanos de todo o mundo. Protetores solares são os principais culpados.

O facto de um protetor ter um maior fator de proteção também é indicativo de que contém um maior número de químicos

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Já todos nós sabemos que não é só no verão que é recomendada a utilização de protetor solar. Agora talvez comece a prestar mais atenção ao tipo de protetor solar que compra, uma vez que muitos deles contém químicos que estão não só a poluir as águas dos oceanos, como também a levar à morte de recifes de corais.

Segundo um relatório da Marine Safe — uma organização não governamental de conservação marinha —, divulgado pela “Travel + Leisure“, podem existir até 82.000 tipos de produtos químicos de produtos de cuidado pessoal em oceanos de todo o mundo e que estão a matar recifes de corais. 

De acordo com o site da revista “Travel & Leisure”, estimou-se que em 2015 os recifes de corais em todo o mundo estavam a sofrer danos irreparáveis, devido à presença de cerca de 14.000 toneladas de protetor solar presentes nas águas marítimas.

Principais químicos prejudiciais presentes nos protetores solares:

  • oxibenzona
  • octinoxato
  • parabenos
  • fenoxietanol

“Oitenta e cinco por cento dos recifes de coral das Caraíbas morreram antes de 1999 ou 2000. Aquilo não foi o aquecimento global. É a poluição ”, afirmou Craig Downs, diretor executivo do Haereticus Environmental Laboratory, à revista norte-americana.

Os protetores solares são um dos principais e dos maiores contribuidores, mais especificamente, alguns dos compostos químicos destes produtos como o oxibenzona e octinoxato. “A oxibenzona, por exemplo, é tóxica de quatro maneiras diferentes: provoca danos no ADN que podem causar cancro e anormalidades de desenvolvimento, é um disruptor endócrino, provoca deformações em corais juvenis e, por último, leva ao branqueamento [dos corais]”, pode ler-se no site da “Travel & Leisure”.  Há também outros conservantes que se encontram em protetores solares que são apontados como tóxicos, como é o caso dos parabenos e do fenoxietanol.

A conclusão chegou depois de Craig Downs e a sua equipa terem estudado mais de 50 marcas de protetores solares. Contudo, a utilização destes produtos químicos é muito frequente pela capacidade que têm de absorver os raios ultravioleta prejudiciais à saúde.

Para já, o mais seguro é não optar por sprays aerossóis. “[Com um spray aerossol], os ingredientes químicos microscópicos são inalados para os pulmões e dispersos pelo ar”, referiu Brian Guadagno, fundador e CEO da Raw Elements, uma empresa de protetores solares não tóxicos, à revista norte-americana. Uma outra alternativa mais amiga do ambiente ao oxibenzona e ao octinoxato poderá ser o dióxido de titânio não-nano.

O facto de um protetor ter um maior fator de proteção também é indicativo de que contém um maior número de químicos e não significa necessariamente que seja mais eficaz. “Estatisticamente não o protegem contra a radiação UV [acima] de SPF 30. Então só precisa de encontrar um SPF 30 muito bom, que tenha realizado o rigoroso teste requerido pela FDA [Food and Drug Administration], para terem uma resistência à água que normalmente é de 80 a 90 minutos, e reaplicar a cada 80 a 90 minutos ”, recomenda Craig Downs.

Segundo Craig Downs, citado pela “Travel + Leisure”, estes químicos não estão apenas presentes nas águas, mas também naquilo que comemos, como os peixes que chegam até ao nosso prato.

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