A 13 de janeiro de 1999, Hae Min Lee uma jovem de 18 anos residente em Maryland, Estados Unidos, foi dada como desaparecida. O alerta foi dado quando se percebeu que Hae não tinha ido buscar o primo à creche, como era habitual, e como deveria ter acontecido. A 9 de fevereiro, faz hoje precisamente 20 anos, o seu corpo foi encontrado em Laike Park, sem vida.

Algumas semanas depois, o seu ex-namorado, que sempre disse nada ter a ver com o crime, foi acusado de alegadamente ter raptado e assassinado Hae Min Lee, acabando por ser condenado a prisão perpétua em 2000, quando tinha apenas 20 anos.

Este caso passou despercebido nos media norte-americanos, até 2014, altura em que foi investigado pelos jornalistas que produzem o podcast norte-americano “Serial”. O podcast questionou se a defesa e a investigação teriam sido conduzidas da melhor forma.

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O caso voltou então a ser falado publicamente e o canal de televisão norte-americano HBO anunciou em 2015 que estava a preparar um documentário sobre este crime. O filme está finalmente pronto e “The Case Against Adnan Syed“, da realizadora Amy Berg, será transmitido já no próximo mês de março, nos Estados Unidos. Ainda não há data de estreia em Portugal.

Neste documentário, que será dividido em quatro partes, todo o caso será re-examinado ao detalhe, começando pela relação amorosa entre Adnan Syed e Hae Min Lee, passando pelo desaparecimento da rapariga e depois pela condenação de Syed.

Além disso, segundo o site da HBO, serão apresentadas novas provas e revelações que podem pôr em causa a estratégia de acusação.  “The Case Against Adnan Syed”  contará ainda com depoimentos de Adnan Syed, dos seus advogados, da sua família, de alguns amigos, de professores e de membros da polícia de Baltimore.

A história de Han Min Lee e Adnan Syed começa em 1998. Os dois namoraram durante alguns meses, acabando a relação pouco tempo depois. A 13 de janeiro, Han Min Lee, imigrante da Coreia do sul, desapareceu por volta das 14 horas, após ter saído da escola. Acredita-se que o crime terá ocorrido entre as 14 e as 15 horas, no parque de estacionamento do Best Buy, um supermercado local, antes de Min Lee ir buscar o primo à creche.

O corpo da jovem apareceu 27 dias depois, a 9 de fevereiro num parque local em Maryland, e foi só identificada dois dias depois. A 12 de fevereiro, a polícia de Baltimore recebeu uma denúncia anónima afirmando que o o ex-namorado de Hae Min Lee seria o autor do crime. A 28 de fevereiro, Adnan Syed foi acusado pelo homicídio da sua ex-namorada.

No ano seguinte, a 25 de fevereiro, Adnan Syed foi condenado a prisão perpétua por homicídio, assalto e rapto de Han Min Lee. A acusação teve por base o testemunho do amigo Jay Wilds, que testemunhou ter ajudado a enterrar o corpo de Lee no Laike Park, e a informação proveniente sobre as torres de comunicação que localizavam o telemóvel de Syed em locais-chave do crime.

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Em 2010, Adnan Syed pediu que o seu caso fosse reaberto, alegando que a sua advogada de defesa na altura, Cristina Gutierrez, tinha sido ineficiente pois não tinha incluído o depoimento de Asia Mclain como testemunha abonatória. Esta pedido foi recusado.

Em 2001, a advogada de Defesa de Adnan Syed, Cristina Gutierrez aceitou perder a licença de advogada, por mútuo acordo com o tribunal de Maryland. Ao desistir da sua licença de advogada Gutierrez levou a que algumas queixas sobre o seu trabalho fossem arquivadas. Gutierrez viria a falecer em 2004.

Devido ao mediatismo dado ao caso pelos podcasts “Serial” e  “Undisclosed”, Adnan Syed conseguiu que o seu processo fosse novamente reapreciado.  A 19 de novembro de 2015, o tribunal de Maryland decidiu reabrir o caso e aceitar o testemunho de Asia McClain, que alega que estava com Syed na biblioteca à mesma hora que o Procurador Geral afirmou que ele estava no parque de estacionamento do supermercado local a cometer o crime.

Além disso, de acordo com um texto de opinião publicado no jornal britânico “The Guardian“, em 2016, da autoria de Rabia Chaudry, amiga de Adnan Syed, houve várias incongruências nunca investigadas que podem ter levado à condenação indevida de Syed.

Adnan Syed em 2016, com 36 anos

TNS via Getty Images

A primeira questão que Chaudry levanta é a credibilidade da testemunha Jay Wilds, amigo de escola de Adnan Syed e Han Min Lee.  Segundo Chaudry, Jay Wilds já mudou várias vezes o testemunho ao longo da investigação e do julgamento. Além disso, Rabia Chaudry indica ainda uma entrevista que Wilds deu em 2014 ao site The Intercept, onde voltou a mudar um detalhe importante do seu depoimento: disse que Syed tinha ido ter com ele por volta da meia-noite, em vez das 19h00, como tinha dito antes.

Além disso, neste mesmo texto de opinião, Rabia Chaudry afirma que a advogada e uma das autoras do podcast “Undisclosed” Sara Simpson, encontrou um documento que prova que a informação proveniente sobre as torres de comunicação sobre a localização do telefone de Syed não eram fiáveis.

Após vários recursos interpostos pela acusação, a decisão final sobre se Syed será ou não libertado e se terá ou não novo julgamento vai ser conhecida até agosto de 2019. Até lá Adnan Syed continuará preso.